A base de assinantes pagos do Spotify atingiu 306 milhões de contas no encerramento do terceiro trimestre de 2026, superando em 1 milhão de clientes a meta projetada pela própria plataforma. Os resultados financeiros divulgados na quinta-feira (22), em Estocolmo e Nova York, mostram que a receita total da empresa cresceu 16% na comparação anual e somou 4,97 bilhões de euros (cerca de R$ 28,1 bilhões).
O balanço referente ao período contábil encerrado em 30 de setembro de 2026 apontou que o total de usuários ativos mensais (MAUs, na sigla em inglês para o indicador que soma contas pagas e gratuitas) chegou a 788 milhões de pessoas, um avanço anual de 11%. No comunicado oficial aos investidores, a empresa declarou, em tradução livre: “No terceiro trimestre de 2026, crescemos para 306 milhões de assinantes Premium, com crescimento em todas as regiões, e alcançamos 788 milhões de usuários ativos mensais, enquanto nossa margem bruta e lucro operacional ficaram acima das expectativas”.
Continue lendo: Spotify cria ajuste para ocultar faixas infantis do perfil O crescimento de 9% na base de clientes do plano pago resultou da adição líquida de 6 milhões de assinantes entre julho e setembro.
Já o total geral de usuários ativos mensais teve acréscimo líquido de 11 milhões de ouvintes em relação aos 777 milhões contabilizados no segundo trimestre de 2026. Na modalidade gratuita suportada por anúncios, o público mensal avançou 12% em um ano e totalizou 499 milhões de pessoas.
Geograficamente, a América Latina concentra 24% dos assinantes pagos e 21% do total de usuários ativos mensais da plataforma. A divisão de assinaturas Premium gerou 4,487 bilhões de euros em faturamento no trimestre, uma alta anual de 17%, com receita média mensal por assinante (ARPU) de 4,95 euros.
O segmento de publicidade arrecadou 482 milhões de euros, crescimento de 10% no comparativo anual (ou 9% em moeda constante), impulsionado por ferramentas de vendas automatizadas. O co-CEO (diretor-executivo compartilhado) do Spotify, Alex Norström, avaliou o desempenho operacional do período.
“Este foi um trimestre em que cumprimos o que prometemos. Construímos um negócio sólido que continua a crescer exponencialmente, investimos quando vemos um caminho para o crescimento, nossos custos estão diminuindo e ainda temos muito espaço para avançar.
A cada expansão do catálogo do Spotify, atraímos novos ouvintes e damos aos nossos clientes atuais mais motivos para voltar, praticamente todos os dias”, afirmou Norström. O lucro operacional da companhia subiu 15% em relação ao mesmo período do ano anterior e alcançou 672 milhões de euros (cerca de R$ 3,8 bilhões), favorecido por despesas menores que o previsto com marketing, folha de pagamento e conteúdo.
A margem bruta atingiu 33,0%, um recorde para um terceiro trimestre, com avanço anual de 136 pontos-base. Na contramão do resultado operacional, o lucro líquido atribuível aos acionistas caiu 42% na comparação anual, passando de 899 milhões de euros no terceiro trimestre de 2025 para 518 milhões de euros no mesmo intervalo de 2026, diferença explicada pelo fato de o balanço do ano anterior ter sido impulsionado por 262 milhões de euros em receita financeira e 72 milhões de euros em benefício fiscal.
O fluxo de caixa livre da empresa somou 735 milhões de euros no trimestre, ante 806 milhões de euros registrados entre julho e setembro de 2025, quando a plataforma contava com 713 milhões de usuários ativos mensais. Após a apresentação dos números na manhã de quinta-feira (22), as ações do Spotify negociadas na Bolsa de Valores de Nova York subiram mais de 9%, cotadas na faixa de US$ 574,63 a US$ 588,88.
Continue lendo: Spotify pode liberar Jams para usuários gratuitos com controle limitado Na área de desenvolvimento tecnológico, a plataforma integrou seu aplicativo ao ChatGPT, sistema de inteligência artificial da OpenAI, e ao Muse, ferramenta da Meta voltada ao gerenciamento de bibliotecas e reprodução por comandos diretos.
O também co-CEO do Spotify, Gustav Söderström, declarou que a empresa está posicionada para a era dos agentes de inteligência artificial, acrescentando que “ninguém pede a um agente para ‘resumir uma música'” e que o objetivo da tecnologia é liberar tempo para o entretenimento.
Na frente comercial, a empresa lançou o programa de assinaturas de podcasts Creator Memberships em 34 mercados e expandiu o Spotify Partner Program, que remunera criadores por engajamento, para mais de 35 novos territórios, incluindo o Brasil. Para o encerramento de 2026, a companhia planeja ampliar a oferta de seu catálogo de audiolivros — que reúne mais de 350 mil títulos em 120 idiomas — de 22 para mais de 180 mercados, além de estabelecer projeções financeiras e de público para o quarto trimestre do ano, cujo lucro operacional estimado supera a média de 813,4 milhões de euros prevista por analistas da consultoria financeira LSEG:
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