Por Gustavo MaiatoPostado em 24 de outubro de 2026 O acidente de avião de 2008 entrou na conversa quando Travis Barker participou do podcast The Magnificent Others, apresentado por Billy Corgan.
Ao chegar ao tema, o líder do Smashing Pumpkins disse que tentava se colocar no lugar do convidado. Lembrou que, para músicos, as mãos são tudo.
A pergunta foi direta: como foi segurar as baquetas pela primeira vez depois de ter cerca de 65% do corpo queimado? Barker contou que passou de quatro a seis meses em um centro de tratamento de queimados e enfrentou 30 cirurgias.
Logo na chegada, os médicos não sabiam se ele sobreviveria. Seguiram-se transfusões de sangue e até a possibilidade de amputar um pé por causa de infecção.
"Ele era um cara direto. Disse: 'Não sei.
Não sei se você vai voltar a tocar bateria'", relembrou, sobre o médico responsável pelas queimaduras. "Ninguém sabia, mas as minhas duas mãos estavam dormentes.
Eu não quis falar nada porque só queria sair do hospital, então não contei ao médico. Depois descobri que tinha um monte de lesões nos nervos, mas eu não via a hora de ir para casa.
Eles me levavam para fora e eu tocava num pad de estudo. Minhas mãos ainda estavam com casca de ferida, minhas queimaduras nem tinham cicatrizado por completo.
Foi ali que eu finalmente me senti conectado a alguma coisa, porque eu não tinha nada." Durante a internação, o médico especializado em estresse pós-traumático dizia ao baterista que ele não precisava mais tocar, sair em turnê ou sequer deixar a casa.
"Acho que isso me deu uma paz que eu nunca tive, porque eu sempre achei que precisava fazer aquilo. Mas também era o que eu amava e a única coisa que eu sabia fazer.
E ficou provado quando saí do hospital e cheguei em casa: é tudo o que eu quero fazer. Quero estar com meus filhos e quero tocar bateria", disse.
A recuperação também trouxe a sobriedade. Barker contou que desenvolveu dependência de opioides depois que alguém lhe ofereceu um comprimido para enfrentar o medo de voar.
"Infelizmente, foi preciso o meu acidente para me fazer ficar sóbrio", afirmou. A bateria, segundo ele, já tinha sido refúgio antes: depois de perder a mãe aos 13 anos, ficou ainda mais obcecado pelo instrumento, a única coisa em que se sentia confiante.
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