O governador Ratinho Júnior (PSD) afirmou que buscará uma transição de governo "feita da melhor forma possível" para o senador Sergio Moro (PL), que venceu em primeiro turno a disputa estadual. O parlamentar obteve 50,1% dos votos válidos e derrotou o ex-secretário estadual Sandro Alex (PSD), escolhido como sucessor do mandatário paranaense, que teve 25,3%. Apesar do tom conciliador após o resultado nas urnas, Ratinho criticou o ex-juiz da Lava-Jato ao longo da campanha, marcada por trocas de farpas entre os adversários. "Da nossa parte, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que a transição seja feita da melhor forma possível, com responsabilidade e pensando no melhor para a população paranaense", disse em um post no X na manhã desta segunda-feira. Na publicação, o governador também relatou que havia conversado com Moro para desejá-lo "sucesso à frente do governo". "O povo do Paraná fez a sua escolha, e a grandeza da democracia também é respeitar a decisão soberana do voto", acrescentou.
Troca de ofensas Ao longo da campanha, no entanto, Ratinho subiu o tom contra Moro em defesa de Sandro Alex. A seis dias do primeiro turno, o governador classificou o parlamentar como "lobo em pele de cordeiro" e disse que, antes, considerava-o uma "joia rara", mas agora o vê como uma bijuteira. Os comentários foram feitos em resposta a uma publicação feita por Moro no dia anterior, que exibia um trecho de um discurso em que Ratinho o elogiava após sua saída do Ministério da Justiça.
Nas semanas anteriores, o governador e Sandro Alex também afirmaram que Moro havia "traído" o ex-presidente Jair Bolsonaro e disseram que ele votou a favor da indicação do ministro Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi negada pelo senador, que disse que foi contrário à nomeação e argumentou que manteve seu voto secreto. Na largada da campanha, Ratinho também se referiu a Moro como o "candidato da mentira" e criticou suas ausências no Senado. Em resposta, Moro disse que enfrentava o "centrão" na disputa estadual e se colocou como o único paranaense procurado por Jair Bolsonaro na eleição de 2022.
Desempenho da esquerda Também na disputa pelo comando do Executivo, o deputado estadual Requião Filho (PDT) teve 23% dos votos válidos nas urnas e ficou em terceiro lugar, com desempenho próximo a Sandro Alex. Até a véspera, pesquisas como a Quaest mostravam os dois empatados tecnicamente, dentro da margem de erro, e na briga por um lugar no segundo turno contra Moro.
Com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o pedetista conseguiu concentrar os apoios da esquerda do estado em uma aliança com o PT, que indicou a ex-ministra Gleisi Hoffmann e o ex-deputado federal Dr. Rosinha para o Senado. Os dois não foram eleitos ao perderem para o deputado Filipe Barros (PL) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo), ambos integrantes da chapa de Moro. O pedetista também não conseguiu eleger o pai, o ex-governador Roberto Requião (PDT), para a Câmara dos Deputados.
O Globo