Rali não deve ser passageiro e bolsa pode subir até 45% com provável vitória de Flávio, apontam bancos

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Fonte da notícia: Valor Valor

A surpresa com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por dois pontos percentuais, juntamente com o desempenho dos partidos de direita no Senado e na Câmara, alimentou a visão de bancos de que o rali na bolsa local não deve ser passageiro e que o mercado acionário brasileiro poderá passar por uma reavaliação no curto prazo, no caso de vitória do candidato bolsonarista. Se isso ocorrer, a equipe do BTG Pactual calcula, em relatório, que o preço sobre lucro do Ibovespa pode se mover rapidamente para um desvio padrão acima da média e a bolsa pode apresentar uma valorização entre 32% e 45%.

Já a equipe do J.P. Morgan defende que o preço sobre lucro projetado para os próximos 12 meses do MSCI Brazil poderia subir até 20%, sendo que a metade dessa reavaliação de múltiplo poderia ocorrer no curto prazo.

"A outra metade dependeria da reta final da disputa presidencial, condicionada ao esclarecimento do plano macroeconômico, à definição da equipe ministerial e a um cenário externo relativamente favorável", destacam os profissionais do J.P. Morgan.

Atualmente, a equipe do banco avalia que o mercado brasileiro negocia a 8,9 vezes o lucro. No caso de uma vitória de Flávio Bolsonaro, o Brasil poderia negociar a um múltiplo preço sobre lucro projetado em 12 meses para 10,9 vezes, na visão do banco. "Nos últimos cinco anos, o Brasil só negociou a múltiplos de dois dígitos no início do ano, como reflexo de fluxos de entrada de capital recordes."

Em meio ao aumento da possibilidade de que haja uma alternância de poder, a equipe do J.P. Morgan também voltou a elevar hoje a recomendação para as ações brasileiras de neutra (market weight) para compra (overweight)

Outra casa que vê um potencial de reavaliação mais expressivo das ações brasileiras é o Jefferies. Em relatório, a equipe de estratégia para a América Latina destacou que a bolsa local continua negociando com um preço sobre lucro projetado abaixo de 9 vezes, o que estaria próximo das mínimas históricas.

"A combinação de uma melhora nas expectativas políticas, posicionamento reduzido e 'valuations' atraentes poderia sustentar uma reavaliação mais ampla do mercado brasileiro, caso os investidores passem a confiar em um cenário fiscal mais construtivo", observou a casa.

Ao contrário das últimas eleições, nas quais que o rali perdeu força rapidamente nas semanas seguintes ao primeiro turno, a equipe de estratégia em ações para as Américas do HSBC, liderada por Nicole Inui, acredita que o movimento agora pode persistir por mais tempo.

"Investidores locais permanecem significativamente subalocados em ações, o que cria um potencial de realocação que pode oferecer suporte para o mercado continuar a subir, a despeito do aumento da volatilidade de curto prazo", apontou a casa.

Os profissionais do HSBC observam que a alocação de fundos em ações está em cerca de 7,7%, o que permanece bem próximo dos níveis mais baixos da história, de 7,5%. "Além disso, os fluxos de investidores estrangeiros voltaram recentemente, mas seguem abaixo do pico visto em abril deste ano, sugerindo espaço para uma melhora."

De forma mais tática, a equipe do HSBC avalia que o rali deve ser liderado por ações mais sensíveis aos juros, como as de setores cíclicos domésticos, fintechs e companhias que estavam com balanços mais fracos.

"Ainda assim, o crescimento dos lucros deve levar um tempo para se materializar. A razão é que a economia permanece fraca, as taxas de juros de curto prazo vão levar um tempo para cair, e qualquer consolidação fiscal pode criar um obstáculo ao crescimento no curto prazo", pondera o HSBC. Nesse sentido, a casa diz preferir ações consideradas "bond proxies", que podem se beneficiar do recuo das taxas de juros de prazo mais longo, apresentando também uma baixa sensibilidade ao crescimento econômico.

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