Candidato ao Senado lidera pesquisas no Texas, tradicional reduto republicano, e tenta quebrar uma sequência de 38 anos sem vitórias democratas na disputa James Talarico, candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos, entrou na mira do presidente Donald Trump em meio à disputa por uma das cadeiras mais importantes das eleições legislativas de 2026.
Representante de um estado historicamente republicano, ele tenta conquistar uma vaga no Texas, onde um democrata não vence uma eleição para o Senado desde 1988. A votação está marcada para 3 de novembro e pode influenciar o equilíbrio de forças no Congresso americano.
Segundo pesquisas mencionadas pela imprensa, Talarico tem aparecido à frente do adversário republicano, Ken Paxton, procurador-geral do Texas. A disputa ganhou ainda mais atenção porque os republicanos tentam preservar a maioria no Senado durante as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms.
Neste ano, também estarão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. James Dell Talarico foi professor de inglês no ensino fundamental e diretor executivo de uma organização sem fins lucrativos voltada à educação.
Desde 2018, atua como deputado estadual no Texas. Além da carreira política, Talarico é seminarista presbiteriano e tem uma trajetória familiar ligada ao cristianismo.
Seu avô materno, Jimmy Causey, foi pregador batista em igrejas no sul do Texas. A formação religiosa é um dos aspectos que o candidato utiliza para dialogar com eleitores conservadores do estado.
Apesar disso, algumas de suas posições, especialmente a defesa dos direitos reprodutivos, provocam resistência entre setores do eleitorado. Durante a campanha ao Senado, Talarico tem defendido propostas relacionadas à economia, educação, direitos sociais e política externa.
Entre as medidas que já apresentou está a legalização do uso recreativo da maconha no Texas, iniciativa que não avançou no estado. Ele também pretende defender a pauta em Washington.
Na área econômica, o democrata propõe revogar cortes de impostos destinados ao 1% mais rico da população americana e acabar com incentivos fiscais para a construção de novos centros de processamento de dados, conhecidos como data centers. Em relação à política externa, Talarico se posicionou contra a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.
Sobre a guerra na Faixa de Gaza, afirmou que Israel tem direito de defender sua população, mas criticou os ataques contra civis e as restrições à entrada de ajuda humanitária. O candidato também defende impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, mas sem envolver os Estados Unidos em novos conflitos prolongados.
Apesar de ser identificado como progressista, Talarico tem adotado posições mais moderadas em determinados temas para ampliar o diálogo com eleitores do Texas. Em entrevista à Fox News, por exemplo, afirmou ser contrário à participação de atletas transgênero em competições esportivas femininas quando isso comprometer a segurança ou a justiça nas disputas.
Na área energética, também defende a manutenção de diferentes fontes de energia, incluindo petróleo e gás natural. O posicionamento chama a atenção porque esses setores são frequentemente criticados por integrantes do Partido Democrata.
Em entrevista ao cantor Bobby Pulido, que também disputa uma vaga na Câmara dos Representantes, Talarico afirmou que a indústria de petróleo e gás representa uma importante fonte de empregos e renda para famílias texanas. A estratégia busca aproximar o candidato de eleitores que tradicionalmente votam nos republicanos, especialmente em um estado onde a indústria energética tem peso econômico e político.
A importância da cadeira texana para a composição do Senado levou Donald Trump a direcionar críticas ao candidato democrata. Em publicação na rede Truth Social, o presidente chamou Talarico de radical de esquerda e utilizou um trocadilho com o sobrenome do adversário, além de questionar suas posições políticas.
Trump também criticou o período em que o democrata ficou afastado da campanha. Talarico explicou que a ausência ocorreu por causa de uma gripe.
Durante uma participação em um evento promovido pela CNN, o candidato minimizou os ataques e afirmou que teorias da conspiração não ajudam a resolver os problemas cotidianos da população. O adversário republicano de Talarico é Ken Paxton, procurador-geral do Texas.
Apesar do apoio de Trump, a candidatura enfrenta resistência de setores do próprio Partido Republicano em razão de controvérsias envolvendo sua atuação pública. Paxton foi acusado de fraude em valores mobiliários por supostamente omitir que receberia remuneração para promover ações de uma empresa de tecnologia.
Ele negou as acusações e classificou o caso como perseguição política. Em 2024, chegou a um acordo que prevê o encerramento das acusações criminais estaduais mediante o cumprimento de determinadas condições, sem confissão de culpa.
O republicano também foi acusado por ex-assessores de utilizar o cargo para favorecer o empresário e doador de campanha Nate Paul. Paxton negou irregularidades e afirmou que os denunciantes eram funcionários insubordinados.
Em 2023, ele foi absolvido pelo Senado estadual em um julgamento de impeachment baseado em acusações de abuso de poder e suspeita de suborno. Já em 2025, o Departamento de Justiça decidiu não apresentar acusações criminais na investigação federal relacionada ao caso.
Mais recentemente, a atuação de seu gabinete em um caso de abuso sexual infantil em Waco também provocou críticas. A equipe de Paxton argumentou que o julgamento terminou sem consenso entre os jurados e que a vítima não queria prestar depoimento novamente.
Lidia Gabriella é repórter do ND Mais, no Núcleo Nacional, e acompanha de perto as tendências digitais e os assuntos que mais repercutem no noticiário brasileiro e mundial. Curiosa e atenta aos temas que movimentam o país, escreve sobre comportamento, entretenimento, ciência, astrologia e assuntos que repercutem nas redes e no cotidiano dos leitores.
É jornalista em formação pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e atua na área esde 2022. Tem experiência em portal de notícias e assessoria de comunicação no Ceart-Udesc.
Participou de coberturas de Carnaval, Olimpíadas e das enchentes no Rio Grande do Sul. Também cobriu as Eleições 2024 pelo ND Mais, focada na produção de matérias factuais sobre o andamento do pleito em diversas cidades do Brasil.
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