A taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026 e cravou a menor marca para o período desde o início da série histórica em 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua divulgada nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado demoliu no terreno da economia real a fantasia de terra arrasada repetida pelo senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu para os Estados Unidos após as urnas confirmarem a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante toda a campanha eleitoral, o herdeiro do clã bolsonarista apostou na tese de que o país caminhava para o colapso produtivo e prometeu um corte drástico de investimentos públicos que destruiria postos de trabalho.
A realidade apurada pelo levantamento oficial caminha na direção oposta ao catastrofismo da extrema direita e mostra um mercado aquecido, com contingente inédito de cidadãos em atividade e expansão simultânea do poder de compra das famílias. Taxa de desocupação no trimestre encerrado em setembro cai a 5,2%, menor marca da série para o período desde 2012 (Arte O Cafezinho com dados do IBGE)
Ocupação histórica e recuo na fila por vagas O total de brasileiros ocupados alcançou 103,6 milhões no trimestre móvel de julho a setembro, o maior patamar já registrado na série do instituto.
Em apenas noventa dias, mais 581 mil profissionais conseguiram colocação, uma alta de 0,6%, enquanto no intervalo de doze meses o setor produtivo absorveu 1,2 milhão de novos integrantes, avanço de 1,2%. Na outra ponta da estatística, a população desocupada encolheu para 5,6 milhões de indivíduos em todo o território nacional.
O indicador representa uma queda de 4,0% frente à leitura encerrada em junho, quando o índice marcava 5,4% com 234 mil desempregados a mais, e uma retração de 6,9% na comparação com os 5,6% verificados em igual etapa de 2025, retirando 417 mil candidatos da fila por ocupação em um ano.
A distância temporal expõe o contraste direto entre os dois projetos políticos que se enfrentaram nas urnas neste mês, já que no terceiro trimestre de 2020, sob a gestão de Jair Bolsonaro, a falta de vagas havia explodido para 14,9%. Mesmo no encerramento do governo anterior, em setembro de 2022, a taxa permanecia em 8,7%, exatos 3,5 pontos percentuais acima do piso atual de 5,2% consolidado no mandato de Lula.
Salários em alta e massa salarial inédita no consumo A geração de postos veio acompanhada de valorização efetiva nos contracheques, desmentindo o argumento oposicionista de que a queda do desemprego ocorreria apenas por meio de bicos precarizados.
O rendimento médio real habitual atingiu R$ 3.790 mensais no período encerrado em setembro, valor 3,6% superior ao aferido doze meses antes, com ganho médio de R$ 131 por trabalhador acima da inflação, e 16,1% maior que os R$ 3.265 pagos na reta final de 2022. Combinado ao recorde de mão de obra ativa, o avanço remuneratório levou a massa salarial ao marco inédito de R$ 387,5 bilhões em circulação na economia nacional.
O volume total de vencimentos pagos no país cresceu 1,5% em relação ao trimestre anterior e saltou 4,7% no comparativo anual, injetando R$ 17,5 bi adicionais no comércio e nos serviços ao longo do último ciclo de doze meses. Rendimento médio mensal real habitual sobe a R$ 3.790 e massa salarial atinge recorde de R$ 387,5 bilhões (Arte O Cafezinho com dados do IBGE)
Construção civil, carteira assinada e multiplicação de empresas Entre os grandes grupamentos econômicos avaliados pelo analista da pesquisa no IBGE, William Kratochwill, o segmento da construção liderou a abertura de frentes laborais entre julho e setembro com expansão de 2,8% e ingresso de 210 mil operários e técnicos.
O número de empregadores também bateu a marca máxima da série ao atingir 4,5 milhões de dirigentes, após subir 4,3% na margem trimestral, com mais 184 mil donos de firmas, e 6,4% em um ano, somando 272 mil empreendedores que ampliam contratações. Na iniciativa privada, a fatia formal com registro em carteira manteve-se no patamar histórico de 39,4 mi de assalariados, quase 3,9 mi acima do patamar contabilizado em setembro de 2022.
O funcionalismo público reuniu 13,2 mi de servidores, alta anual de 2,5% puxada pelo recrutamento de 317 mil docentes e técnicos nas redes municipais de ensino infantil, fundamental e médio, ao passo que a taxa composta de subutilização recuou de 13,9% para 13,0% em doze meses e o grupo de desalentados caiu 6,8%.
Balança comercial de outubro completa o naufrágio bolsonarista O vigor doméstico soma-se aos números preliminares do comércio exterior divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que apontam mais uma marca robusta das contas externas.
Até a quarta semana deste mês, as exportações brasileiras atingiram US$ 29,31 bilhões, cerca de R$ 167 bi pelo câmbio atual, contra US$ 21,86 bi em compras lá fora, gerando um saldo positivo parcial de US$ 7,45 bi e expansão de 27,9% na média diária de embarques frente a igual etapa de 2025.
No acumulado do ano desde janeiro, o superávit alcançado pelo Brasil nas trocas internacionais já chega a US$ 69,84 bi, aproximadamente R$ 398 bi, um salto de 36,4% sobre o mesmo intervalo do ano passado, impulsionado por altas mensais de 55,9% na indústria extrativa, 18,9% na agropecuária e 18,4% na manufatura.
Isolado em Miami enquanto tenta sustentar um discurso golpista abandonado até por sua legenda partidária e pela diplomacia norte-americana, Flávio Bolsonaro assiste ao desmoronamento completo de sua retórica diante de uma nação que empilha recordes produtivos.
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