Qual futuro queremos construir para o Brasil?, por Volnei Carvalho Caríssimo Nassif,
A visão de Renato Meirelles nos serve como uma provocação para pensarmos o Plano Brasil XXI, que deveria orientar uma segunda campanha de salvação do Brasil. Vejamos alguns pontos.
A CLT, tal como estruturada historicamente, carrega muito do ranço do século passado. Precisamos discutir como emancipar efetivamente o trabalhador e romper os grilhões de uma tributação que pesa excessivamente sobre o trabalho.
Impostos socialmente justos deveriam incidir prioritariamente sobre a renda, o patrimônio e o lucro, e não sobre a capacidade de trabalhar e produzir. Afinal, se os mais ricos conseguem escapar da tributação, por que os mais pobres deveriam continuar arcando proporcionalmente com ela?
E o INSS? Quantos grandes desvios e fraudes já ocorreram? Não seria hora de discutir seriamente um novo modelo de proteção social, em vez de apenas remendar o sistema existente? Tomemos outro exemplo: a Reforma Agrária.
No Plano Brasil XXI, poderíamos estabelecer uma meta objetiva: em quatro anos, nenhuma família apta à produção familiar deveria permanecer sem acesso à terra produtiva. Não se trata de repetir uma reforma agrária concebida nos termos do estatuto de 1964.
Trata-se de construir uma nova arquitetura, baseada na associação entre organização social, Governo e capital privado, com crédito, tecnologia, infraestrutura, assistência técnica, mercado e segurança jurídica. Falta projeto?
E que dizer de uma ampla reforma do nosso medieval sistema penal? Mais presídios de segurança máxima? E os brasileiros hoje submetidos a condições degradantes no sistema penitenciário? Não deveríamos discutir uma política criminal que combine segurança pública, prevenção, justiça, recuperação e reinserção social?
E as chamadas “terras raras”? Sua exploração efetivamente reverterá em benefício dos brasileiros, assim como se prometeu com o pré-sal? Ou repetiremos o velho padrão de socializar os custos e privatizar os benefícios? Enfim, Nassif, talvez estejamos diante de uma questão maior.
O eleitor de que precisamos não é aquele que acredita cegamente em nossas verdades. É aquele capaz de questioná-las.
Porque uma democracia madura não deveria pedir ao cidadão que escolha apenas entre narrativas. Deveria oferecer-lhe projetos concretos de país, com metas, custos, responsabilidades e resultados verificáveis.
A pergunta, portanto, talvez não seja apenas quem vencerá a próxima eleição. É outra:
Qual futuro queremos construir para o Brasil? Um grande abraço,Volnei
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