Qual a diferença entre ano e segundo bissexto? Entenda mudanças previstas para 2027

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A expressão “bissexto”, que costuma ganhar relevância a cada quatro anos, tem reaparecido "fora de época" devido a uma mudança nos relógios prevista para 2027. Não é, no entanto, o ano bissexto que vai acabar: trata-se do fim do segundo bissexto. Mas o que cada conceito significa? Poluição atmosférica: Cingapura aponta empresas da Indonésia como responsáveis por incêndios com névoa tóxica em parte do Sudeste Asiático Entenda: Marca em osso encontrado no Iraque pode revelar ataque mortal contra um neandertal há 75 mil anos Ambos os termos estão relacionados à medição do tempo: o ano bissexto, conhecido por acrescentar um dia ao calendário, e o segundo bissexto (ou segundo intercalar), que permite ajustar a hora oficial à rotação da Terra. Apesar do nome semelhante, os mecanismos têm objetivos distintos — e é o segundo deles que está no centro de uma mudança prevista para maio do próximo ano. Por que existe o ano bissexto? O ano bissexto serve para corrigir a diferença entre o calendário civil e o tempo que a Terra leva para completar uma volta ao redor do Sol. Esse percurso dura aproximadamente 365 dias, cinco horas, 48 minutos e 48 segundos, enquanto o calendário convencional considera 365 dias. As horas que sobram se acumulam ao longo dos anos. Para compensar essa diferença, o calendário gregoriano acrescenta um dia a fevereiro, que passa de 28 para 29 dias, em regra, a cada quatro anos. A regra tem uma exceção: anos divisíveis por 100 só são bissextos se também forem divisíveis por 400. Por isso, 2000 foi bissexto, mas 1900 não foi. Como 2024 foi o último ano bissexto, o próximo será 2028.

O que é o segundo bissexto? O segundo intercalar — também chamado de segundo bissexto — é um ajuste na hora oficial mundial. Ele existe porque a rotação da Terra não tem velocidade perfeitamente constante, enquanto os relógios atômicos mantêm uma medição extremamente precisa do tempo. A referência internacional conhecida como Tempo Universal Coordenado (UTC) é calculada a partir de relógios atômicos. Para evitar que ela se distancie muito do tempo determinado pela rotação terrestre, segundos extras foram acrescentados à contagem quando necessário. Desde 1972, foram inseridos 27 segundos intercalares. O último foi adicionado em 31 de dezembro de 2016. Diferentemente do dia extra do calendário, esse ajuste não segue uma frequência fixa: depende da diferença observada entre os dois sistemas de medição.

O que vai mudar em 2027? A mudança prevista para maio de 2027 busca eliminar a necessidade de acrescentar segundos intercalares à hora oficial. A proposta foi discutida internacionalmente por causa das dificuldades técnicas provocadas por esses ajustes em sistemas digitais que exigem sincronização precisa. Em 2012, a inclusão de um segundo extra provocou problemas em serviços como Reddit e LinkedIn e no sistema de reservas da companhia aérea Qantas. Em 2016, falhas relacionadas ao ajuste também afetaram serviços de computação em nuvem.

Com a nova regra, a diferença entre a hora oficial e o tempo astronômico poderá crescer gradualmente, em vez de ser corrigida com a inserção periódica de segundos. A proposta estabelece um limite de uma hora para essa divergência, que pode levar mais de 3 mil anos para ocorrer.

A mudança não significa que os anos bissextos deixarão de existir. O ajuste do calendário continuará necessário para manter os meses alinhados às estações do ano. A alteração diz respeito apenas à maneira como o tempo oficial é sincronizado com a rotação terrestre. Para a população, a transição não deve provocar mudanças perceptíveis no uso cotidiano de relógios, celulares ou computadores. Os principais efeitos serão sentidos nos bastidores, em sistemas de navegação, telecomunicações, operações financeiras e outras infraestruturas que dependem de registros precisos de tempo.

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