“Iris”, o monumental quadro pintado por Claude Monet no final de sua vida, tornou-se a obra de arte mais cara já vendida na França, ao ser arrematada por 50 milhões de euros (cerca de R$ 283 milhões) nesta quinta-feira, em Paris. A sala de leilões da Sotheby’s ficou em suspense durante cerca de 45 minutos de disputa entre compradores por telefone.
Esta tela do mestre do impressionismo foi apresentada ao público pela primeira vez no âmbito do leilão de uma coleção da família Schlumberger. A pintura, com 1,60 metro de altura por 1,80 metro de largura, nunca havia saído da mansão da família Schlumberger em Paris e só era conhecida por meio de uma fotografia em preto e branco.
Foi adquirido por Jeanne Schlumberger (1889-1983), “uma brilhante colecionadora de arte”, diretamente da família do pintor, segundo Thomas Bompard, codiretor do departamento de Arte Moderna e Contemporânea da Sotheby’s França. “Iris” tinha uma estimativa entre 22 e 30 milhões de euros, ou seja, “a estimativa mais alta já atribuída a uma pintura apresentada em leilão na França”, havia destacado a Sotheby’s durante a apresentação do leilão em setembro.
A pintura de íris pertencente aos Schlumberger é considerada uma obra-prima dos últimos anos de Monet. Foi pintada entre 1924 e 1925 em sua casa em Giverny, nos arredores de Paris, onde o artista criou sua célebre série de nenúfares.
Schlumberger sempre se recusou a emprestar a pintura de íris para exposições e a manteve em sua residência particular na margem esquerda do Sena, em Paris. Essa decisão ajudou a preservar a obra em estado “milagroso”: a pintura permaneceu intacta, sem verniz e sem reentelamento — uma condição rara para uma obra desse porte, afirmou Thomas Bompard, codiretor da área de arte moderna e contemporânea da Sotheby’s na França, responsável pelo leilão.
O recorde anterior para uma pintura de Monet com íris era de £ 10,8 milhões, ou US$ 17,1 milhões na época, alcançado em um leilão da Christie’s em Londres, em 2015. Seja com suas famosas nenúfares, suas paisagens rurais ou suas vistas de Veneza, Paris ou Londres, as telas do pintor francês (1840-1926) costumam agitar as salas de leilão em todo o mundo.
Uma representação de “Meules” em um campo, de Claude Monet, foi arrematada por US$ 110,7 milhões em 2019, em Nova York, recorde para uma obra do impressionista. A venda de Íris ocorreu em um momento em que o mundo da arte comemora o centenário da morte de Monet, com exposições especiais, sobretudo no Musée de l’Orangerie, em Paris, que abriga suas famosas pinturas de nenúfares.
Schlumberger sempre se recusou a emprestar a pintura de íris para exposições e a manteve em sua residência particular na margem esquerda do Sena, em Paris. Essa decisão ajudou a preservar a obra em estado “milagroso”: a pintura permaneceu intacta, sem verniz e sem reentelamento — uma condição rara para uma obra desse porte, afirmou no mês passado a jornalistas Thomas Bompard.
As pinturas de Monet desse período estão hoje entre as mais procuradas do mercado. Segundo Bompard, Schlumberger se interessava por elas pelos elementos contemporâneos e abstratos, e não tanto pelos traços impressionistas pelos quais Monet é conhecido.
Outras três obras de Monet foram vendidas hoje em leilões organizados pela casa, entre elas "Salgueiro-Chorão", vendida por 9,6 milhões de euros (R$ 54,26 milhões), e "O Sena em Vernon", por 4,2 milhões (R$ 23,74 milhões)
O Globo