O senador e general da reserva do Exército Hamilton Mourão (Republicanos-RS) classificou como “pura ação política” a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira (28), depois que o senador chegou aos Estados Unidos. No texto, Flávio contesta o resultado da eleição presidencial.
Questionado se a carta tinha tom de golpe, Mourão respondeu em entrevista à Folha de S.Paulo: “Golpe tem de ter apoio, e ele não existe”. Mourão foi vice-presidente no governo de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022, e foi eleito senador em 2022.
Ele não participou da campanha de Flávio, derrotado no domingo (25) pelo presidente Lula (PT), reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%. Na entrevista, o general também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, que atendeu a um pedido da Polícia Federal e determinou a apreensão dos passaportes de Flávio.
“Que existe arbítrio por parte do Alexandre de Moraes não tenho a menor dúvida”, disse. Sobre a possibilidade de fraude na eleição, Mourão afirmou que ela deveria ser investigada “dentro do possível”.
“Quanto ao resto, é pura ação política”, completou. Na noite de domingo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou em pronunciamento que uma decisão do ministro Cristiano Zanin não causou nenhuma alteração na contagem dos votos.
A carta teve mais de uma versão. Em uma delas, Flávio se declarava o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
No texto publicado no X, a expressão foi trocada por “líder do Brasil”. Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), num trajeto que passou pela Argentina e pelo Equador, e desembarcou em Miami na manhã desta quarta, com a mulher e as duas filhas.
A carta foi divulgada poucas horas depois. Para Mourão, é muito difícil que Flávio lidere a direita estando fora do país.
O general disse que é preciso aguardar os próximos passos do senador. © Jornal Razão.
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