O vereador de Lages Jonata Mendes (PRD) divulgou nas redes sociais um vídeo do policial rodoviário federal Carlos Magno Cruz Junior, de 52 anos, natural de Lages, comemorando a vitória de Lula (PT) na noite de domingo (25). Segundo o vereador, Magno é o policial afastado das funções por ordem da Justiça na terça-feira (27), na Operação Milão, da Polícia Federal.
Nas imagens, publicadas no perfil dele e gravadas no meio de uma multidão com bandeiras vermelhas, Magno fala em “momento histórico”, diz que é o aniversário dele e agradece ao “povo brasileiro, por esse presente”. Em seguida, grita “Viva o Brasil, viva a democracia!”.
Ele completou 52 anos no domingo, dia do segundo turno. No Instagram, se apresenta como engenheiro e gestor público, com 32 anos na PRF.
Magno já disputou duas eleições. Em 2024, foi candidato a vereador de Lages pelo MDB e ficou como suplente.
Neste ano, concorreu a deputado estadual pelo PDT e recebeu 592 votos, segundo a Justiça Eleitoral. “Um policial rodoviário federal, um servidor público, que deveria fiscalizar, é suspeito de receber dinheiro para autorizar a retirada ilegal de madeira em áreas da União”, diz Jonata no vídeo em que expõe o caso.
O vereador também afirma que é o mesmo policial que multou manifestantes nos acampamentos de Lages, em 2022. Após a operação, o policial citado desativou as redes sociais.
O Jornal Razão tentou contato com ele, mas não foi possível obter retorno. Segundo o delegado Pedro, coordenador da operação, a investigação começou em outubro de 2024, com a prisão em flagrante de um homem que retirava madeira de uma área da União.
Levado à Polícia Civil, ele disse que tinha uma autorização dada por um agente público federal. O documento não tinha validade, e o caso foi para a Polícia Federal.
“Identificou-se que, em verdade, essa autorização não teria validade nenhuma, não era uma autorização concedida por um órgão competente, e sim por um agente público federal que estaria recebendo valores pra conceder essas autorizações”, disse o delegado. A investigação também encontrou notas fiscais falsas, usadas para “esquentar” a madeira retirada ilegalmente, que seguia para madeireiras da região de Lages.
A PF ainda não sabe quanto foi extraído nem o tamanho do dano ambiental. Cerca de 50 policiais federais, entre eles uma equipe tática do Grupo de Pronta Intervenção, cumpriram dez mandados de busca e apreensão em Lages, Ponte Alta, Curitibanos e São Cristóvão do Sul.
Ninguém foi preso. A Justiça determinou o afastamento cautelar do policial rodoviário federal, e a Corregedoria da PRF participou das buscas.
“A Polícia Federal atua sempre com rigor técnico, com imparcialidade e com base em elementos de prova, independentemente da função ou do cargo ocupado pelos investigados”, afirmou a PF na entrevista sobre a operação. O espaço está aberto para manifestação da defesa do policial e da Polícia Rodoviária Federal.
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