A psicóloga Mara Suassuna disse ter sido procurada por empresários que pediram a contratação de novos funcionários após o resultado das eleições. A goiana viralizou nas redes sociais ao dizer que não selecionava candidatos "petistas" para vagas de emprego.
Segundo ela, os clientes entraram em contato para substituir empregados com essa orientação política por outros, alinhados à direita. Nesta segunda, no dia seguinte à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial, Mara destacou que a exigência não tem a ver com ideologia partidária, mas sim, com "valores".
Ela disse ter uma empresa que atua nas áreas de prospecção, recrutamento e seleção de candidatos e ter recebido esse novo direcionamento de triagem. — Hoje eu recebi vários telefonemas, várias mensagens de clientes meus, de empresários que têm nas suas empresas, inclusive pedindo para selecionar novos colaboradores, cujo critério passa por não ser petista — contou ela no vídeo.
Mara ainda destaca que candidatos de fora desse alinhamento seriam "laranjas podres", embora o Código de Ética Profissional da Psicologia proíba atuantes na área de "induzir convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito no exercício de suas funções profissionais".
A legislação trabalhista também veda a discriminação na contratação de empregados e prevê sanções econômicas para limitações abusivas no acesso a trabalho. Em nota enviada ao g1, a psicóloga afirmou sua fala tem base numa teoria do colega de profissão Shalom H.
Schwartz, sobre valores básicos do ser humano e escolhas de comportamento. Ela argumentou que o alinhamento — de "valores", não necessariamente "político" — entre funcionário e empregador é determinante para os resultados organizacionais.
"Onde não existe compartilhamento de valores, de missão, não tem resultados. Então não é uma questão apenas de ideologia.
Não dá para contratar um funcionário que não tenha os valores que são os valores da minha empresa", afirmou. O Ministério Público do Trabalho (MPT) disse ter obtido na Justiça do Trabalho 52 decisões liminares para combater o assédio eleitoral e garantir aos trabalhadores o direito ao voto livre.
As liminares foram concedidas, segundo o órgão, em 59 ações civis públicas ajuizadas pela instituição. Até as 23h59 do último domingo (26), a instituição destacou ter recebido 1.937 denúncias sobre o tema relacionadas às eleições deste ano.
O estado de São Paulo tem o maior número de reclamações (350), seguido por Minas Gerais (212) e Rio de Janeiro (169). Entre o primeiro e o segundo turnos, a instituição registrou 946 queixas.
A atuação do MPT levou à assinatura de 53 termos de ajuste de conduta.
O Globo