JOTA Principal | Esplanada no governo Lula 4 deve refletir ascensão de nomes com protagonismo na campanha

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Após a campanha do PT passar por mudanças profundas entre a derrota no primeiro turno e a virada, Lula e seus principais aliados discutem a montagem de um governo que reflita também a ascensão de nomes que tiveram papel na vitória. Os mais citados são o do governador reeleito do Piauí, André Fonteles, e o de Camilo Santana, que foi ministro da Educação no atual mandato e coordenou a campanha no segundo turno.

Outra ala importante é o cordão dos sem mandato, como Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Paulo Pimenta, no PT, e o ex-prefeito do Recife e presidente do PSB, João Campos. Leia a análise de Fabio MuraKawa com colaboração de Fábio Pupo na nota de abertura.

O PL voltou atrás e reconheceu a vitória adversária, em nota assinada por Valdemar Costa Neto. E no próprio domingo (25), após o resultado das urnas, o ministro Alexandre de Moraes mandou suspender os passaportes de Flávio Bolsonaro, que foi intimado pela Polícia Federal e criticou a decisão ontem (26).

Paula Bonelli colaborou nesta edição. Boa leitura.

O PONTO CENTRAL 1.

⏩ Pela frente Vencida a eleição, Lula e seu entorno começam a esboçar o que será o governo em seu quarto mandato, Fabio MuraKawa escreve no JOTA PRO Poder.

As conversas ainda estão em estágio inicial e tendem a demorar, já que o presidente deve ouvir muita gente e não tem razão para pressa. Por que importa: Os primeiros sinais de bastidores indicam o fortalecimento de lideranças do PT do Nordeste e uma tendência a que aliados de outros partidos da esquerda e do centrão mantenham o espaço relativamente reduzido que ocuparam na Esplanada nos últimos quatro anos.

Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí e fundamental nas mudanças na campanha de Lula no segundo turno, vem crescendo na lista de cotados para integrar a nova Esplanada. Segundo fontes do governo, ele tem demonstrado o desejo de assumir o Ministério da Fazenda.

Antes de ser governador, Fonteles foi secretário da Fazenda do Piauí, entre 2015 e 2022, e presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários da Fazenda). Essas credenciais, no entanto, não parecem impressionar o mercado.

Os rumores sobre sua possível indicação foram incapazes de conter os bruscos movimentos realizados nos pregões de hoje, com o dólar disparando e as ações desmoronando por conta do resultado da eleição presidencial. A reação negativa do mercado alimenta as expectativas sobre uma eventual mudança de rumo na política econômica.

Enquanto isso, o atual ministro, Dario Durigan, busca fazer acenos para reforçar o compromisso do governo com as contas públicas. Ele já era uma das vozes do governo que mais defendiam, mesmo com a aproximação da campanha, que um ajuste fiscal seria necessário.

O problema é convencer Lula, que é quem definirá a política econômica. Segundo fontes do governo, a permanência de Durigan no cargo não é o cenário mais provável.

O presidente demonstrou sucessivas vezes contrariedade ao discurso fiscal — preferindo a tese de que o país precisa crescer para que a relação entre dívida e PIB caia. O senador Camilo Santana, que ajudou seu afilhado político Elmano de Freitas a se reeleger em uma difícil disputa no Ceará antes de se tornar coordenador da campanha de Lula no segundo turno, é um dos favoritos para assumir a Casa Civil.

Alguns interlocutores no Planalto, no entanto, não acreditam que Lula coloque um “presidenciável” à frente do ministério que chefia todas as demais pastas logo no início do quarto mandato. Isso daria uma indicação clara de favoritismo do presidente para sua sucessão.

Há ainda o desejo de Rui Costa de retornar ao posto que ele deixou no início do ano para concorrer ao Senado. Camilo já manifestou o desejo, além disso, de retornar ao Ministério da Educação, pasta com um dos maiores orçamentos da Esplanada e com muitas entregas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, também cotado para a Fazenda, é visto hoje como um dos favoritos para substituir José Múcio na Defesa. Dentro ou fora do posto, dizem interlocutores do presidente, Alckmin deverá ter um protagonismo maior no governo.

Ele também é visto como um possível sucessor de Lula, caso o presidente entenda que um nome fora do PT tenha mais condições de manter o campo da esquerda no poder na próxima eleição presidencial. 🗣️ Outros nomes para a Esplanada:

Lula sinalizou que manterá Alexandre Padilha à frente do Ministério da Saúde — outra indicação de que aliados de outros partidos dificilmente ocuparão postos-chave no Lula 4. Das pastas com mais recursos para gastar, o MDB deve manter o Ministério das Cidades, cujo titular até abril deste ano foi Jáder Filho, eleito deputado federal pelo Pará.

Há especulações sobre uma possível indicação de um nome do centrão para a Secretaria de Relações Institucionais, sendo o ex-ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o nome mais citado. Porém, o atual ministro José Guimarães tem boa relação com Hugo Motta e Davi Alcolumbre, pretende ficar no posto e não há indícios de que Lula queira substituí-lo.

O ex-prefeito de Recife e atual presidente do PSB, João Campos, também deve ganhar um ministério, mas ainda não se sabe qual. Outros aliados de Lula, dentro e fora do PT, que perderam as eleições também são candidatos, como Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta e Randolfe Rodrigues.

O “general” do Exército do Lula, André Janones, também tem sido citado como possível ministeriável. Cargo mais óbvio para ele seria a Secretaria-Geral, hoje ocupada por Guilherme Boulos, também visto por Lula como um possível sucessor.

Há quem diga que ele poderia assumir a Secom, que ficará vaga com a provável saída de Sidônio Palmeira. O mais provável, porém, é que Janones permaneça deputado, desta vez com uma proximidade maior e um contato mais próximo com o presidente.

Interlocutores afirmam que está sendo pensado um formato de live semanal entre Lula e Janones, depois que o petista se convenceu de que precisa ter um contato mais direto com o público, sem a interlocução da imprensa, a exemplo do que fazia Jair Bolsonaro. UMA MENSAGEM DO JOTA

‘Fórum JOTA: Visão 2030’ encerra a agenda política do ano Pelo terceiro ano consecutivo, o JOTA encerra a agenda política do ano com o evento Fórum JOTA, que neste ano discutirá a visão de futuro do Brasil até 2030.

O evento será promovido em 3 de dezembro, em Brasília, e recebe 150 convidados, entre gestores públicos, executivos de grandes empresas e membros do Judiciário. O Fórum terá transmissão ao vivo no canal do JOTA no YouTube e a cobertura chega a todos os nossos canais, com reportagens, vídeos, newsletters e redes sociais.

A programação será divulgada em breve. Empresas interessadas em estar no centro desse debate podem patrocinar o evento.

Conforme a modalidade de patrocínio, a organização tem espaço de fala na programação, momento de diálogo entre stakeholders, convites e exposição de marca. Conheça as oportunidades de patrocínio aqui.

2. Qual lição o PT vai tirar?

Lula beija a mão de apoiadora em ato na avenida Paulista, no sábado (24/10) / Crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação Lula precisa corrigir erros políticos que marcaram o atual mandato para cumprir a promessa de mudar o jeito de governar o país, Beto Bombig escreve em sua coluna no JOTA.

Após 2022, o presidente e o PT ignoraram a necessidade de dialogar com o centro e se fecharam na esquerda, o que acabou custando a derrota no primeiro turno deste ano. 🔭 Panorama: Foi só no segundo turno, empurrado por setores médios da sociedade, que o governo voltou a caminhar rumo ao centro democrático.

Entre os erros capitais, está o desprezo pela “frente ampla”ao dar ministérios secundários ao vice, Geraldo Alckmin, e a Simone Tebet, além de priorizar o PT no Planalto e negociar mal com o Centrão. Ao alimentar a polarização e ignorar os alertas das urnas, a exemplo da derrota na capital paulista em 2024, o PT acabou fortalecendo a extrema-direita e ficando isolado.

O atual governo federal não se aproximou dos evangélicos, da cadeia do agronegócio, dos pequenos empreendedores e dos brasileiros sedentos por mais segurança nas ruas. O radicalismo da esquerda isolou a comunicação do governo em uma bolha, atingindo o centro e a classe média apenas em momentos de crise com o Congresso.

O ponto principal é qual lição Lula e o PT tirarão desta vitória. Se atribuírem o resultado apenas ao partido, nada mudará…

…mas, se reconhecerem a força da classe média, isso será o ponto de partida para a mudança. 3.

Antes tarde do que nunca O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, recebe representantes do Carter Center, que atuaram como observadores da eleição brasileira / Crédito: Beto Barata/PL

O Partido Liberal reconheceu ontem (26) o resultado do segundo turno das eleições, Mariah Aquino registra no JOTA. A nota, assinada por Valdemar Costa Neto, critica a “ampliação excessiva dos gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação”.

O texto destaca o desempenho da sigla nas urnas (121 deputados federais, 29 senadores, 229 deputados estaduais e distritais e 6 governadores). A nota marca uma mudança de postura do partido de Flávio Bolsonaro, que afirmou que pediria a anulação do pleito.

“Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo TSE, mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático.” 🔖 Leia também:

EDITORIAL: Flávio Bolsonaro deve honrar a República e aceitar o resultado das urnas 4.

Além da queda, o coice Flávio Bolsonaro ao lado de aliados, como o deputado Nikolas Ferreira e o governador eleito do Rio, Douglas Ruas, em discurso no domingo (25/10) / Crédito: Frederico Brasil/The News 2/Estadão Conteúdo

O senador Flávio Bolsonaro disse ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar os seus passaportes, ontem (26), quando deixava a casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, Marianna Holanda e Flávia Maia escrevem no JOTA. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal, mandou cancelar todos os passaportes do candidato derrotado à Presidência, segundo o JOTA apurou.

🔭 Panorama: Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro em dois inquéritos no Supremo. Em um deles, é suspeito de lavagem de dinheiro, assim como seu amigo Willer Tomaz, com quem está proibido de se comunicar.

O JOTA apurou que foi nos autos dessa investigação que a decisão foi tomada. A Procuradoria-Geral da República não foi consultada previamente pelo ministro sobre a apreensão do passaporte de Flávio.

No outro inquérito, Flávio Bolsonaro é investigado por ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. De acordo com o senador, a decisão de Moraes se baseou numa fala de Eduardo Bolsonaro, em 23 de outubro, de que o irmão deveria deixar o país se perdesse a eleição.

“Essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio resultado da eleição”, disse Flávio. “Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma cosia? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua?”, questionou.

“Eu vou entregar meus passaportes e vou me defender essa aberração.” 🔖 Leia também:

O que acontece com Flávio Bolsonaro sem foro privilegiado? 5.

Segue o baile Hugo Motta e Davi Alcolumbre concedem entrevista coletiva no Senado / Crédito: Pedro Gontijo/Agência Senado

Com o fim das eleições, o Senado retoma votações pendentes, Maria Eduarda Portela escreve no JOTA PRO Poder. A agenda até o fim do ano legislativo ainda não foi apresentada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Veja os principais temas que aguardam definição no Senado: A PEC da Segurança Pública recebeu emenda do Rogério Marinho propondo baixar a maioridade penal de 18 anos para 16 em geral e 14 anos em crimes hediondos, enquanto a emenda do Camilo Santana sugere 16 anos apenas para crimes hediondos.

A nova indicação para o STF após a rejeição de Jorge Messias. Nos bastidores, o atual ministro do TCU, Rodrigo Pacheco, volta a ser cotado com o apoio de Alcolumbre.

Para ajustar a transição do fim da escala 6×1, os líderes Eduardo Braga (MDB) e o relator no Senado Omar Aziz (PSD) querem criar uma PEC paralela com regras específicas para cada setor. A PEC do Suas (Sistema Único de Assistência Social) preocupa a equipe econômica ao vincular 1% das receitas da União e estados à assistência social, com impacto previsto de R$ 9 bilhões por ano.

A PEC da Autonomia do Banco Central (PEC 65/2023) segue parada com o relator Plínio Valério. A Fazenda tenta negociar um novo texto para evitar o risco de colapso de serviços como o Pix.

O projeto do piso salarial de médicos e dentistas (PL 1.365/22) prevê o salário de R$ 13.662 para 20 horas semanais. O governo vê a medida como pauta-bomba pelo impacto de R$ 8,4 bilhões por ano, e Alcolumbre avisa que só pauta novos pisos após negociar com os líderes.

6. Fim

Urna eletrônica mostra tela final em demonstração promovida pelo TRE-DF / Crédito: Valter Campanato/ Agência Brasil A análise dos logs oficiais das urnas eletrônicas, disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral e atualizados até as 12h40 de ontem (26), mostra que 34.330 votos, ou 0,03% do total, foram registrados depois das 17h, Daniel Marcelino escreve no JOTA.

Desse conjunto, 5.469 votos, equivalentes a 15,9%, foram dados por eleitores habilitados sem biometria. Antes das 17h, essa proporção foi de 12,4%.

O resultado é pequeno em volume, mas permite examinar a questão com precisão. Os logs públicos das urnas eletrônicas permitem responder a duas perguntas: quantos votos foram registrados depois das 17h e quantos desses eleitores foram habilitados sem biometria.

O dado é baseado na análise de 497.895 das 497.897 seções eleitorais do país, excluído o exterior.

Publicação Original Portal Jota jota.info
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