Província de Alberta vota hoje para decidir se permanece como parte do Canadá ou se vai se separar do país

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os mais de 5 milhões de habitantes da província de Alberta, no oeste do Canadá, votam nesta segunda-feira para decidir se a província permanece como parte do país ou se preferem que ocorra o processo de referendo de separação. A votação acontece depois que uma petição sobre o assunto reuniu mais de 300 mil assinaturas a favor. Além da separação, os eleitores também respondem sobre imigração e questões constitucionais da província. Segundo as autoridades eleitorais, o resultado deve ser divulgado nas primeiras horas de terça-feira. Leia mais: Movimento separatista, petróleo e Trump: por que Alberta, província rica do Canadá, se tornou centro de discussões Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países Como será a votação? Na votação, os moradores vão responder a dez perguntas em cédulas com diferentes cores para cada pergunta. Entre elas, estará: "Alberta deve permanecer uma província do Canadá ou o Governo de Alberta deve iniciar o processo legal exigido pela Constituição Canadense para realizar um referendo provincial vinculativo sobre se Alberta deve ou não se separar do Canadá?".

O gabinete da primeira-ministra explicou à emissora britânica BBC que os eleitores terão duas opções de resposta: Opção A, em que Alberta permanece vinculada ao Canadá; e, Opção B, que consiste em iniciar o processo legal para realização de um referendo de separação. Localização de Alberta no mapa do Canadá Reprodução Durante a votação, os eleitores também vão responder outras nove questões que abordam temas como imigração, questões constitucionais e o acesso de residentes não permanentes a serviços públicos, como saúde. O objetivo é medir o interesse e apoio da população em medidas que dão mais autonomia à província.

Na área da imigração, os eleitores vão responder sobre a ampliação do controle provincial diante da entrada de imigrantes, a redução da imigração para níveis "mais sustentáveis" e a criação de uma lei que exija prova de cidadania para que a pessoa possa votar nas eleições. Sobre a constituição, as propostas incluem eleição de juízes provinciais e criação de um Senado eleito. Atualmente, os senadores canadenses são nomeados pelo governador-geral mediante recomendação do primeiro-ministro. Contexto: UE abre caminho para o Canadá se tornar 'membro associado' e propõe criação de Conselho de Segurança Europeu Após a votação, as cédulas serão contadas manualmente a partir das 20h, no horário local. E a autoridade eleitoral tem 48 horas para concluir a apuração. As cédulas da pergunta referente à separação serão as primeiras a serem contabilizadas. Segundo a autoridade eleitoral de Alberta, os resultados devem ser divulgados nas primeiras horas da terça-feira.

Os moradores apoiam a independência? Um levantamento realizado pelo instituto Leger, divulgado em outubro, indicou que 70% dos moradores desejam manter Alberta como província do Canadá. Enquanto pouco mais de 20% apoiariam o início do processo legal para a realização de referendo sobre a separação. Outros 7% estavam indecisos.

Outra pesquisa, realizada em setembro pela Janet Brown Opinion Research para a emissora CBC, apontou 72% de apoio à permanência e 23% à separação, com índices ligeiramente mais elevados entre homens e moradores de áreas rurais. Entretanto, apesar da falta de apoio majoritário nas pesquisas, alguns analistas apontam a possibilidade de uma surpresa semelhante ao Brexit, quando a votação pela saída do Reino Unido da União Europeia contrariou as pesquisas. Além disso, nos últimos meses, um grupo de moradores realizou algumas reuniões públicas em diversas cidades para medir o interesse da população, e conseguiram reunir mais de 300 mil assinaturas em uma petição popular pela separação.

No entanto, a iniciativa foi barrada pela Justiça de Alberta. Pois, de acordo com um juiz, a coleta das assinaturas para um possível referendo separatista por meio de uma lei de petições populares, deixou de considerar as comunidades indígenas das Primeiras Nações, que teriam seus territórios afetados. 'Deveria ser grato': Trump diz que Canadá só 'vive graças aos EUA' ao criticar discurso de premier Carney em Davos Enquanto isso, outro grupo liderado pelo ex-vice-primeiro-ministro Thomas Lukaszuk, também conseguiu reunir mais de 400 mil de assinaturas para uma campanha contrária chamada "Forever Canadian", de acordo com a BBC. Em maio deste ano, a primeira-ministra Smith afirmou estar "profundamente preocupada" com a decisão judicial e disse que não permitiria que “um único juiz silenciasse as vozes de centenas de milhares de habitantes de Alberta”. Ela informou que seu governo recorreu da decisão, mas argumentou que “adiar a questão apenas prolonga um debate muito emocional e importante”. O que acontece depois? Após a confirmação da consulta popular sobre a soberania de Alberta, a província canadense entra oficialmente em um período de cinco meses de campanha, em que os grupos favoráveis e os contrários à independência vão tentar convencer os eleitores sobre o futuro da região. A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, já declarou que fará campanha pela permanência da província no Canadá. Pois, embora reconheça que algumas das reclamações apresentadas pelos movimentos separatistas sejam legítimas, Alberta tem, segundo ela, obtido avanços relevantes nas negociações com o governo federal, especialmente em temas ligados ao setor energético, como projetos de oleodutos. 'Sem estar à mesa, você é o menu': Discurso do premier canadense em Davos repercute ao pedir união de potências médias após ruptura de ordem mundial O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defende a integração nacional enquanto busca consolidar o país como uma "superpotência energética". Em maio, Carney afirmou que Alberta desempenha papel fundamental nesse projeto. E o líder conservador da oposição, Pierre Poilievre, bastante popular em Alberta e criado em Calgary, também afirmou que seu partido fará campanha pela unidade do país. Por outro lado, Jeffrey Rath demonstrou frustração com a forma com que a pergunta escolhida por Smith foi formulada, alegando que ela deveria ser um simples “ficar ou sair”. E ameaçou criar uma votação contra a liderança de Smith dentro do Partido Conservador Unido de Alberta. “Que se danem os 301.620 habitantes de Alberta que receberam a promessa de votar na questão que apresentaram”, escreveu ele nas redes sociais, acrescentando: “Danielle Smith acabou de perder sua base.” Tecnologia: Primeiro-ministro do Canadá defende criação de órgão global para supervisionar IA As Primeiras Nações de Alberta também criticaram a decisão de realizar a consulta apesar da decisão judicial, classificando-a como “antidemocrática” e “autoritária”.

Caso os eleitores apoiem o avanço do processo de separação, Smith afirmou que isso dará início a um procedimento legal para realizar um referendo vinculante, o que exigiria uma série de etapas adicionais. Ela também afirmou que, caso seja aprovado, o referendo ocorrer já em 2027. Quem são os separatistas e o que eles querem? O movimento tem raízes na chamada “alienação do oeste”, expressão usada há décadas para descrever a percepção, comum em algumas províncias do oeste canadense, de que elas são frequentemente ignoradas ou sub-representadas pelos políticos federais.

Os líderes são Mitch Sylvestre, proprietário de uma loja de armas na cidade de Bonnyville, e Jeffrey Rath, advogado baseado em Calgary. Ambos integram o grupo "Alberta Prosperity Project", que alega que o crescimento econômico da província foi prejudicado pelos governos liberais de Ottawa. Eles também argumentam que Alberta contribui mais para a economia canadense do que recebe, além de ser fortemente influenciada por Ottawa em assuntos internos.

Veja: Ilha ‘fantasma’ aparece e desaparece em reservatório no Canadá; o que se sabe Os integrantes do movimento também criticam as politicas ambientais que, segundo eles, dificultam a construção de oleodutos e a exploração de recursos energéticos da província, que é tradicionalmente conservadora e rica em petróleo.

Entretanto, os separatistas também descordam entre si. Em uma reunião pública realizada no ano passado, alguns disseram à BBC que gostariam de usar a ameaça de independência apenas para pressionar Ottawa. Enquanto outros defendem efetivamente a separação da província. Rath declarou à BBC que acredita que Alberta tem mais afinidades culturais com partes dos Estados Unidos do que com o restante do Canadá. Ele chegou a viajar a Washington no que chamou de "missão de levantamento de informações", em que se reuniu acompanhado de outros separatistas com integrantes do governo Trump para avaliar se os EUA apoiam uma Alberta independente com uma linha de crédito. Rath nunca revelou publicamente com quais autoridades do governo americano se encontrou.

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