Programa Mundial de Alimentos corta ajuda a 500 mil palestinos na Faixa de Gaza por falta de verbas

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O Programa Mundial de Alimentos (PMA), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), anunciou que a grave escassez de recursos financeiros está forçando a aplicação de cortes significativos em suas operações de assistência humanitária na Faixa de Gaza, o que deixará cerca de 500 mil pessoas sem o apoio alimentar mensal em um território onde dois terços dos habitantes enfrentam sérias dificuldades para obter comida suficiente, segundo reportagem da Reuters.

Diante do déficit orçamentário, a entidade informou que está reduzindo o contingente de beneficiários de sua assistência mensal de 1,6 milhão para 1,1 milhão de pessoas. Além da redução no número de atendidos, as rações alimentares destinadas à população foram cortadas pela metade, a assistência financeira em dinheiro foi suspensa para 75 mil famílias e o volume de refeições quentes distribuídas diariamente para aqueles que não possuem condições de cozinhar caiu de 250 mil para 150 mil. Com essa restrição, diversas famílias localizadas em áreas de difícil acesso passam a receber uma refeição quente apenas a cada dois dias.

A dimensão da crise alimentar no território é alarmante. De acordo com o PMA, cerca de 1,4 milhão de pessoas — valor correspondente a dois terços de toda a população de Gaza — enfrentam níveis graves de insegurança alimentar enquadrados como crise ou situação ainda pior, existindo aproximadamente 200 mil pessoas em estado de emergência extrema.

O cenário de escassez ocorre em meio a um contexto político e militar estagnado. O cessar-fogo em Gaza, mediado pelos Estados Unidos no ano passado, estabelecia a eventual reconstrução do enclave. No entanto, registra-se escasso avanço na implementação efetiva de um acordo para encerrar o conflito, o qual abrange cláusulas para o desarmamento do grupo Hamas e a retirada total das tropas israelenses.

A situação no terreno permanece dramática, conforme relatos dos próprios dirigentes da agência internacional. “Já faz um ano desde o acordo deste cessar-fogo. Bem, a vida ainda é brutal aqui. Não há abrigo adequado… Não há serviços básicos. Não há segurança, nem proteção”, disse o diretor-executivo interino do PMA, Carl Skau, à Reuters em Gaza. O dirigente expressou preocupação com o impacto imediato das reduções orçamentárias diante da degradação das condições climáticas: “esses cortes estão ocorrendo justamente quando estamos enfrentando o quarto inverno. Sabe, já passei pelos invernos aqui, que são absolutamente brutais”, acrescentou ele.

Para assegurar o funcionamento mínimo das ações de socorro, a organização internacional calculou que necessita urgentemente de US$ 450 milhões ao longo dos próximos seis meses para manter operações essenciais tanto na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia ocupada por Israel. Carl Skau fez um apelo direto à comunidade internacional por ajuda financeira: “dizemos ao mundo que agora não é hora de desviar o olhar. Este é o momento de nos mobilizarmos para manter esse apoio, para proteger o progresso que foi alcançado, mas também para impulsionar uma recuperação rápida”, disse Skau.

Atualmente, as forças militares israelenses mantêm o controle de mais de 60% do território e realizam ataques aéreos quase diariamente. Por outro lado, o Hamas administra a maior parte da área onde residem mais de dois milhões de palestinos, que vivem predominantemente em abrigos temporários e dependem de suprimentos de ajuda considerados inadequados pelas agências de assistência humanitária.

A decisão da agência da ONU gerou forte reação no território. O escritório de imprensa do governo de Gaza, administrado pelo Hamas, classificou o anúncio do PMA como “catastrófico” e alertou que a medida pode acelerar o processo de fome generalizada no enclave, cobrando o envio imediato de mais recursos para que as organizações de socorro evitem o agravamento da tragédia.

Na ponta final do atendimento, os moradores do enclave relatam desespero diante da perda da ajuda. “Além das circunstâncias e da vida difícil, vocês querem tornar tudo ainda mais difícil para nós”, disse a palestina Sabrine Kuhail, ao lado de uma barraca em um local de acolhimento no campo de refugiados de Nuseirat, na região central da Faixa de Gaza. A moradora desabafou sobre o impacto acumulado dos anos de hostilidades: “vocês nos deixaram com fome por três anos com a guerra, a destruição, o cerco e o derramamento de sangue que não para. O que vocês querem de nós? Chega, chega, estamos cansados”.

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