O escritório de Flavia Raffo está repleto de papéis, mapas e cenários; bonecos gigantes de papel machê representando cervos, condores e pinguins, desenhos de crianças, fantasias e livros: assim é o lugar onde bate o coração do plano ambiental que, na última década, já levou mais de cinco mil crianças e adolescentes para navegar entre blocos de gelo em uma das áreas mais exclusivas do Parque Nacional Los Glaciares (PNLG). Você viu? Plataforma militar dos EUA registrou seis Óvnis a 800 km/h durante monitoramento no Oriente Médio Aquecimento do Pacífico: Com impacto do El Niño chegando, 10% da área do Brasil já está em alerta para seca Raffo, guia turística e fortemente comprometida com a natureza, criou e dirige o Plano Integral de Educação Ambiental do PNLG. A iniciativa já completou uma década e da qual se beneficiam, a cada ano, centenas de estudantes de El Calafate, El Chaltén e Tres Lagos — as três regiões próximas.
— O que proponho são planos com duração mínima de dez anos e, a partir daí, dar-lhes continuidade — afirma a guia em entrevista ao jornal argentino La Nación, sendo ela uma das figuras mais conhecidas da cidade. Mas antes que houvesse um plano, um escritório e uma equipe, houve uma intuição que ela manteve por duas décadas em três cidades diferentes da Patagônia: "Não se protege o que não se conhece", ela repete. Escolas como ponto de partida Essa história teve início no Parque Nacional Bosques Petrificados, onde Raffo morou por cinco anos ao lado do marido, o guarda-parque Carlos Zoratti. Ao se mudarem para a cidade de Caleta Olivia, a 220 quilômetros ao norte, descobriram que a comunidade não se identificava com as florestas. Foi assim que ela começou a dar palestras nas escolas. 'Fim do mundo' em 13 de novembro de 2026? Entenda previsão feita por cientistas há 66 anos Por trás dessa convicção, que Raffo mantém intacta até hoje, havia uma certeza: se as comunidades vizinhas não valorizam nem conhecem uma área protegida, há menos chances de que cuidem dela.
Com sua formação como guia, seu amor pela natureza e sua grande capacidade de aprendizado autodidata, ele aprendeu a despertar a curiosidade nas crianças. Uma professora, Jorgelina Carrizo, a ensinou algo fundamental: analisar o plano de estudos de cada escola e, assim, preparar um material adequado para cada série. Mas foi em El Chaltén, próximo destino da família Raffo-Zoratti, que ela conduziu o projeto-piloto do atual plano de educação ambiental. Raffo montou um sistema de palestras, encontros e atividades com o jardim de infância e a escola primária que, até hoje, continuam em andamento.
— É na escola primária e na educação infantil que se formam os valores das crianças. Por isso é tão importante chegar às escolas — ressalta. Foi assim que nasceu o Plano de Educação Ambiental Integral, documento que hoje orienta todo o trabalho de uma área enorme. Em 2015, foi apresentado à administração do Parque Nacional Los Glaciares e, um ano depois, após mais uma mudança da família, começou a ser implementado formalmente em El Calafate. Elias 2-24 b: Saiba como foi encontrado o planeta mais jovem já conhecido, com menos de 1 milhão de anos O plano não se limita às visitas escolares. O programa tem vários pilares: desde brincadeiras para o jardim de infância até informações ambientais, palestras específicas e capacitação sobre flora, fauna, glaciações, geologia e até mesmo mudanças climáticas.
Material para todo mundo Todas as informações são fornecidas do jardim de infância até a 7ª série a todas as escolas, que recebem materiais adaptados por cada professor, chegando até mesmo a projetos que são apresentados nas feiras de ciências escolares. Os professores ouvidos para esta reportagem destacaram as informações valiosas e precisas sobre a região que o programa oferece, e que geralmente não constam nos livros didáticos, razão pela qual as instituições passam a adotá-las. Com algumas variações, o projeto já atingiu até dez mil crianças por ano entre El Calafate, Tres Lagos e El Chaltén. O número varia, pois as greves dos professores costumam afetar as atividades.
Durante a pandemia, Raffo criou um teatro de marionetes com animais e preparou vídeos divertidos e educativos que as escolas enviam aos alunos. No final de 2021, Paula Lui se juntou à equipe, tornando-se a segunda integrante. Entenda: Governo Trump elimina proteção para espécies ameaçadas de extinção, e mortes decorrentes de riscos previsíveis ficarão isentas Todo o processo de aprendizagem culmina com o programa de passeios educacionais ao Parque Nacional Los Glaciares para alunos do 7º ano, a partir de viagens que as concessionárias cedem à prefeitura em cumprimento aos editais de licitação.
Desde o início do programa, mais de cinco mil alunos das três localidades realizaram gratuitamente uma excursão que hoje custa cerca de 250 mil pesos (R$ 852 na conversão atual) por pessoa. Turistas na própria terra O percurso é o mesmo que milhares de turistas fazem todos os anos: partem em uma embarcação do Porto Punta Bandera, navegam pelo Lago Argentino em direção aos blocos de gelo da geleira Upsala e à imponente Geleira Spegazzini. Lá, almoçam no Refúgio Spegazzini, com vista para três geleiras. As crianças também vivem a experiência de se sentirem turistas por um dia em sua própria terra. — Talvez, para muitas crianças, essa seja a única oportunidade que terão de entrar em um barco e fazer um passeio desse tipo. Isso tem um valor imenso. É dar a elas a possibilidade de, por meio de uma atividade educativa, aprenderem na prática, visitando e vivenciando o local — conta ao La Nación Pablo Lofredo, vice-diretor da Escola Profissionalizante Joven Labrador, de El Calafate. Onça em miniatura: Conheça o tilcayo, primeira espécie de felino descrita em mais de 100 anos que de pet nada tem Além dos alunos do 7º ano de todas as escolas, este ano também foi possível convidar alunos do ensino médio, como foi o caso dos alunos do 3º e 4º anos da Joven Labrador.
— Não é uma excursão feita só por fazer; a gente se prepara com antecedência, compartilha momentos antes da atividade com o pessoal do Parque, e os meninos e meninas se envolvem muito com a atividade. É um passeio educativo muito aguardado — afirma Lofredo, acrescentando: — Vivemos nesta beleza geográfica e é muito importante que eles possam vê-la de perto, que não fique apenas em um vídeo que assistem na escola. 'Flavia dos parques' Laura Iriarte é professora de inglês na Escola Provincial de Jovens e Adultos nº 19 de El Chaltén, na zona norte do PNLG e a 230 km de El Calafate. Desta vez, viajou com seus alunos, que têm entre 22 e 65 anos. Ela destaca a importância de proporcionar essa oportunidade a eles: — Ser capaz de desenvolver esse apego pelo lugar e o cuidado, de poder cuidar dele porque você o sente como algo seu, tem a ver com uma perspectiva social em relação ao meio ambiente — afirmou ao jornal argentino. A navegação dela ocorreu nos primeiros dias de setembro e ela destacou como os alunos mais novos chegam já com conhecimento, linguagem adequada e muito entusiasmo. A professora descreveu que "era um monte de gente, jovens, crianças, tudo tão bem organizado, em um ambiente descontraído, mas de conexão; do ponto de vista pedagógico, achei impecável, tanto em termos de aprendizado quanto de diversão”. Flavia Raffo admite que não há uma maneira sistemática de medir o impacto do projeto que ela elaborou do zero, mas afirma que há sinais isolados: desde aqueles primeiros alunos que conheceu nas escolas e que agora trabalham em agências de turismo até o menino de 11 anos que, em uma das viagens, contou que, apesar de ter nascido aqui, não conhecia a geleira. Esse horizonte, que ela começou a traçar em Caleta Olivia há mais de duas décadas, é hoje a explicação mais simples para o motivo pelo qual várias gerações de crianças cresceram e a conhecem como "Flavia dos Parques". Para ela, esse é seu maior prêmio.
O Globo