A plataforma online para compra, venda e troca de artigos usados Vinted — muito popular na Europa e em expansão nos Estados Unidos — intensificou o monitoramento de anúncios "suspeitos" e removeu publicações relacionadas a produtos saqueados na França durante um fim de semana de distúrbios que deixou lojas depredadas em diferentes regiões do país. Segundo a emissora americana CNN, a medida ocorre em meio à pressão do governo francês para impedir a comercialização de mercadorias roubadas pela internet. Entenda: O que se sabe sobre os protestos na França e qual a disputa ideológica em torno dos atos de violência? Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Em comunicado, a Vinted afirmou ter tomado medidas imediatas para identificar e retirar os anúncios.
“A venda de produtos roubados, assim como a solicitação desses produtos, é estritamente proibida na Vinted, e temos tolerância zero em relação a isso”, acrescentou a empresa.
A Vinted advertiu que usuários que descumprirem as regras podem ter suas contas banidas permanentemente. A companhia também informou que está colaborando com as forças de segurança e as autoridades francesas para identificar riscos e combater atividades ilícitas na plataforma. Manifestante vestindo colete amarelo segura a bandeira francesa durante manifestação contra o alto custo de vida em Bordeaux, na França CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / AFP A reação ocorre após relatos de que mercadorias furtadas durante os distúrbios de sábado estavam sendo oferecidas para venda on-line. O custo dos danos materiais e dos furtos registrados durante o fim de semana é estimado em várias centenas de milhões de dólares. Contexto: Macron classifica de ‘estúpidas’ declarações de Trump e Netanyahu sobre distúrbios na França O governo francês também intensificou a fiscalização dos marketplaces. Na segunda-feira, autoridades se reuniram com representantes de plataformas de comércio eletrônico e funcionários dos ministérios do Interior e da Justiça, segundo Serge Papin, ministro responsável pelas pequenas empresas. Na terça-feira, Papin disse que o governo havia obtido compromissos das empresas para identificar e remover anúncios de produtos saqueados. Ele relatou que as autoridades também monitoravam as vendas e que pessoas envolvidas na comercialização de mercadorias roubadas seriam localizadas e processadas. Lojas foram saqueadas A onda de violência também atingiu grandes varejistas, incluindo as marcas de luxo Louis Vuitton e Rolex e a rede de cosméticos Sephora, segundo a agência de notícias Reuters. Veja também: França estende toque de recolher e anuncia reforço policial em protestos de sábado; detentos começam a ser julgados A Sephora informou que várias de suas lojas na França foram saqueadas. Por segurança, a empresa fechou todas as unidades às 17h de sábado e manteve fechadas no domingo as lojas localizadas nos centros das cidades. Em publicação no LinkedIn, Catherine Spindler, presidente da divisão da companhia para Europa, Oriente Médio e África, relatou que funcionários enfrentaram violência e momentos de grande tensão. A grife britânica Burberry também confirmou o fechamento temporário de sua loja na Rue Saint-Honoré, em Paris, enquanto avaliava a situação. Análise: Extrema direita na França capitaliza onda de violência para impulsionar campanha eleitoral Fundada na Lituânia em 2008, a Vinted se tornou uma das maiores plataformas de artigos usados da Europa. França, Reino Unido e Itália estão entre seus principais mercados, de acordo com a Reuters.
O Globo