Na Carolina do Norte, Trump desafia pesquisas eleitorais e aposta em vitória republicana

Na Carolina do Norte, Trump desafia pesquisas eleitorais e aposta em vitória republicana - Foto
Fonte da notícia: Globo Globo

Com seu índice de aprovação nos níveis mais baixos já registrados, o presidente Donald Trump tentou desafiar a lógica política durante um comício de mobilização na Carolina do Norte, na terça-feira (20), pedindo aos eleitores que apoiassem seu candidato preferido ao Senado em uma disputa da qual alguns grupos republicanos já desistiram. Leia também: Maioria dos americanos não acredita que Trump aceitará derrota republicana nas eleições Republicanos apostam em milhões de Musk para salvar candidato ao Senado no Texas Trump promete gastar US$ 400 mi em campanha eleitoral republicana Trump iniciou uma intensa agenda de campanha antes das eleições legislativas de 3 de novembro, percorrendo mais de 46,6 mil quilômetros desde o fim de setembro para impulsionar candidatos republicanos. Sua segunda visita à Carolina do Norte em dois meses sinalizou o quanto está em jogo nesse Estado do sul do país.

As pesquisas mostram o ex-governador democrata Roy Cooper com uma ampla vantagem sobre o republicano Michael Whatley, ex-dirigente de alto escalão do partido, em uma disputa pelo Senado que poderá ajudar a definir o equilíbrio de poder em Washington.

Os dois concorrem à vaga deixada pelo senador republicano Thom Tillis, que se aposentará. Antigo aliado de Trump, Tillis rompeu com o presidente por divergências sobre seu principal projeto de lei tributária e a política de defesa.

Em entrevista ao Politico na terça-feira, Tillis afirmou que seus colegas republicanos caminhavam para um "desastre" e uma "surra" nas eleições de novembro.

Mas Trump, discursando na noite de terça-feira na cidade de Greenville, no leste do Estado, previu que Whatley contrariaria os céticos.

"Acho que vocês verão resultados incríveis", disse a centenas de apoiadores reunidos nas instalações do aeroporto local. "Eles nunca acertam nas pesquisas sobre nós. Temos mais entusiasmo."

Trump venceu na Carolina do Norte nas três eleições presidenciais que disputou, mas os democratas apostam em um desempenho excepcional neste ano, com pesquisas mostrando que uma clara maioria dos americanos está insatisfeita com a alta dos preços e a guerra no Irã.

O índice de aprovação do presidente caiu para 31%, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos mais recente, o menor patamar registrado em qualquer momento de seus dois mandatos.

Na votação antecipada na Carolina do Norte, os democratas depositaram o dobro de votos dos republicanos, mostram dados estaduais.

Os candidatos republicanos presentes na noite de terça-feira pediram insistentemente aos eleitores que comparecessem às urnas antecipadamente.

"Este é um distrito de maioria republicana", disse Laurie Buckhout, candidata apoiada por Trump que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados em um distrito predominantemente rural no leste do Estado. "Temos o impulso. Temos a mensagem. Agora precisamos de vocês."

Os republicanos ocupam dez das 14 cadeiras do Estado na Câmara dos Deputados, mas alguns distritos são considerados competitivos neste ciclo eleitoral e têm atraído gastos expressivos.

A disputa de Buckhout contra o deputado democrata Don Davis atraiu US$ 21 milhões em recursos de grupos externos desde 1º de setembro, tornando-se a terceira corrida eleitoral mais cara do país, de acordo com uma análise da Reuters de documentos de financiamento de campanha.

Na região montanhosa do oeste do Estado, grupos externos gastaram US$ 14,5 milhões na disputa entre o democrata Jamie Ager e a republicana Jennifer Balkcom.

Whatley, por outro lado, foi praticamente abandonado pela estrutura nacional do partido. O Senate Leadership Fund, principal comitê de ação política (PAC) de apoio aos candidatos republicanos ao Senado, interrompeu os gastos na Carolina do Norte no início deste mês, depois que Cooper registrou vantagens de dois dígitos em sucessivas pesquisas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interage com Michael Whatley, candidato republicano ao Senado pela Carolina do Norte REUTERS/Evan Vucci

‘Colocar a casa em ordem’ A popularidade de Trump despencou desde que ele ordenou ataques militares contra o Irã em fevereiro, ao lado de Israel, aliado dos Estados Unidos, provocando uma disparada nos preços da gasolina e do diesel.

Cerca de 68% dos americanos desaprovam a maneira como Trump conduz a economia, segundo a Reuters/Ipsos, incluindo 37% dos que se identificam como republicanos.

Taylor Smith, que se descreveu como dona de casa em Greenville, disse à Reuters que sempre votou nos republicanos, mas que a turbulência do governo Trump a estava fazendo reconsiderar seu apoio.

Segundo ela, a desorganização dentro da Casa Branca estava afetando as políticas do governo, revelando a falta de foco de Trump.

"Qualquer coisa boa que poderia estar acontecendo acaba sendo prejudicada por toda essa palhaçada", disse Smith.

"Detesto esses preços da gasolina", acrescentou, pedindo ao presidente que "coloque a casa em ordem".

Como tem feito em eventos pelo país, Trump destacou na noite de terça-feira o que descreveu como novos investimentos locais.

A Sibelco, empresa de mineração e processamento de minerais industriais, está expandindo suas operações na Carolina do Norte, anunciou o secretário de Comércio, Howard Lutnick, no palco, sem fornecer detalhes.

A Sibelco não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Trump também afirmou que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos investiria US$ 1,5 bilhão na produção de chips semicondutores na Carolina do Norte, mas não informou onde nem como os recursos seriam aplicados.

Perto do fim do discurso, o presidente repetiu sua promessa de conceder US$ 5 mil a cada adulto americano caso os republicanos mantenham o controle do Congresso.

"Se perdermos", disse ele, "vocês não receberão nada". Adesivos de votação ficam sobre uma mesa em um local de votação no dia das eleições primárias, em Minneapolis, Minnesota, EUA, em 11 de agosto de 2026 REUTERS/Tim Evans

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Globo