O presidente sul-coreano Lee Jae-myung resistiu à pressão do governo Trump nesta sexta-feira, declarando que seu país não enviará tropas ou recursos militares para apoiar a guerra liderada pelos EUA contra o Irã. Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump provocou publicamente o líder sul-coreano, expressando frustração com o que descreveu como a recusa de Seul em ajudar a defender o Estreito de Ormuz — outrora o principal ponto de trânsito mundial de petróleo — enquanto tropas americanas permanecem estacionadas na Península Coreana para proteger a Coreia do Sul da Coreia do Norte. Nesta sexta-feira, Lee rejeitou firmemente qualquer envolvimento militar no conflito do Oriente Médio. Leia também: Sem apoio militar dos EUA, Arábia Saudita recorre à China para pressionar o Irã a conter avanço dos houthis no Mar Vermelho, diz agência Análise: Trump queria o Canadá como 51º estado dos EUA, mas terminou empurrando o vizinho para a União Europeia “Não haverá destacamento de tropas nem envio de recursos militares para se envolverem ou intervirem nesta guerra”, disse Lee em uma coletiva de imprensa. Em vez de um destacamento para combate, Lee observou que Seul está considerando expandir o escopo operacional de um destróier da Marinha sul-coreana e seus navios de apoio, estacionados na costa da Somália, para operações antipirataria. Ele enfatizou que, mesmo que esses recursos se desloquem para mais perto do Mar Vermelho ou do Estreito de Ormuz, seu único foco seria a proteção de petroleiros sul-coreanos e outras embarcações comerciais. Eles não participarão de nenhuma operação que possa ser interpretada como apoio à guerra contra o Irã, afirmou. Embora Trump não tenha especificado o tipo exato de assistência que espera de Seul, ele reclamou no mês passado que havia pedido a Lee "para nos dar uma pequena ajuda" no conflito, lembrando-o da presença militar dos EUA na Coreia do Sul. “Ele disse: ‘Não, obrigado’”, lembrou Trump. “Entendo. Bem, por que estamos envolvidos em ajudá-lo?” Essa não foi a única questão abordada por Lee, com semblante sério, nesta sexta-feira. Quinze meses após o início de seu mandato único de cinco anos, seu índice de aprovação caiu para um novo mínimo de 37%, abalado por problemas não apenas internos, mas também por tensões com o aliado mais importante da Coreia do Sul, os Estados Unidos. No mês passado, Trump reduziu unilateralmente um dos exercícios militares conjuntos anuais dos Estados Unidos com a Coreia do Sul, classificando as manobras não apenas como “custosas”, mas também como “totalmente inapropriadas e hostis” à Coreia do Norte. Ele afirmou que, durante todo o tempo em que esteve no cargo, a Coreia do Norte se comportou de maneira “não ameaçadora e respeitosa”. Trump também se vangloriou de ter um “ótimo relacionamento” com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, mesmo com o Norte representando uma ameaça nuclear crescente para o Sul. No âmbito interno, o principal índice de ações da Coreia do Sul — outrora aclamado como um dos principais beneficiários do boom global da inteligência artificial — despencou, devastando as carteiras de milhões de investidores individuais que foram incentivados pelo governo de Lee a comprar ações. Lee também não cumpriu suas repetidas promessas de conter o aumento dos custos de moradia. A oposição o acusou de buscar uma emenda constitucional que lhe permitiria concorrer a um segundo mandato, uma medida explicitamente proibida pela Constituição atual. Sua presidência também permanece marcada pela suspensão de seus julgamentos criminais por acusações que incluem violação das leis eleitorais e indução ao perjúrio. A oposição alega que Lee estaria planejando um projeto de lei especial para anular essas acusações, que ele insiste serem invenções orquestradas por seu adversário conservador e antecessor, o ex-presidente Yoon Suk Yeol, que sofreu impeachment e foi deposto. Na sexta-feira, Lee afirmou que, embora apoiasse uma revisão constitucional que permitisse aos futuros presidentes concorrer a um segundo mandato, não tinha intenção de se candidatar à reeleição. Ele classificou isso como “constitucionalmente impossível”. A alegação de que ele poderia concorrer a um segundo mandato, disse ele, não passava de uma “ofensiva política”. Lee também afirmou apoiar a nomeação, pela Assembleia Nacional, de um procurador especial para investigar se políticos como ele, assim como jornalistas, foram alvo de investigações criminais com motivação política durante o governo Yoon. Contudo, ressaltou que não desejava que tal procurador especial tivesse o poder de arquivar as acusações criminais já apresentadas contra ele. “É por causa das minhas próprias falhas”, disse Lee, referindo-se à queda vertiginosa de seus índices de aprovação. “Deixei a desejar em consideração, sensibilidade e comunicação.” Lee também afirmou que seu governo continua em negociações "intensas" com Washington sobre como implementar o amplo acordo anunciado pelos dois governos em novembro passado. Segundo o pacto, Trump reduziu as tarifas sobre importantes exportações sul-coreanas, incluindo automóveis, de 25% para 15%. Ele também prometeu apoio dos EUA aos esforços da Coreia do Sul para desenvolver submarinos nucleares e enriquecer urânio para energia nuclear civil. Em troca, Lee comprometeu-se a investir US$ 350 bilhões nos Estados Unidos. No entanto, as negociações sobre a implementação do acordo estão paralisadas devido a divergências sobre os detalhes, alimentando dúvidas de ambos os lados sobre a disposição do outro em cumpri-lo. NestLee também afirmou que seu governo continua em negociações "intensas" com Washington sobre como implementar o amplo acordo anunciado pelos dois governos em novembroa sexta-feira, Lee afirmou que os dois governos estavam perto de finalizar um acordo sobre para onde deveria ser direcionado o primeiro lote de investimentos sul-coreanos. Lee afirmou que estava insatisfeito com um acordo proposto e instruiu seu governo a continuar as negociações. Ele não deu detalhes, mas enfatizou que quaisquer projetos de investimento devem ser “comercialmente viáveis” e que os dois governos precisam chegar a um acordo sobre como compartilhar os lucros e prejuízos desses projetos. “Não devemos ceder à pressão ou à coerção”, disse ele, acrescentando que seu comentário refletia o princípio geral de negociação de seu governo e não era dirigido especificamente à administração Trump.
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Presidente da Coreia do Sul rechaça apelo de Trump e nega envio de tropas ao Irã: 'Não devemos ceder à pressão'
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O Globo
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