Premiê diz que Reino Unido deve avaliar opções pós-Brexit, incluindo retorno à UE

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Fonte da notícia: Valor Valor

O primeiro-ministro Andy Burnham disse nesta quarta-feira que o Reino Unido deveria considerar opções para sua futura relação com a União Europeia, incluindo o retorno ao bloco, reforçando sua mensagem de que o Brexit fez “mais mal do que bem”.

As declarações tiveram uma recepção mista do presidente francês, Emmanuel Macron. Embora tenha afirmado que seria uma “notícia muito boa” se o Reino Unido voltasse à UE, ele rejeitou a ideia de que uma retomada das relações pudesse permitir ao país escolher quais aspectos da adesão gostaria de adotar.

Na conferência anual de seu Partido Trabalhista, na terça-feira, Burnham, que fez campanha pela permanência na UE no referendo de 2016, defendeu que o país volte a considerar opções para “a relação de longo prazo do Reino Unido com nossos parceiros europeus”.

Ele disse que a saída britânica do bloco não cumpriu a promessa de seus defensores de “retomar o controle” e, em vez disso, enfraqueceu o país, especialmente na economia e na capacidade de lidar com os elevados níveis de imigração.

Em entrevista à BBC, Burnham voltou a dizer que o Reino Unido deveria considerar várias opções para uma futura relação, incluindo não apenas a adesão plena, mas também o retorno ao mercado único da UE ou a uma união aduaneira — reacendendo um debate divisivo que separou o país ao longo dos últimos dez anos.

“Poderíamos continuar como estamos. Essa é definitivamente uma opção, se as pessoas acharem que este é o lugar certo para permanecer”, disse Burnham, ao enumerar outras possibilidades, incluindo a de “ir até o fim”.

Falando em Madri, Macron alertou Burnham de que não há meio-termo quando se trata da adesão ao bloco, em uma lembrança da disputa de anos entre Londres e Bruxelas que moldou a atual relação pós-Brexit.

“Quanto à Grã-Bretanha, quando quiser voltar a se aproximar de nós, estar do lado de fora representa um problema: não se pode escolher entre as liberdades da União, nem decidir ficar apenas com aquilo que convém e rejeitar o restante”, disse Macron.

Pesquisa do YouGov realizada em junho mostrou que a maioria dos britânicos é favorável ao retorno: 55% dos eleitores apoiavam a volta à UE, enquanto 34% eram contrários.

“Votei pela saída porque achei que seria melhor, mas não, na verdade não foi”, disse Gary Knowles, de 64 anos, faxineiro e cabeleireiro em Barking, no leste de Londres. Citando a alta dos preços dos alimentos e da gasolina, ele disse ter mudado de opinião: “Acho que agora é ‘ficar dentro’.”

No entanto, o apoio registrado nas pesquisas costuma cair quando as pessoas são questionadas sobre contribuições ao orçamento da UE e a adoção do euro. Para Roy Taylor, de 59 anos, atuário no centro de Londres, haveria muitos fatores a considerar.

“Estou de certa forma aberto a uma aproximação com a Europa, mas não tenho certeza de que o país precise passar por todo o debate sobre o Brexit novamente”, disse.

Opções devem ser avaliadas com base no que ‘é viável’ Uma cúpula entre UE e Reino Unido foi adiada da data prevista de 22 de julho após a renúncia de Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro e agora poderá ocorrer em novembro, embora qualquer medida formal tenha de esperar até a próxima eleição, prevista para ocorrer até meados de 2029.

Não está claro como Burnham pretende consultar a opinião pública sobre a UE, mas ele disse em seu discurso na conferência que iria “aproveitar a oportunidade em torno da cúpula para apresentar a vocês, para apresentar ao país, quais acredito serem as diferentes opções”.

Burnham afirmou que as alternativas devem ser avaliadas com base no “que é viável” e nas vantagens e desvantagens de cada uma.

O premiê trabalhista já havia dito que manteria os compromissos assumidos pelo governo Starmer nas eleições de 2024, que incluíam a promessa de “permanecer fora da UE” e de não retornar ao mercado único, à união aduaneira nem à livre circulação de pessoas.

Votação do Brexit desencadeou anos de turbulência O Reino Unido votou pela saída da União Europeia em 2016, encerrando mais de quatro décadas de participação no bloco e desencadeando anos de turbulência política, enquanto sucessivos governos lidavam com as consequências econômicas e diplomáticas daquela decisão.

Burnham, que substituiu Starmer em julho, também afirmou que gostaria de ver o Reino Unido retornar à UE ainda durante sua vida, e sua mensagem na conferência de que o Brexit não conseguiu tornar o país mais rico foi bem recebida por muitos integrantes do Partido Trabalhista.

“Quero ser muito claro, e vou dizer isso sem rodeios: o Brexit causou mais mal do que bem”, disse à BBC. “Então a questão é: o que fazemos a respeito disso?”

O partido populista Reform UK, liderado pelo veterano defensor do Brexit Nigel Farage, criticou os planos de Burnham e responsabilizou o governo trabalhista pelo baixo crescimento econômico.

“Andy Burnham mal chegou ao cargo de primeiro-ministro e já está tentando nos levar sorrateiramente de volta a Bruxelas pela porta dos fundos”, disse Richard Tice, vice-líder do Reform UK.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham AP/Kirsty Wigglesworth

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