O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou estar disposto a discutir o restabelecimento da livre circulação de pessoas com a União Europeia, uma das principais regras abandonadas pelos britânicos após o Brexit, que removeu o país do bloco. Em entrevista ao jornal The Sunday Times, publicada no domingo 25, o líder trabalhista defendeu uma revisão das relações com o bloco europeu e reconheceu que o perfil da imigração mudou desde a saída britânica, em 2020.
Segundo Burnham, os fluxos migratórios anteriores ao Brexit eram diferentes dos atuais. Na época, parte dos trabalhadores europeus permanecia temporariamente no Reino Unido antes de retornar aos países de origem.
O premiê argumentou que esse movimento perdeu espaço para uma imigração mais permanente. “O equilíbrio da migração mudou desde então, não é? Acho que precisamos ter uma discussão honesta sobre essas questões”, afirmou.
Reaproximação As declarações representam uma possível mudança na política britânica em relação à União Europeia.
Desde que assumiu o cargo, em julho, Burnham se comprometeu a respeitar o programa eleitoral do Partido Trabalhista de 2024, elaborado por seu antecessor, Keir Starmer, que descartava o retorno à livre circulação de pessoas, ao mercado único europeu e à união aduaneira. Apesar disso, o atual premiê já admitiu a possibilidade de o Reino Unido voltar a integrar o bloco no futuro.
Continua após a publicidade A discussão ocorre às vésperas de uma reunião entre autoridades britânicas e europeias, marcada para 20 de novembro, em Bruxelas.
O encontro deve abordar medidas para ampliar a cooperação econômica, facilitar o comércio de alimentos e bebidas e estabelecer novos acordos de mobilidade para jovens. Burnham, porém, descartou recomendar a adoção do euro ou a entrada do país no Espaço Schengen, que permite a circulação entre países participantes sem controle de imigração nas fronteiras internas.
+ A década de caos político no Reino Unido desde o referendo do Brexit Continua após a publicidade
Nigel Farage, líder do partido de extrema direita Reform UK e um dos principais arquitetos do Brexit, classificou a possibilidade de restabelecer a livre circulação como uma “traição total” à decisão dos britânicos de deixar a União Europeia. O tema foi central no referendo de 2016, quando 51,9% dos eleitores votaram pela saída do bloco.
Uma eventual mudança mais ampla na relação com a União Europeia também dependerá de obstáculos políticos e jurídicos. Como o governo trabalhista foi eleito com a promessa de não restabelecer a livre circulação, Burnham poderá buscar autorização dos eleitores para alterar essa posição nas próximas eleições gerais, previstas para ocorrer até 2029.
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