A tentativa de reorganização terminou quando as vendas enfraqueceram e a falta de recursos tornou impossível sustentar uma grande rede regional. A rede ainda mantinha centenas de endereços e vendia produtos básicos para famílias de várias regiões quando a recuperação financeira perdeu força.
Em agosto de 2002, a Ames anunciou a liquidação de suas 327 lojas restantes, depois de tentar se reorganizar por cerca de um ano. A Ames Department Stores havia solicitado proteção judicial em agosto de 2001, buscando reorganizar dívidas e preservar parte do negócio.
Era a segunda grande crise judicial de sua trajetória, após ter passado por um processo semelhante no início dos anos 1990. A situação piorou porque as vendas não reagiram como a administração esperava.
Ao mesmo tempo, fornecedores passaram a exigir condições mais rígidas e reduziram entregas, comprometendo o abastecimento de uma rede que dependia de estoques variados para atrair compradores. Em 14 de agosto de 2002, a empresa comunicou que já não dispunha de recursos suficientes para manter a recuperação.
A alternativa escolhida foi vender as mercadorias e encerrar os estabelecimentos, em vez de prolongar uma operação que continuava consumindo caixa. As vendas de encerramento foram planejadas para durar aproximadamente dez semanas.
O dinheiro arrecadado seria destinado ao processo de liquidação e ao atendimento dos credores, sem representar garantia de pagamento integral de todas as obrigações da companhia. A Ames trabalhava com preços baixos e uma seleção ampla de vestuário, utilidades domésticas e artigos para a família.
Seu modelo de loja de departamento disputava consumidores com cadeias de descontos de escala nacional. A expansão de rivais como Walmart e Target tornou essa competição mais difícil.
Preço, disponibilidade de produtos e eficiência de distribuição passaram a pesar especialmente para uma rede que já enfrentava dificuldades para obter mercadorias dos fornecedores. O encerramento eliminou uma operação presente em diversos estados americanos.
Os registros de 2002 apontavam aproximadamente 21.500 empregos relacionados ao fechamento, além da perda de um importante cliente para empresas que forneciam produtos à rede. A venda final também envolvia mais do que prateleiras e caixas registradoras.
Centros de distribuição, instalações comerciais e contratos passaram a integrar as decisões do processo, pois esses ativos podiam conservar valor mesmo depois da interrupção das vendas normais. A empresa movimentava perto de US$ 2,7 bilhões por ano antes da liquidação.
Apesar desse volume comercial, as obrigações financeiras e a necessidade permanente de repor estoques impediam que o faturamento se transformasse automaticamente em capacidade de manter as lojas abertas. O registro do encerramento das 327 unidades também cita aproximadamente US$ 670 milhões em dívidas à época.
São indicadores de dimensões distintas: receita representa vendas, enquanto endividamento expressa compromissos financeiros acumulados. A liquidação de 2002 encerrou a rede física histórica da Ames e mostrou como uma varejista regional podia perder espaço mesmo atendendo muitas cidades.
A saída não aconteceu em uma única loja: foi o encerramento coordenado de centenas de unidades ainda em operação. O caso também deixa clara a diferença entre fechar estabelecimentos deficitários e liquidar toda uma empresa.
A primeira medida tenta reduzir despesas e preservar atividades; a segunda transforma estoques e ativos em recursos para concluir uma operação que deixou de ser viável.
O Antogonista