247 – A vitória de virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), provocou reações de figuras influentes da extrema direita dos Estados Unidos. O bilionário Elon Musk e o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon questionaram a legitimidade do resultado eleitoral brasileiro, sem apresentar qualquer evidência de irregularidade na votação ou na apuração.
Os ataques, segundo a Folha de São Paulo, ocorreram enquanto o governo do presidente estadunidense Donald Trump adiava o reconhecimento oficial da reeleição de Lula. Até o início da tarde, Trump não havia se manifestado diretamente sobre o resultado, embora integrantes de seu entorno político já estivessem promovendo acusações contra o processo eleitoral brasileiro.
Proprietário da SpaceX e da rede social X, Elon Musk compartilhou uma publicação com os números da eleição e afirmou que a conta “não fecha”. A manifestação colocou sob suspeita a virada conquistada pelo presidente brasileiro, que havia terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro por aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Os números, entretanto, mostram uma mudança expressiva na participação eleitoral entre os dois turnos. A abstenção, que havia alcançado 21,08% na primeira votação, caiu para 19,2% no domingo, ampliando o comparecimento de eleitores às urnas.
A redução beneficiou especialmente segmentos do eleitorado nos quais Lula apresentava maior intenção de voto. Além da queda na abstenção, o desempenho do presidente em Minas Gerais e nos estados do Nordeste foi decisivo para a reversão do resultado.
Depois de começar a disputa final com uma desvantagem de 2,2 milhões de votos, Lula encerrou o segundo turno com uma vantagem superior a 4,4 milhões, uma mudança de aproximadamente 6,6 milhões de votos na diferença entre os candidatos. O deputado federal André Janones (Rede-MG) reagiu à manifestação de Musk e atribuiu parte do resultado à mobilização de apoiadores do presidente nas redes sociais.
“Como assim [a conta] não fecha? 10 milhões de soldados = 10 milhões de votos”, escreveu o parlamentar no X. Janones fez referência ao canal de WhatsApp “Exército do Lula”, iniciativa de mobilização digital liderada por ele que reuniu mais de 10 milhões de participantes com o objetivo de orientar a atuação de militantes e apoiadores durante a campanha eleitoral.
Bannon pede rompimento diplomático com o Brasil A reação mais agressiva partiu de Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump e uma das principais referências ideológicas da extrema direita estadunidense.
Ele defendeu que o presidente dos Estados Unidos e o secretário de Estado, Marco Rubio, adotassem uma posição de confronto com o governo brasileiro, incluindo o rompimento das relações diplomáticas e comerciais. “Nada de comércio, nada.
Este é um governo marxista globalista ilegítimo. Se vocês acham que esse roubo de eleição não vai acontecer aqui, estão redondamente enganados”, escreveu Bannon, sem apresentar provas de fraude.
O ex-assessor da Casa Branca também relacionou suas acusações às eleições legislativas estadunidenses, conhecidas como midterms, previstas para novembro. A disputa poderá alterar a composição do Congresso dos Estados Unidos, onde o Partido Republicano mantém uma maioria estreita.
“Se não agirmos, isso acontecerá aqui na próxima terça-feira”, afirmou. Ao associar o resultado brasileiro ao processo eleitoral dos EUA, Bannon procurou transformar a derrota de Flávio Bolsonaro em um alerta político para os republicanos.
Suas declarações, contudo, não foram acompanhadas de informações que sustentassem as acusações de manipulação das urnas. Trump evita reconhecer vitória de Lula
Enquanto Musk e Bannon contestavam publicamente o resultado, Donald Trump adotou uma postura mais cautelosa. O presidente estadunidense não declarou apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro durante a campanha, mas elogiou o desempenho do senador no primeiro turno.
Na ocasião, Trump também destacou a velocidade da apuração dos votos no Brasil, utilizando o exemplo brasileiro para criticar a demora na divulgação dos resultados eleitorais nos Estados Unidos. No domingo, dia da votação decisiva, o republicano evitou revelar sua preferência entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Questionado por jornalistas sobre a eleição brasileira, afirmou apenas que acompanhava o processo. “Não quero entrar nesse assunto, mas estamos monitorando”, declarou.
De acordo com a reportagem, o governo dos EUA decidiu postergar uma manifestação oficial sobre a reeleição de Lula. Segundo aliados de Flávio Bolsonaro ouvidos pelo jornal, integrantes da administração Trump pretendiam aguardar a definição da postura do candidato derrotado antes de estabelecer a posição de Washington.
A decisão ocorre em meio à pressão de setores da direita estadunidense para que o governo dos Estados Unidos conteste o resultado brasileiro. Até o momento, porém, não foi apresentada qualquer evidência capaz de sustentar as suspeitas levantadas por Musk e Bannon.
Brasil 247