Precisamos transcender a discussão de estrangeiro investir em commodities no Brasil, avalia Itaú

Precisamos transcender a discussão de estrangeiro investir em commodities no Brasil, avalia Itaú - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

Ainda que o Brasil seja um player mundial relevante no agronegócio, é preciso pensar que o investidor estrangeiro pode investir no país de olho em outros setores para além daquele voltado a commodities, segundo avalia o vice-presidente financeiro do Itaú Unibanco, Gabriel Moura. “O agronegócio no Brasil é uma potência impressionante.

Isso sempre foi importante e continuará sendo. Ao mesmo tempo, os recursos mundiais para investimentos nesse setor começam a ser menores”, diz o executivo na conferência MBA Brasil, evento dedicado para brasileiros interessados em fazer programas de gestão no exterior.

“Quando você vê os números de fundos dedicados a commodities estão cada vez menores em relação ao total de investimento no mundo. O que está crescendo é o investimento dedicado à tecnologia”, acrescenta.

Para Moura, o Brasil tem potencial para despontar na área de tecnologia, mas ainda não dá atenção necessária a isso. “Fizemos um investimento de quase R$ 3 bilhões recentemente na área de inteligência artificial na NeoSpace no Brasil justamente pela capacidade dela desenvolver modelos treinados com dados.

Então a qualidade de desenvolvimento e o talento estão presentes no Brasil. O que eu gostaria de ver mais é o investimento estrangeiro prospectando no país em outras áreas”, diz, acrescentando que, além do talento e da capacidade tecnológica, há um espírito empreendedor nos brasileiros.

“Precisamos transcender a discussão de investimento estrangeiro em commodities para cada vez mais entrar em tecnologia.” No mesmo painel de discussão, o diretor executivo Mauro Ribeiro Neto, da Votorantim, foi na mesma linha, dizendo que o Brasil já é reconhecido por ser um grande exportador, mas para além disso, é também um país que vem se fortalecendo no segmento financeiro.

“Posso estar enviesado, mas sou bastante ‘bullish’ [otimista] com o setor financeiro. Principalmente ao olhar para o varejo bancário, acho que estamos no início de uma disrupção no segmento.

Há muitas mudanças regulatórias que, atreladas às novas tecnologias, abrem espaço para pequenas empresas", afirma. “O capital já está vindo para essas oportunidades, mas em magnitude pequena.

Como vimos mudanças no setor elétrico em 2004 a 2006, que geraram enormes investimentos, acho que veremos algo semelhante no varejo bancário.” Para o executivo da Votorantim, o Brasil já passou pela fase de democratização bancária e agora caminha para a democratização de crédito.

“Vamos ver crédito justo chegando na ponta, com custo adequado à garantia.” Já o fundador e presidente-executivo da BR Partners, Ricardo Lacerda, diz que o setor de energia e infraestrutura no Brasil ainda apresenta oportunidades enormes para os estrangeiros.

“Mas vale lembrar que a questão do custo de capital ainda pesa porque estamos olhando investimentos de muito longo prazo e as curvas de juros estão com as taxas em 15% e 16% por período indeterminado, o que dificulta o investimento, mas o potencial de ambos os setores, assim como o setor de assistência médica, é enorme.”

Lacerda diz, ainda, que é preciso ter uma conscientização dentro do Brasil de que o país precisa do capital estrangeiro para poder crescer. “Não estamos fazendo um favor, ao deixar o investidor ir para o Brasil.

Pelo contrário, precisamos criar condições para que ele vá e leve o capital.” (*O jornalista foi a Chicago a convite da MBA Brasil)

Publicação Original Valor valor.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →