O inverno tem um jeito de fazer o escritório, o trem e a fila para buscar as crianças na escola parecerem uma enorme placa de Petri cheia de germes e potenciais infecções. Também é a época em que muitos de nós deixamos, discretamente, a rotina de exercícios de lado. Duas drogas são encontradas pela primeira vez no mundo em saliva humana e Ministério da Justiça brasileiro emite alerta França registrou quase 8 mil mortes adicionais durante verão de 2026, o mais quente desde 1900 Com o sol nascendo mais tarde e um edredom quentinho, correr na chuva ou na neve perde o encanto. Mas será que pular esse treino realmente pode aumentar as chances de você pegar gripe ou alguma virose sazonal? A resposta curta: praticar exercícios físicos moderados regularmente provavelmente reduz o risco de pegar um resfriado ou gripe. Mas não vai curá-lo depois que você já estiver doente, e mais exercício nem sempre é melhor. Exercício e o sistema imunológico Quando você se exercita, seus músculos se contraem e liberam proteínas sinalizadoras chamadas miocinas. Esses mensageiros químicos naturais ajudam a mobilizar células imunológicas benéficas, especialmente as células NK (natural killer) e os linfócitos T, redistribuindo-as pela corrente sanguínea e pelos tecidos do corpo. Isso melhora a resposta do sistema imunológico às ameaças, tornando o organismo mais eficiente no combate às infecções. OMS vê 'sinais promissores' no combate ao Ebola na RD Congo, mas destaca que epidemia pode durar meses No entanto, esse efeito não é permanente. Dentro de algumas horas após o exercício, a contagem dessas células, que é uma medida de como o sistema imunológico está respondendo, retorna ao normal. Mas pesquisadores acreditam que episódios repetidos desses “impulsos” imunológicos se acumulam ao longo do tempo, construindo um sistema imunológico capaz de detectar e responder aos vírus de forma mais eficiente. A prática regular de exercícios moderados também parece reduzir a inflamação crônica, que, de outra forma, prejudica o funcionamento adequado do sistema imunológico. As evidências sustentam essa ideia, embora não de forma perfeita. Uma revisão de estudos publicada em 2022 concluiu que pessoas fisicamente ativas relatam consistentemente menos infecções respiratórias do que aquelas que praticam pouca ou nenhuma atividade física. Autópsia de adolescente revela a chegada de uma droga mortal a São Francisco, nos EUA Prevenção, não cura O exercício não reduzirá a duração de um resfriado que você já tenha, e não há evidências de que uma sessão intensa na academia “elimine” um vírus pelo suor. O que as pesquisas apoiam é o uso do exercício como ferramenta preventiva. Pense na atividade física como uma maneira de reduzir suas chances de adoecer, e não de evitar completamente uma doença. Mesmo pessoas em ótima forma física pegam resfriados e gripes. Há também uma ressalva, às vezes chamada de curva em “J” da imunidade: exercícios muito prolongados e de alta intensidade podem levar a uma queda temporária da função imunológica nas horas seguintes. Isso afeta principalmente atletas de endurance que realizam grandes volumes de treinamento, como quem está se preparando para uma maratona, e não alguém que faz uma caminhada na hora do almoço. Câncer de pulmão: 8 em cada 10 casos em SP são descobertos em estágio avançado, revela estudo No entanto, pesquisas mais recentes questionam o tamanho real desse risco. Para a maioria das pessoas, ultrapassar a quantidade saudável de atividade física semanal não costuma ser uma preocupação. De quanto exercício e atividade física você realmente precisa? Você não precisa treinar como um atleta. As diretrizes recomendam que adultos realizem entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. Também é possível combinar atividades moderadas e vigorosas para atingir um volume equivalente. Intensidade moderada significa qualquer atividade que aumente perceptivelmente sua frequência cardíaca e sua respiração: uma caminhada acelerada, ciclismo, natação, juntar folhas no quintal ou até dançar na cozinha. Não precisa ser um “treino” formal. Intensidade vigorosa refere-se a qualquer atividade que faça você ficar ofegante. O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade? Uma forma de testar a intensidade do exercício é o chamado “teste da fala e do canto”. Em intensidade moderada, você consegue conversar, mas não cantar. Em intensidade vigorosa, você não consegue falar sem fazer pausas para recuperar o fôlego. Encontrando motivação quando está frio e escuro Manter a motivação durante o inverno é realmente um desafio. Mas algumas estratégias podem ajudar: trate o exercício como um compromisso fixo, e não algo para o qual você “encontrará tempo”; leve a atividade para ambientes fechados nos dias de mau tempo; divida o exercício em períodos menores, como três caminhadas de cinco a dez minutos. Elas funcionam tão bem quanto uma única sessão de 30 minutos; exercite-se com um amigo, se isso ajudar você a manter o compromisso; saia ao ar livre sempre que possível, especialmente quando houver sol. Exercitar-se ou descansar? A pergunta de um milhão de dólares As decisões mais difíceis surgem quando você não está exatamente doente, mas se sente indisposto. Muitos profissionais de saúde utilizam uma regra simples chamada “checagem do pescoço”. Isso significa que, se os sintomas estiverem acima do pescoço, como coriza, espirros ou uma leve dor de garganta, exercícios leves a moderados geralmente são aceitáveis, embora seja sensato reduzir a intensidade e a duração. Se você apresentar sintomas abaixo do pescoço, como tosse com comprometimento do peito ou desconforto gastrointestinal, ou sintomas que afetam o corpo inteiro, como febre, dores no corpo ou fadiga intensa, descansar costuma ser a melhor opção. Praticar exercícios com febre aumenta ainda mais a temperatura corporal, pode agravar a desidratação e acrescenta esforço ao coração. Quem fica com o rim? Os chatbots de IA não fazem as mesmas escolhas morais que os humanos Se você está apenas se sentindo sem energia ou dormiu pouco, em vez de estar realmente doente, uma caminhada leve dificilmente causará problemas e pode até ajudar. Mas esse também é um bom momento para priorizar o sono e diminuir a intensidade da atividade em vez de insistir em um treino pesado. Nada disso transforma o exercício em um substituto para a vacina contra a gripe, para a lavagem das mãos ou para ficar em casa quando você está transmitindo uma doença. Mas, como um dos poucos hábitos de inverno que realmente estão sob nosso controle, praticar exercícios e manter-se fisicamente ativo de forma regular é uma maneira razoável e de baixo custo de aumentar suas chances de permanecer saudável. *Matthew Ahmadi é professor associado de Saúde Digital na Universidade Monash; Joanne Caldwell Odgers é professora sênior de Fisiologia na Universidade Monash e Nicholas Koemel é pesquisador sênior em Saúde Digital na Universidade Monash. *Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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Praticar exercícios físicos regularmente quando o tempo está mais frio impede que você fique doente?
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O Globo
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