Uma colisão com o goleiro do Andorra levou o jogador Jesús de Miguel à morte. O atacante do Tenerife morreu aos 30 anos nesta terça-feira, 3, após graves complicações neurológicas causadas por uma parada cardiorrespiratória sofrida na noite anterior, em decorrência de um choque violento com Jesús Owono, em partida válida pela segunda divisão espanhola.
De Miguel foi atingido na região do peito pelo joelho do goleiro Owono. Ele chegou a ter o pulso reanimado durante o transporte de ambulância para a UTI, mas não resistiu às consequências neurológicas, que ocorrem devido à falta de oxigênio no coração, órgão que transporta sangue para o corpo inteiro.
O quadro é conhecido como hipóxia. “Quando você tem uma parada cardíaca, significa que o coração está parado, e é o coração que manda sangue para o cérebro”, explica a VEJA Antonio Carlos Avanza, presidente do Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
As células cerebrais, continua Avanza, são especialmente sensíveis à ausência de oxigênio, que pode levá-las à morte. Danos irreversíveis, no entanto, normalmente acontecem quando a duração da parada cardíaca foi longa demais.
“Quanto maior o tempo de parada, maior será o dano às células nervosas”, resume o médico. Continua após a publicidade
O trauma que atingiu De Miguel, segundo o especialista, é tecnicamente conhecido como commotio cordis. Trata-se de um quadro raro e grave que pode ocorrer após um impacto repentino no tórax.
O impacto, por sua vez, pode interromper momentaneamente os batimentos cardíacos e causar uma parada cardíaca. Por ser mais comum em esportes como o futebol, a presença do Desfibrilador Externo Automático (DEA) em campo é fundamental, aponta Avanza.
Esse é o dispositivo médico usado em situações de parada cardiorrespiratória para analisar o ritmo do coração e aplicar uma descarga elétrica controlada. Continua após a publicidade
O choque ajuda a reorganizar as células musculares e restabelecer um batimento cardíaco normal. “Se não for tratada de imediato, a fibrilação do coração pode levar a óbito”, diz.
Segundo Avanza, lesões neurológicas, como no caso de De Miguel, não são frequentes e estão diretamente relacionadas ao tempo de atendimento e à duração da parada cardíaca. Quanto mais rápido o socorro e menor o período sem circulação sanguínea, menores são os riscos de danos às células nervosas.
Continua após a publicidade As diretrizes de cardiologia e medicina de emergência, como as da SBC, e recomendações internacionais da FIFA para eventos esportivos enfatizam que, em casos de parada cardíaca ou emergências graves em campo, a resposta médica deve ser imediatamente iniciada.
A recomendação é que o atendimento com suporte básico e o acesso ao DEA ocorram idealmente entre 3 e 5 minutos do início da parada para maximizar as chances de sobrevida, que caem de 7% a 10% a cada minuto sem RCP e desfibrilação. Publicidade
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