A Chloe tem 2 anos e meio, carinha de anjo e faro de policial. A cadela da raça Jack Russell Terrier faz parte, há seis meses, da equipe K9 da Divisão de Operações com Cães (DOC) da Polícia Penal de Santa Catarina, em São Pedro de Alcântara, e participa de operações reais para encontrar drogas, armas de fogo e aparelhos eletrônicos.
A Chloe chegou à divisão pelas mãos do policial penal Alexandre Ferreira, condutor dela. Ele ficou com a cadela aos 60 dias de vida, já com a ideia de prepará-la para o trabalho policial.
Alexandre conta que percebeu, no próprio canil, que a equipe precisava de um cão menor, capaz de entrar em lugares onde os cães grandes não entram. Nos treinos, a Chloe mostrou aptidão para identificar o cheiro de drogas, armas e eletrônicos.
A proposta de usar a cadela no serviço foi levada à direção da unidade e aprovada. Como a Chloe é particular, ela trabalha para o Estado por meio de um termo de cessão de uso.
A Chloe faz o mesmo treinamento dos outros cães da divisão e já atuou em ações com outras forças de segurança. Em uma operação de busca de eletrônicos, segundo Alexandre, a cadela encontrou um celular que estava bem escondido embaixo de uma poltrona.
O tamanho ajuda. O Jack Russell Terrier surgiu na Inglaterra para a caça à raposa, função que pedia agilidade, energia, persistência e jeito para explorar espaços estreitos.
Nas unidades prisionais, o porte pequeno permite que a Chloe chegue a camas de cima, beliches e até áreas sobre o forro. Alexandre explica que a polícia costuma escolher cães maiores, porque eles cumprem várias funções, como faro, guarda e proteção e busca e captura.
A Chloe não serve para guarda, mas o faro de cão de caça e o gosto pela bolinha deixam o treino mais fácil e constante. A preparação começou nos primeiros meses de vida, com socialização, obediência básica e adaptação a diferentes ambientes.
A cadela foi apresentada aos poucos a superfícies como areia, grades e pisos instáveis, sempre com brincadeiras como estímulo. A Chloe também teve contato controlado com gatos, pássaros, galinhas e outros cães.
O objetivo era que ela mantivesse o foco mesmo diante de distrações durante o trabalho. Hoje, segundo o condutor, ela convive bem com os outros cães da equipe.
A partir dos sete meses, começou a especialização, com os odores que interessam à polícia e simulações de situações reais. Essa fase inicial já foi concluída, mas o treino de um cão policial não para.
Para a Chloe, trabalho é diversão. “Trabalhar pra ela é tudo que ela quer, porque pra ela é uma brincadeira”, diz Alexandre.
Depois do plantão, a cadela vai para casa com o policial, onde vive como pet. Em casa, segundo ele, a Chloe é arteira: se ficar muito tempo sozinha, destrói a casa toda.
“É só uma carinha de anjo”, brinca. © Jornal Razão.
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