Um novo sistema de radares na Ponte Rio-Niterói vai identificar se o motorista manteve a velocidade acima do limite ao longo de 9km no sentido de Niterói, mesmo que ele freie ao passar pelos equipamentos. A instalação está na fase inicial, mas a concessionária que administra a ponte ainda não informou quando a coleta de dados vai começar.
O sistema vai funcionar entre os quilômetros 323,7 e 332,72. Durante o teste, a velocidade média registrada não vai gerar multas. Os radares convencionais continuam funcionando normalmente. No radar comum, a velocidade é medida apenas no ponto em que o veículo passa. O novo sistema vai comparar a placa e o horário do veículo em dois locais para calcular o ritmo mantido ao longo de todo o trajeto. Em entrevista à CBN, o sociólogo e especialista em segurança viária e educação para o trânsito Eduardo Biavati explicou que a principal mudança está no alcance da fiscalização.
"No radar comum, o sensor registra a infração com foto no exato milissegundo em que o veículo passa acima da velocidade. Já nesse novo sistema, nós temos dois radares. Não adianta mais dar aquela reduzida para não ser flagrado pelo primeiro aparelho, voltar a acelerar e frear de novo antes do segundo. Como são duas medições, se a velocidade máxima da via é X e você chegou antes da hora no ponto 2, é porque você correu no trecho. Você vai ser autuado, não adianta mais tentar enganar." Ponte Rio-Niterói vai testar radar de velocidade média. Arte gerada por IA O teste vai durar 180 dias, contados a partir do início efetivo do monitoramento. A concessionária também precisa colocar placas para avisar aos motoristas.
Durante essa fase, o cálculo da velocidade média não vai resultar em infração ou multa. Isso não suspende a fiscalização que já existe na Ponte. Os radares convencionais continuam funcionando e podem registrar infrações normalmente. Eduardo Biavati ressaltou também que experiências internacionais mostram que, com o novo método, todos saem ganhando. "A experiência na Inglaterra, Itália, Austrália e Espanha mostra que a fiscalização por velocidade média é bem mais eficiente para a segurança no trânsito. A curto prazo, já se vê uma redução importante de acidentes ou, quando eles acontecem, os ferimentos de quem está no veículo são menos graves. De quebra, isso melhora a segurança geral de todos os usuários. No final das contas, todo mundo sai ganhando." No Reino Unido, um levantamento encontrou redução média de 36% nas colisões com mortos ou feridos graves nos trechos que passaram a usar esse tipo de radar. O total de acidentes com vítimas caiu 16%. A tecnologia também já é testada no Brasil. Desde 2024, um trecho de 11 quilômetros da BR-050, entre Uberaba e Delta, em Minas Gerais, tem um monitoramento semelhante, também com caráter educativo. Além da Ponte, a ANTT autorizou testes em outros quatro trechos no estado. Dois ficam na BR-101, entre Itaboraí e São Gonçalo. Os outros estão na BR-116, em Nova Iguaçu e Teresópolis.
Os resultados vão ser enviados todos os meses à ANTT. Uma possível aplicação de multas pela velocidade média ainda depende de novas avaliações e autorizações.
CBN