Polinésia Francesa aposta na água fria do oceano a cerca de 1 mil metros de profundidade para climatizar seus edifícios; entenda

Polinésia Francesa aposta na água fria do oceano a cerca de 1 mil metros de profundidade para climatizar seus edifícios; entenda - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Como refrigerar grandes edifícios para combater as altas temperaturas e reduzir a pegada de carbono? Na Polinésia Francesa, o sistema SWAC permite fazer isso com água fria extraída das profundezas do oceano. Veja vídeo: Tubarão é visto nadando em rua alagada durante tempestade nos Estados Unidos Onde está Samba? Capivara ‘fugitiva’ vira celebridade após passar mais de seis meses desaparecida na Inglaterra Caribe em Ipanema: Descoberta de bancos de algas calcárias cor-de-rosa surpreende pesquisadores; veja O princípio é simples: bombear água do mar a cerca de mil metros de profundidade, onde a temperatura é de 5 °C, até a superfície. Depois, por meio de um trocador de calor, resfria-se a água doce de uma rede de climatização de um grande edifício ou de um bairro. Dois hotéis de luxo nas ilhas de Bora Bora e Tetiaroa foram pioneiros nessa técnica. E, desde julho de 2022, o Centro Hospitalar da Polinésia Francesa (CHPF, Centre Hospitalier de Polynésie Française), na ilha do Taiti, conta com o maior sistema SWAC (Sea Water Air Conditioning, ou Climatização com Água do Mar, em tradução livre) do mundo. A instalação do sistema é cara: 31 milhões de euros (34,8 milhões de dólares) no caso do hospital, que economiza mais de 1,6 milhão de euros (1,8 milhão de dólares) em eletricidade por ano e prevê amortizar o investimento em cerca de 15 anos. É uma aposta rentável e ecológica, pois, no Taiti, metade da eletricidade é gerada a partir de óleo combustível (fuel), enquanto a outra metade provém de energia hidrelétrica e solar. Embora ainda seja necessária eletricidade para alimentar as bombas e as instalações técnicas, "reduzimos em dez vezes o nosso consumo de eletricidade para a produção de frio (refrigeração) e ainda podemos otimizar os parâmetros", aponta Beverley Chui, responsável pelos serviços técnicos do hospital. O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular Quer morar fora? Guia reúne informações sobre 36 países Modelo exportável O edifício mantém operacional o antigo sistema de produção de frio para casos de avaria — algo que já ocorreu duas vezes em quatro anos —, garantindo a climatização dos quartos dos pacientes, laboratórios, centros cirúrgicos e até mesmo do necrotério. O sistema SWAC deste hospital tornou-se uma referência mundial e recebe engenheiros e representantes de instituições de todo o mundo. — É verdade que a sua implementação exige um grande investimento, sendo necessário apoio financeiro, mas, uma vez construído, é fácil de manter — afirma o empresário japonês Masahiko Hakayu, que planeja instalar um sistema semelhante em Taiwan. Essa combinação de climatização e ventiladores permite reduzir a necessidade de refrigeração e, consequentemente, captar a água a uma profundidade menor. Incrível: Expedição aos cânions submarinos de mar argentino confirma descoberta de 57 novas espécies Onça em miniatura: Conheça o tilcayo, primeira espécie de felino descrita em mais de 100 anos que de pet nada tem Com um projeto adequado, a tecnologia também pode ser aplicada em muitas outras áreas costeiras, especialmente nos litorais do Atlântico e do Mediterrâneo. Segundo Franck Lucas, pesquisador em engenharia de processos e sistemas energéticos da Universidade da Polinésia Francesa, "os sistemas SWAC atuais apresentam um desempenho energético entre 7 e 10 vezes superior ao da climatização convencional". O sistema pode ser o prelúdio de algo ainda mais ambicioso: a chamada energia térmica oceânica (ETO), que ainda se encontra em fase experimental. Nesse caso, também se bombeia água fria das profundezas, mas a diferença de temperatura em relação à superfície é utilizada para gerar eletricidade.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo