A Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) identificou a apoiadora do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) suspeita de cometer injúria racial contra o estudante de Direito Marcio Fidelis, de 32 anos, após a manifestação em apoio ao senador na Avenida Paulista, neste domingo. Em vídeo publicado nas redes sociais, é possível ver a mulher xingando o homem e proferindo falas racistas.
A Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP-SP) informou que a apoiadora e os agentes que atenderam a ocorrência serão intimados a comparecer na delegacia para prestar depoimento. O caso foi registrado como injúria racial e é investigado pela Delegacia do Metropolitano.
Manifestação de Flávio na Paulista reuniu 72 mil pessoas, e ato pró-Lula no Rio teve 56 mil, aponta monitor da USP Apoiadores de Flávio Bolsonaro levam míssil inflável com pedido para Trump bombardear o Brasil a ato na Paulista
O episódio ocorreu na estação Vila Sônia Professora Elisabeth Tenreiro, da Linha 4-Amarela do metrô em São Paulo. Segundo a SSP-SP, as imagens das câmeras de segurança do local "serão requisitadas para auxiliar nas investigações".
Fidelis afirma que as ofensas começaram após ele separar uma briga envolvendo a senhora e três apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao interferir para que a discussão não resultasse em agressões e tentar acalmá-la, o estudante disse que não fazia sentido a bolsonarista brigar por política.
A mulher, então, insinuou que ele estava com os petistas e começou a agredi-lo verbalmente. — As três pessoas saíram e eu fiquei acalmando ela, porque não fazia sentido ficar brigando ali.
Independentemente dela ser bolsonarista e eles não, disse que não ia resultar em nada. E aí, a partir do momento em que falei “bolsonarista”, ela começou a me xingar — relata Fidelis em pronunciamento no Instagram.
O homem conta que começou a filmar as ofensas da mulher e se afastar, mas ela começou a segui-lo proferindo palavras de ódio. No vídeo, ele alerta que a mulher está sendo racista, mas ela intensifica os ataques.
— Na hora, você se sente culpado de ter saído de casa, de não saber como reagir. Eu sei que eu não tenho culpa, mas é difícil tirar esse sentimento de culpa que a gente carrega agora.
Se eu não tivesse saído de casa, talvez isso não teria acontecido. Não é a primeira, vai acontecer mais vezes, a gente sabe, o racismo está aí no nosso país há muito tempo, a gente chora, só que precisamos denunciar, não podemos deixar passar, que é o que eu vou fazer — conta Fidelis.
A concessionária Motiva, que administra a Linha 4-Amarela onde o episódio ocorreu, informou que Agentes de Atendimento e Segurança (AAS) atenderam a ocorrência na estação e encaminharam Fidelis a uma delegacia para registar o Boletim de Ocorrência (B.O), mas ele teria optado por não seguir naquele momento.
O estudante realizou o B.O nesta segunda-feira. “A concessionária reforça a importância de os clientes registrarem formalmente os casos ocorridos nas estações, seja com as equipes de segurança das plataformas ou junto às autoridades policiais, ainda que num momento posterior.
A empresa repudia veemente qualquer manifestação de racismo e discriminação e permanece à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos”, diz a Motiva em nota. Já o Ministério Público de São Paulo (MPSP) pontuou em nota que, por meio do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (GECRAD), “já tomou conhecimento dos fatos e requisitou a instauração de inquérito policial para se investigar o crime de injúria racial em questão”.
No Brasil, racismo (Lei nº 7.716/1989) e injúria racial (Art. 2º da Lei nº 7.716/1989) são crimes inafiançáveis com penas de dois a cinco anos de prisão.
“Bloco 22” O episódio ocorreu após a manifestação do candidato do PL na Avenida Paulista neste domingo.
Intitulado “Bloco 22”, o ato reuniu 72 mil pessoas, segundo estimativas do Monitor do Debate Político da USP/CEBRAP e da More in Common. A manifestação também contou com a presença de apoiadores de Flávio Bolsonaro, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Durante o ato, bolsonaristas levaram um míssil inflável com um pedido para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ataque o Brasil com armas nucleares. *Estagiária sob supervisão de Cibelle Brito
O Globo