O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou nesta quinta-feira a preparação para não responder a provocações de Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate da TV Globo na sexta-feira e detalhar propostas para um eventual quarto mandato. O petista reservou a quinta e a sexta-feira para se preparar para o embate com o presidenciável do PL, último confronto antes do segundo turno, no domingo.
A campanha quer mostrar um "Lula calmo e à vontade" nos estúdios Globo, diante de um candidato considerado despreparado pelos petistas. A preparação de Lula é comandada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, mas o petista tem tido conversas com conselheiros.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles e o senador Camilo Santana, compõem o principal núcleo desses auxiliares. Estrategistas da campanha treinam Lula para que ele use o tempo para explicar o que ele fez como presidente e detalhe que vai fazer mais, evitando responder a alfinetadas e ironias de Flávio.
O petista está sendo preparado para mostrar quem entregou mais ao país, sem clima de bate-boca. Aliados tem defendido que Lula chegue à Globo com uma postura mais enfática de cobrança sobre as relações de Flávio com milicianos e com seu amigo Willer Tomaz, investigado no escândalo do INSS.
Lula está sendo treinado para abordar as suspeitas sobre Willer Tomaz. Aliados, no entanto, afirmam que o presidente tem dificuldade de "fulanizar" suas colocações e tem preferência por focar em seu adversário direto.
Na hipótese de voltar a ser questionado sobre Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, Lulinha, deve afirmar que sua atuação está sendo investigada pela PF, sem entrar em detalhes. O debate da Globo terá restrição de movimentação dos candidatos, o que deve evitar que Flávio fique atrás de Lula na câmera, gesto que irritou a campanha petista no debate da Band, no último domingo.
Lula está sendo treinado para falar especialmente atrás do púlpito e com movimentação apenas no quarto bloco, quando haverá espaço para tema livre. Só poderá se movimentar pelo estúdio quem estiver com a palavra.
— Lula vai ficar no púlpito se necessário. Essa estratégia da extrema direita (de ficar atrás do candidato) é usada no mundo inteiro e não vai acontecer neste debate (TV Globo) — afirmou Sidônio na quarta-feira.
Lula contará mais uma vez no treinamento para os debates com o auxílio da jornalista Olga Curado, preparadora de candidatos que mistura princípios do aikido (arte marcial japonesa), psicologia Gestalt, budismo e meditação. Buscar o bom desempenho de Lula no debate da TV Globo integra a estratégia final da campanha para tentar uma virada junto a Flávio.
O foco é em ampliar a rejeição do candidato do PL, comparar projetos e apontar os riscos do retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto. Mediado pelo jornalista César Tralli, o debate da TV Globo terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais.
Três blocos são de temas determinados e um, de tema livre. No primeiro bloco serão realizadas seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do país e a um tema prioritário de âmbito nacional, de forma a aprofundar a exposição de propostas e programas de governo de cada um dos candidatos.
Cada candidato terá três minutos por rodada, divididos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica. No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolherão entre os temas apresentados no telão para fazer as suas perguntas, mantendo a mesma dinâmica de tempo.
Nestes três primeiros blocos, o candidato que tiver a palavra poderá se movimentar pelo cenário livremente. Enquanto isso, o oponente deve se manter em seu púlpito até chegar sua vez de falar.
No quarto bloco, de tema livre, cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções. E poderá se movimentar livremente pelo seu lado do cenário.
Após o término do debate, os candidatos poderão participar de uma entrevista coletiva na sala de imprensa com duração de 10 minutos para cada um. O Fato ou Fake, serviço de checagem do Grupo Globo, preparou uma cobertura especial para verificar as declarações de Lula e Flávio durante o debate. Uma equipe de mais de 30 jornalistas do Grupo Globo vai trabalhar em conjunto para dar agilidade ao processo, sem abrir mão do rigor na apuração.
As primeiras checagens serão publicadas durante o debate no g1 e nos sites dos jornais O GLOBO, "Valor Econômico" e "Extra" e da rádio CBN. O trabalho vai continuar pela madrugada, até que toda a apuração seja concluída.
O Globo