Líderes do movimento jovem indiano "Barata" foram detidos nesta terça-feira (13) após ultrapassarem barricadas para entrar no terreno de um observatório histórico, conhecido por abrigar manifestações, enquanto gritavam palavras de ordem exigindo a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral devido a uma controversa revisão das listas de eleitores.
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Índia detém manifestantes em protesto contra chefe da autoridade eleitoral Apoiadores do Partido Popular Barata (CJP, na sigla em inglês) e grupos de oposição vêm realizando protestos quase diários neste mês para exigir a renúncia do comissário eleitoral Gyanesh Kumar, devido às revisões que, segundo críticos, favorecem o Bharatiya Janata Party (BJP), partido do primeiro-ministro Narendra Modi.
A Comissão Eleitoral negou favorecer qualquer partido e afirmou que eleitores excluídos indevidamente podem se registrar novamente. O BJP, por sua vez, acusou seus adversários de tentar enfraquecer a democracia ao questionar indevidamente procedimentos eleitorais legítimos.
Milhares de pessoas participaram de uma marcha organizada por grupos de oposição na segunda-feira (12), depois que uma repressão policial frustrou os planos do CJP de realizar uma manifestação no fim de semana. A polícia deteve milhares de manifestantes, incluindo líderes do movimento.
A polícia de Délhi anunciou na segunda-feira que o observatório a céu aberto Jantar Mantar, localizado no distrito comercial central da capital, deixaria de ser reconhecido oficialmente como local de protestos e informou que três novos espaços haviam sido designados para manifestações.
O CJP afirmou que seus líderes Ashutosh Ranka, Saurav Das e Ajinkya Shinde estavam entre cerca de 20 voluntários que entraram às escondidas no observatório para "reocupá-lo" e acabaram detidos. "Vocês não podem retirar o reconhecimento da resistência", escreveu o fundador do movimento, Abhijeet Dipke, na rede social X após as detenções.
Maior desafio político para Modi Uma transmissão ao vivo do CJP mostrou cerca de uma dúzia de voluntários pulando um portão e barricadas para chegar ao local, onde agitaram a bandeira indiana e gritaram palavras de ordem antes de serem detidos pela polícia.
A polícia de Délhi não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O movimento jovem, que nos últimos meses mobilizou protestos sobre questões que vão da infraestrutura das escolas públicas à oferta de empregos, representa um dos maiores desafios políticos enfrentados por Modi e seu BJP em seus 12 anos no poder.
Uma manifestação permanente realizada durante semanas por apoiadores do movimento no Jantar Mantar, no início deste ano, levou à renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, devido a vazamentos de provas de exames. Os protestos mais recentes começaram depois que o jornal Indian Express informou, no mês passado, que dois subordinados de Kumar na Comissão Eleitoral haviam levantado internamente diversas preocupações sobre a revisão das listas de eleitores, os procedimentos de registro e os sistemas digitais.
A revisão, iniciada no ano passado, retirou mais de 130 milhões de nomes das listas eleitorais — número superior à população do Japão —, incluindo 28 milhões de pessoas que morreram, 63 milhões que mudaram de endereço e 30 milhões que não puderam ser localizadas. Partidos de oposição alegam que as exclusões afetam de maneira desproporcional eleitores muçulmanos e outras minorias, grupos considerados menos propensos a apoiar o partido governista nacionalista hindu.
A Comissão Eleitoral e o BJP rejeitam essas acusações. Protestos da oposição na Índia pedem saída de chefe de comissão eleitoral
Bhawika Chhabra/Reuters
Valor