247 – O Partido Democrata conquistou uma vitória histórica no Texas ao eleger o deputado estadual James Talarico para o Senado dos Estados Unidos, encerrando um período de 32 anos sem vitórias democratas em eleições estaduais. O resultado representa uma derrota significativa para o presidente Donald Trump, que apoiou o republicano Ken Paxton, procurador-geral do estado, na disputa.
Segundo a agência Reuters, que divulgou o resultado nesta quarta-feira (4), Talarico venceu Paxton nas eleições legislativas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), conforme projeções da imprensa estadunidense. A conquista fortalece os democratas na disputa pelo controle do Senado e altera o cenário político de um estado tradicionalmente dominado pelo Partido Republicano.
A dimensão da vitória fica evidente quando comparada ao desempenho eleitoral recente dos republicanos. Na eleição presidencial de 2024, Trump venceu no Texas com uma vantagem de 14 pontos percentuais.
Dois anos depois, o candidato apoiado pelo presidente foi derrotado em uma disputa considerada estratégica para a manutenção da maioria republicana no Congresso. Derrota de Trump expõe dificuldades republicanas
A eleição colocou frente a frente dois políticos com trajetórias distintas. Talarico, deputado estadual em seu quarto mandato, conseguiu ampliar sua projeção nacional e se consolidou como um dos principais arrecadadores de recursos entre os candidatos ao Senado dos Estados Unidos.
Paxton, por sua vez, chegou à disputa com o apoio de Trump, mas também com um histórico de controvérsias políticas e judiciais. O procurador-geral enfrentou um processo de impeachment em 2023 e esteve envolvido em um caso de fraude de valores mobiliários.
O republicano também ganhou projeção nacional por sua atuação contra o governo do ex-presidente Joe Biden. Durante a administração democrata, Paxton utilizou a estrutura da Procuradoria-Geral do Texas para apresentar mais de 100 ações judiciais contra o governo federal.
Apesar de sua proximidade com Trump e do apoio recebido durante a campanha, Paxton não conseguiu preservar a cadeira republicana no Senado, produzindo uma das derrotas mais expressivas do partido em um estado historicamente conservador. Republicanos gastaram mais de US$ 316 milhões
A dimensão financeira da disputa também evidencia a importância atribuída ao Texas pelos republicanos. Segundo a Reuters, o partido gastou mais de US$ 316 milhões para tentar manter a cadeira no Senado.
A corrida eleitoral foi a mais cara do ciclo, impulsionada por investimentos de grupos externos e pela mobilização de recursos para preservar o controle republicano sobre a representação do estado em Washington. A escolha de Paxton como candidato também provocou divisões internas.
O senador John Cornyn, que ocupava a cadeira, acabou derrotado no segundo turno das primárias republicanas depois que Trump declarou apoio ao procurador-geral. Lideranças do Partido Republicano consideravam Cornyn um candidato mais competitivo para a eleição geral.
A decisão de Trump de apoiar Paxton, portanto, teve consequências diretas sobre a composição da disputa que terminou com a vitória democrata. O resultado coloca em evidência os riscos eleitorais associados à escolha de candidatos alinhados ao presidente, especialmente quando enfrentam adversários capazes de conquistar apoio para além do eleitorado tradicional de seus partidos.
Talarico superou adversários dentro do Partido Democrata A trajetória de James Talarico até a vitória no Texas também foi marcada por disputas internas.
Inicialmente, ele era considerado um candidato com poucas chances diante do ex-deputado federal Colin Allred, que havia concorrido ao Senado pelos democratas em 2024. Allred posteriormente abandonou a disputa pelo Senado para tentar retornar à Câmara dos Representantes, modificando o cenário das primárias democratas.
Talarico enfrentou então a deputada federal Jasmine Crockett, sua antiga colega na legislatura estadual do Texas, e conquistou a indicação partidária. A vitória nas primárias permitiu ao deputado concentrar esforços na eleição geral, ampliar sua arrecadação de recursos e disputar diretamente com Paxton uma cadeira que os republicanos pretendiam preservar.
A campanha de Talarico conseguiu superar os investimentos realizados por organizações externas e pelo campo republicano, culminando na primeira vitória democrata em uma eleição estadual no Texas desde 1994. Resultado pode alterar equilíbrio de forças no Senado
A conquista democrata tem importância que ultrapassa as fronteiras do Texas. Antes das eleições de meio de mandato, os republicanos controlavam o Senado estadunidense com 53 cadeiras, enquanto os democratas e seus aliados ocupavam 47.
Para assumir a maioria, os democratas precisavam obter um ganho líquido de quatro cadeiras, considerando a necessidade de alcançar 51 votos para controlar a Casa sem depender de um eventual desempate da vice-presidência. Nesse contexto, a vitória de Talarico representa um avanço importante para o partido, embora o resultado isolado não determine o controle do Senado.
A definição da maioria depende dos resultados das demais disputas realizadas em todo o país. O Texas possui peso político expressivo nas eleições nacionais e figura entre os estados mais importantes para os republicanos.
A última vitória democrata em uma eleição estadual havia ocorrido em 1994, o que torna o resultado de 2026 um marco para a oposição a Trump. Além de representar uma conquista legislativa, a eleição de Talarico demonstra que os democratas conseguiram romper uma sequência de derrotas em um dos principais redutos eleitorais conservadores dos Estados Unidos.
A derrota de Paxton também amplia o significado político das eleições de meio de mandato para Trump, que se envolveu diretamente na definição da candidatura republicana e viu seu escolhido perder uma disputa considerada fundamental para a preservação da força de seu partido no Congresso.
Brasil 247