A Polícia Civil investiga mensagens de ameaças de morte e de estupro, além de ataques racistas sofridos pela deputada federal mais jovem eleita em Minas Gerais, Ana Elisa, do PT. Em e-mails enviados a ela, no início de setembro, o destinatário se identifica como um integrante de um grupo supremacista branco. O autor ainda mencionou dados pessoais de Ana Elisa para demonstrar que sabe como localizá-la e ainda ameaçou a família dela. No texto, o autor ainda fala em ódio por mulheres negras. Com base nas provas registradas, Ana Elisa fez denúncia à Polícia Civil, que agora investiga o caso. Segundo uma publicação de denúncia feita nas redes sociais da jovem, ela recebeu um e-mail durante a campanha eleitoral. Parte do texto publicado foi borrado por questões de segurança e o conteúdo foi comunicado às autoridades como notícia de crimes.
No mesmo post, a equipe de Ana Elisa afirmou que isso não é debate político, é crime. O conteúdo apresenta indícios de ameaça, racismo e violência política contra a mulher prevista na legislação eleitoral quando a agressão busca impedir ou restringir a participação política de uma mulher em reação do seu gênero, inclusive associada à violência racial.
Na legenda do post, a equipe reforçava que Ana Elisa seguia a candidata e que "ameaçar uma mulher negra para intimidá-la e tentar afastá-la de uma eleição não é opinião. É crime contra ela e contra o direito de quem quer votar nela".
No mesmo dia, outro post foi publicado e Ana Elisa se manifestou sobre o caso: "Almejo pelo dia em que seremos verdadeiramente livres. Nem meus ancestrais e nem eu escapamos do medo da morte matada".
Ana Elisa recebeu mais de 524 mil votos na eleição realizada no último domingo e foi eleita a deputada federal mais jovem de Minas Gerais.
CBN