A aprovação recente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho de 6 por 1 tem mobilizado diferentes setores da economia. Com um período de transição estipulado, a medida impõe novos desafios operacionais e financeiros aos empregadores. Em entrevistas ao CBN Rio, empresário e associação, ambos do setor de bares e restaurantes, analisam como a mudança impacta o dia a dia do mercado no cenário fluminense. Dia do Comerciário: veja o que abre e o que fecha neste feriado VÍDEOS: mãe e irmão de Oruam, além de vereador, são presos em operação da Polícia Federal Para o empresário Antônio Rodrigues, fundador da rede Belmonte, detentora de 27 estabelecimentos na capital, a mudança na legislação trabalhista é vista com naturalidade e serenidade. Com uma trajetória construída desde a base operacional no setor de serviços, Antônio aponta que a reestruturação da jornada faz parte da dinâmica empresarial e não deve representar um obstáculo insuperável. — Isso é uma coisa que a gente já sabia que ia acontecer. E eu não vejo dificuldade. Eu acho importante essa aprovação — afirmou o empresário ao avaliar a medida. Segundo o fundador da rede, a gestão eficiente dos estabelecimentos é o diferencial para absorver eventuais mudanças sem a necessidade de repasses abusivos ou prejuízos estruturais. — Quando você é gestor, você se adapta. É a realidade do mundo. Isso não vai ter como fugir e eu acho que não vai ter problema nenhum, acho que não vai gerar custo para o cliente. É a questão de se adaptar — pontuou o empresário, que resaltou que o foco deve permanecer na organização interna e na manutenção da qualidade do serviço prestado. Inflação e custos preocupam associação Por putro lado, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (Abrasel-RJ) expressa preocupações expressivas quanto aos reflexos financeiros que a nova jornada trará para o mercado de alimentação fora do lar. De acordo com Higino Viegas, diretor executivo da entidade, o impacto imediato recairá sobre o encarecimento da produção e dos serviços.
"O principal impacto é um aumento de custo. Nós teremos um aumento de cerca de 20% no custo de mão de obra, o que vai levar a um aumento de preços nos cardápios em torno de 7%, alguns até mais do que isso. Então, isso aí de alguma forma vai gerar inflação também ", explicou ele, ao detalhar o impacto matemático sobre o orçamento das empresas. A entidade destaca ainda que o setor, composto em sua grande maioria por pequenos negócios com estruturas mais enxutas, precisará de suporte jurídico e contábil rigoroso para evitar o fechamento de portas. Além disso, a associação chama a atenção para o impacto sobre os profissionais que dependem de comissões e gorjetas. "Quem mais está preocupado, realmente, são os garçons, que têm grande parte da sua remuneração com base na gorjeta. Trabalhando um dia a menos, quem é que vai pagar essa gorjeta para ele? Então acho que o governo não pensou nesse impacto para esse trabalhador ", ponderou o representante da Abrasel-RJ. Apesar dos alertas sobre os impactos financeiros e os desafios na gestão de pessoal, a liderança da entidade faz questão de ressaltar que a instituição não se opõe terminantemente à mudança na jornada, mas defende um debate mais aprofundado e cauteloso para salvaguardar a saúde financeira do setor. Para a associação, o cenário ideal exige flexibilidade e acompanhamento de perto para que a transição ocorra de forma equilibrada em todos os formatos de negócio. "A Abrasel não é contra, somos a favor de todas as escalas possíveis, porque já é existente modelo como 4x3 nos países mais desenvolvidos, com economia mais madura. A gente tem que fazer as coisas com responsabilidade. Então, não somos contra, mas queremos fazer as coisas bem feitas", disse.
CBN