A Polícia Federal afirmou que tem "plenas condições técnicas" para encaminhar cópias do conteúdo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal que as solicitaram antes do julgamento sobre o ministro Alexandre de Moraes, previsto para terça-feira. A informação consta de manifestação enviada neste domingo ao presidente da Corte, Edson Fachin. Neste sábado, o presidente do STF havia dado 24 horas para que a corporação informasse quem mantém a custódia e qual é o estado do material extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em nota, a corporação informou que o celular de Vorcaro "permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital". Ainda de acordo com a corporação, uma cópia dos dados extraídos do aparelho foi enviada ao gabinete do ministro André Mendonça em março, a pedido do próprio gabinete. Nessa linha, a PF registrou que "dispõe de plenas condições técnicas para produzir e encaminhar cópia idêntica da extração aos demais gabinetes que a solicitaram, observadas as determinações da Corte e as cautelas de sigilo aplicáveis". A ala aliada a Moraes requereu acesso aos dados do aparelho antes do julgamento de terça-feira, que vai analisar as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a Moraes na véspera de sua prisão, no final do ano passado. O primeiro ministro a requerer acesso aos dados foi Cristiano Zanin. A Fachin, o ministro sustentou que, em sua avaliação, os dados do celular de Vorcaro tem de ser públicos porque já estão abrangidos pela derrubada do sigilo das informações e procedimentos que estão relacionados, de alguma forma, à petição que será analisada na próxima terça-feira, no plenário do STF. Este procedimento foi aberto por Mendonça justamente a partir das mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro. Segundo Zanin, a obtenção da íntegra do celular de Vorcaro visa permitir a "apreciação completa e necessária" do parecer emitido pela Procuradoria-Geral da República sobre o relatório que identificou Moraes como interlocutor de Vorcaro. O chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, defendeu a anulação do documento, sob o argumento de que Mendonça não poderia ter determinado, sozinho, a elaboração do mesmo.
O Globo