O retrato apresentado pela pesquisa do Instituto Quaest neste sábado (24), véspera do segundo turno da eleição para governador do Espírito Santo, mostra vantagem de Lorenzo Pazolini (Republicanos), mesmo com a reação de Ricardo Ferraço (MDB), que tornou o candidato à reeleição bastante competitivo nesta reta final de campanha.
A avaliação é do diretor da Quaest, Felipe Nunes (veja vídeo acima), diante dos 55% dos votos válidos anotados pelo ex-prefeito de Vitória na sondagem, contra 45% das menções ao governador. A pesquisa de véspera considera os votos válidos, que é como TSE contabiliza e divulga o resultado oficial da eleição, excluindo brancos, nulos e abstenções.
A Quaest utiliza ainda um modelo de "likely voter" (eleitores prováveis), que considera apenas os eleitores que têm alta chance de, de fato, ir votar no domingo. “A gente sabe que muitas pessoas na amostra dizem que vão votar em candidato A ou B, mas não necessariamente a aparecem no dia da votação.Tanto que a abstenção no Brasil está crescendo, a alienação eleitoral está crescendo, a gente tem visto isso no Brasil inteiro.
Então, para estimar votos válidos, não é só a intenção de voto que vale. A gente tem que somar a intenção de voto e descontar a probabilidade ou não do eleitor comparecer na urna", explica Nunes.
Ainda na avaliação do especialista, que é Ph.D. em Ciência Política e mestre em Estatística pela Universidade da Califórnia (EUA), a pesquisa Quaest mostra que Ferraço conseguiu mobilizar sobretudo pessoas de baixa renda e de baixa escolaridade, além das mulheres e dos eleitores lulistas ou à esquerda do espectro político.
O diretor da Quast, entretanto, faz uma ressalva. É justamente parte desse eleitorado que é menos propenso a comparecer no dia de votação, de acordo com o modelo de 'likely voter' do instituto.
"O que a gente percebe é que o candidato governista [Ferraço] acaba sendo mais punido, porque o seu eleitor neste momento tem um nível de envolvimento e participação tradicionalmente menor do que o eleitor do seu adversário", afirma Nunes. Pelo comparativo entre rodadas, Nunes avalia que Ricardo captou votos de indecisos, o que encuttou a distância entre ele e Pazolini.
"Neste momento, a pesquisa de véspera está mostrando um cenário de vantagem para o candidato da oposição, mesmo com todo o esforço que a gente observou da rodada da pesquisa anterior para esta, que acabou tornando o candidato governista muito competivo nesta reta final", diz Nunes.
"Ele chegou forte, chegou virando, trazendo indecisos, mas pelo menos agora essa distância acaba se abrindo porque o candidato Lorenzo Pazolini tem um eleitor mais engajado, mais envolvido."
A Gazeta