A inteligência artificial já não é uma experiência isolada para mais da metade das empresas brasileiras. Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria IDC, a pedido da Dell Technologies, 57% das companhias do país já utilizam a tecnologia em escala.
Com a expansão, porém, surgem novos desafios: controlar os custos, garantir a segurança dos dados e preparar a infraestrutura para sustentar aplicações cada vez mais complexas. O levantamento, realizado entre setembro e outubro de 2026 com 250 organizações, revela diferenças importantes conforme o porte das empresas.
Enquanto 72% das grandes companhias já utilizam IA em diferentes áreas do negócio, o percentual cai para 42% entre as pequenas e médias empresas. A expectativa é que esses índices cheguem a 86% e 46%, respectivamente, nos próximos dois anos.
O avanço também deve pesar no orçamento. Atualmente, a inteligência artificial representa, em média, 28% dos investimentos em tecnologia da informação das empresas pesquisadas.
Em 24 meses, a projeção é que essa fatia alcance 42%. Parte dessa pressão está relacionada à popularização dos agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas com diferentes graus de autonomia.
Segundo a pesquisa, 58% das organizações já utilizam esses recursos, percentual que deve chegar a 80% nos próximos dois anos. Para Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil, a prioridade das empresas precisa deixar de ser apenas a adoção da tecnologia.
“O desafio não é simplesmente investir mais em inteligência artificial, mas criar as condições para que esses investimentos se traduzam em resultados concretos e sustentáveis para o negócio”, afirma. O custo da inteligência artificial
Um dos principais pontos de atenção é o consumo de tokens, unidades utilizadas pelos modelos de IA generativa para processar informações. Embora 45% das empresas já monitorem esse consumo, ainda não possuem práticas estruturadas para otimizar os gastos.
Ao mesmo tempo, 93% esperam um aumento no volume de tokens processados nos próximos 12 meses. “É o maior aumento de custos que já vi em 27 anos”, diz o executivo.
A segurança dos dados também preocupa. Entre as organizações entrevistadas, 48% apontam a proteção das informações como obstáculo à adoção de ambientes de nuvem para IA, enquanto 35% mencionam a imprevisibilidade dos custos.
Nesse cenário, 43% das companhias pretendem adotar infraestruturas híbridas, combinando nuvens públicas, privadas e ambientes próprios. Outras 45% planejam implementar práticas de FinOps, voltadas ao monitoramento e à gestão dos gastos com tecnologia.
Apesar dos obstáculos, os resultados já começam a aparecer. Entre as empresas pesquisadas, 52% relatam ganhos de eficiência nos processos, 51% identificam melhorias na produtividade dos funcionários e outros 51% apontam avanços na satisfação dos clientes.
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