247 – O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar apresentou uma leitura contundente sobre o cenário político global durante transmissão no canal Pepe Café. Segundo o analista, o desfecho das eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos marcou uma guinada histórica: a derrota do Partido Republicano no Congresso representou um “câmbio de regime” político interno em Washington, provocado indiretamente pelo fiasco e desgaste da guerra promovida contra o Irã.
Para Escobar, a narrativa inicial da Casa Branca e do Pentágono de que o conflito no Oriente Médio seria uma operação rápida e sem custos eleitorais ruiu diante da realidade econômica e social vivenciada pela população norte-americana. Derrota estratégica no Oriente Médio e isolamento na Casa Branca
Na avaliação do jornalista, os EUA enfrentam um dos maiores reveses estratégicos e militares de sua história recente. O plano de impor uma mudança de governo em Teerã em curto prazo naufragou, deixando o presidente Donald Trump isolado politicamente e transformado no que a tradição política americana classifica como um “pato manco” (lame duck) — um governante sem governabilidade legislativa e forçado a recorrer ao poder de veto para barrar as iniciativas da nova maioria democrata no Congresso.
Escobar ressalta que o descontentamento popular nas urnas não significou necessariamente um endosso irrestrito à plataforma democrata, mas sim uma rejeição direta às consequências da guerra e da gestão republicana: “Os eleitores americanos votaram contra a guerra em si, contra a alta do custo de vida, a disparada do preço dos combustíveis e a perda do poder aquisitivo.
Foi uma resposta direta às escolhas desastrosas da Casa Branca.” O analista prevê ainda intensas disputas internas em Washington, com a busca por “bodes expiatórios” nas Forças Armadas e no Pentágono — incluindo o secretário de Defesa e altos comandantes militares — para responder pelo colapso da estratégia militar.
Reversão geopolítica e a cúpula da APEC em Shenzhen No plano internacional, Escobar projeta um cenário cada vez mais multipolar.
A incapacidade de Washington de ditar regras de forma unilateral deve se evidenciar na próxima cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), em Shenzhen. Uma eventual reunião de cúpula entre os líderes da China, da Rússia e dos EUA colocará em evidência a mudança na correlação de forças global: de um lado, a parceria estratégica eurasiana fortalecida; do outro, uma potência ocidental enfrentando desgaste militar e instabilidade política interna.
Impactos diretos sobre a extrema direita brasileira Outro ponto central destacado por Pepe Escobar diz respeito aos reflexos do resultado eleitoral nos Estados Unidos sobre a política brasileira.
O enfraquecimento do trumpismo no Congresso norte-americano reduz drasticamente a margem de manobra de setores e lideranças da extrema direita brasileira que buscaram refúgio e apoio político em solo americano. Com o controle do Capitólio nas mãos dos democratas, a tendência é de maior pressão contra o uso do território norte-americano como plataforma de articulação antidemocrática, além de investigações sobre redes de influência e financiamento ligadas à oposição radical brasileira.
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