Pernambuco tem 219 mil empresas negativadas e alerta para riscos no caixa na virada de ano

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Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

Pernambuco chega à reta final de 2026 sob um forte alerta para a gestão dos pequenos empresários. Embora a Black Friday e as festas de fim de ano representem oportunidades reais para alavancar o faturamento, o período acumula uma concentração de despesas que pode comprometer a saúde financeira das empresas já nos primeiros meses de 2027.

Gastos com 13º salário, férias, encargos trabalhistas, impostos e compromissos com fornecedores precisam entrar no planejamento financeiro bem antes de dezembro. O cenário exige cautela diante dos indicadores regionais.

Segundo dados da Serasa Experian, Pernambuco registrou cerca de 219 mil empresas inadimplentes em agosto de 2026, o segundo maior número do Nordeste, atrás apenas da Bahia, que somou 334,9 mil CNPJs negativados. Em toda a região nordestina, o montante de dívidas acumuladas por aproximadamente 1,2 milhão de empresas negativadas atinge R$ 19,9 bilhões.

A gravidade do endividamento chama a atenção justamente em um momento de forte expansão do empreendedorismo local. De acordo com o Sebrae, Pernambuco soma 651,1 mil pequenos negócios ativos, responsáveis por 93,9% dos estabelecimentos em operação no estado.

Somente entre janeiro e agosto deste ano, foram abertos 112,2 mil novos pequenos negócios, gerando um saldo positivo de quase 22 mil empregos formais no primeiro semestre. @@NOTICIAS_RELACIONADAS@@

Para o especialista em controladoria e finanças Danilo Mandarino, da Methodus Contabilidade, o maior erro da categoria na reta final do ano é confundir aumento nas vendas com sobra de caixa para os meses seguintes. “O empresário pode vender muito em novembro e dezembro e, mesmo assim, enfrentar dificuldades graves em janeiro.

Isso acontece porque faturamento não é a mesma coisa que dinheiro disponível em caixa. Muitas vendas são parceladas no cartão, enquanto salários, impostos e fornecedores cobram pagamentos em datas específicas.

Sem esse controle, a empresa corre o risco de começar o ano no vermelho”, explicou Danilo Mandarino. A fragilidade das pequenas empresas se intensifica pela margem de segurança financeira reduzida, onde qualquer atraso de cliente ou gasto imprevisto impacta a operação.

Segundo Mandarino, cinco falhas principais costumam comprometer o caixa dos negócios nessa época do ano: Falta de reserva para encargos: Não provisionar previamente o 13º salário, a folha e os tributos, utilizando esses recursos para cobrir a rotina.

Confusão entre contas físicas e jurídicas: Misturar as finanças pessoais dos sócios com o caixa do negócio, reduzindo o capital de giro. Descuidado com prazos de recebimento: Ampliar o parcelamento para atrair clientes sem avaliar o intervalo real até a entrada do dinheiro.

Estoques excessivos: Comprar produtos além da demanda projetada para as festas, travando o capital de giro em mercadorias. Planejamento tardio: Deixar para organizar as contas de janeiro apenas depois das festividades de fim de ano.

Para atravessar a virada de ano sem sobressaltos, a recomendação técnica é estruturar uma projeção de fluxo de caixa para pelo menos os próximos três meses, mapeando entradas previstas, despesas fixas, obrigações com fornecedores e parcelamentos a receber. Além disso, o analista destaca a necessidade de monitorar de perto a margem de lucro real de promoções e descontos agressivos.

“O objetivo do fim de ano não é simplesmente vender mais no Natal. É garantir que a empresa consiga pagar seus compromissos, manter os funcionários e continuar funcionando com saúde em janeiro e fevereiro.

Um bom resultado de vendas precisa se transformar em equilíbrio financeiro para o ano seguinte”, concluiu Mandarino.

Publicação Original Folha de Pernambuco folhape.com.br
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