Participação do Mossad na fuga de Flávio resgata elo entre o órgão israelense e o clã Bolsonaro

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – As relações entre o clã Bolsonaro e estruturas de inteligência de Israel ganharam um novo capítulo após a revelação de que a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do território nacional rumo aos Estados Unidos contou com a participação direta de um ex-agente do Mossad, o serviço de espionagem israelense, segundo relato de Elijonas Maia, da CNN Brasil.

A travessia terrestre ocorreu em duas vans pela Ponte Internacional da Fraternidade (Ponte Tancredo Neves), na fronteira entre Foz do Iguaçu e a cidade argentina de Puerto Iguazú. Os veículos de placas TBB 4A65 e FDF 8E91 cruzaram a fiscalização sem a exigência de apresentação de passaportes pelos motoristas para a entrada no país vizinho.

O transporte do parlamentar foi realizado por um ex-vereador do município paranaense, enquanto o filho do ex-político conduziu a esposa e as duas filhas do senador de forma separada. Investigadores brasileiros constataram que o auxílio externo a Flávio se consolidou ainda na reta final do segundo turno das eleições.

O ex-agente israelense, naturalizado norte-americano, desembarcou no Brasil em 19 de outubro e escoltou o senador desde Brasília até o território argentino, viajando na mesma van que o parlamentar durante a passagem pela fronteira. Em Puerto Iguazú, a família embarcou em um jato particular Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela companhia argentina Baires Fly.

A aeronave realizou uma parada técnica para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de pousar por volta das 10h30 no aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida. A logística do voo fretado foi articulada por Jason Miller, estrategista político do presidente Donald Trump e atual funcionário especial do governo dos Estados Unidos na Casa Branca, segundo apuração divulgada pelo New York Times.

Ao desembarcar em solo norte-americano, Flávio apresentou passaporte diplomático, a despeito do cancelamento do documento efetuado pela Polícia Federal. Fontes do governo brasileiro classificam o episódio como uma “exfiltração” — procedimento de transferência oculta, não autorizada e intencional de indivíduos para fora de uma área protegida ou sob monitoramento — e avaliam que as evidências comprovam o apoio prestado por agentes nacionais e pelas estruturas estatais dos governos da Argentina, sob a presidência de Javier Milei, e dos Estados Unidos.

Articulação prévia com o serviço secreto de Israel A presença de um antigo integrante da espionagem israelense no plano de fuga resgata episódios anteriores de atuação da família Bolsonaro em favor de interesses do governo de Israel.

Em manifestação divulgada na rede social X, o jornalista Carlos Alberto Jr., criador do podcast Roteirices, relembrou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) admitiu em 2025 ter articulado junto a órgãos brasileiros, a pedido do ministro israelense da Diáspora, Amichai Chikli, para facilitar a saída do país do soldado Yugal Vagdan.

Vagdan era alvo de um pedido de prisão apresentado à Justiça brasileira pela fundação pró-Palestina The Hind Rajab Foundation, que o acusava de crimes de guerra cometidos na Faixa de Gaza por meio da demolição de edifícios residenciais que serviam de abrigo para civis deslocados.

Diante do avanço da denúncia de 500 páginas, o militar fugiu para a Argentina e, posteriormente, retornou a Israel após o encerramento do caso pelas autoridades brasileiras. O parlamentar paulista chegou a se encontrar com o soldado israelense em território estrangeiro meses após o episódio.

Reportagem publicada pelo jornal The Jerusalem Post em janeiro de 2025 detalhou que a atuação de Eduardo Bolsonaro foi decisiva para o arquivamento das apurações. A manobra envolveu uma campanha na internet promovida conjuntamente pelo Ministério da Diáspora de Israel e pelo deputado brasileiro.

Na ocasião, o próprio Eduardo narrou como foi abordado pelo integrante do governo israelense: “poucos minutos depois de eu ter postado o vídeo, meu telefone tocou. O identificador de chamadas mostrava uma bandeira de Israel, então presumi que fosse a Embaixada de Israel e atendi em português.

Mas não era a embaixada — era o Ministro da Diáspora, Amichai Chikli, que cuida do combate ao antissemitismo”, relatou Bolsonaro. “Pensei: ‘Nossa, a inteligência israelense é impressionante — apenas um minuto depois da minha publicação, e eles já estão me ligando’”, completou o parlamenta.

Ao resgatar os fatos, o jornalista questionou se é compatível com o ordenamento jurídico nacional que um parlamentar atue prestando serviços ou atendendo a demandas de órgãos de inteligência e autoridades de governos estrangeiros: “Eduardo Bolsonaro é um agente do Mossad? É normal um parlamentar brasileiro e escrivão da Polícia Federal prestar serviços para serviços secretos estrangeiros?”.

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