Paraguaios protestam nas ruas após quebra de banco digital e bloqueio de contas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Correntistas e aposentados clientes do banco digital paraguaio Ueno realizaram protestos no centro de Assunção e em frente à residência oficial do presidente do Paraguai, Santiago Peña, para exigir a devolução integral de seus recursos, depois que o Banco Central do país assumiu o controle da instituição, em meio a um escândalo financeiro.

Segundo o jornal paraguaio ABC Color, centenas de cidadãos revoltados iniciaram uma manifestação pacífica em frente ao Panteão Nacional dos Heróis, mas logo o protesto acabou em tumultos e confrontos quando um grupo de manifestantes tentou avançar em direção à sede do Congresso Nacional e foi contido pela Polícia Nacional.

Outro grupo se concentrou em frente à residência oficial de Mburuvicha Róga. Com cartazes nos quais se lia que “O Estado deve garantir 100% dos recursos”, os manifestantes fizeram críticas diretas ao chefe de Estado.

Também exigiram a devolução do dinheiro do Instituto de Previdência Social (IPS) e dos fundos de aposentadoria que ficaram retidos na instituição financeira em processo de liquidação. Na segunda-feira, o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o chamado procedimento de resolução do Ueno Bank, depois de constatar que o banco estava subcapitalizado.

Com isso, o acesso às contas e aos investimentos da instituição foram bloqueadas. O Ueno era a maior operadora de cartões de crédito do país, com quase 1,1 milhão de cartões emitidos até setembro, segundo dados do Banco Central.

No fim do ano passado, a instituição tinha 2,6 milhões de clientes, o equivalente a um em cada três paraguaios, de acordo com informações publicadas em seu site. Ele cresceu durante o mandato de Peña, levantando suspeitas de favorecimento.

Os depósitos do governo no Ueno Bank — controlado pelo poderoso conglomerado paraguaio Grupo Vázquez — dispararam desde que Peña assumiu a Presidência, em 2023, alcançando aproximadamente 5 trilhões de guaranis (US$ 869 milhões), o equivalente a 29% dos depósitos do banco no final de junho.

Diante dessas relações estreitas, a crise respinga sobre o mundo político. Devolução do dinheiro

O sistema bancário paraguaio tem um Fundo de Garantia, como no Brasil. Lá a cobertura é de até 75 salários mínimos, equivalentes a 228,3 milhões de guaranis (US$ 37 milhões).

Pelas regras, os depósitos são devolvidos em um prazo de 15 dias. Mas, diante do peso do banco e da repercussão popular, o Senado aprovou ontem a antecipação de parte dessa devolução para um prazo de 24 horas e elevou o valor do adiantamento para 121 milhões (US$ 19,8 milhões) de guaranis, o equivalente a 40 salários mínimos, sem prejuízo da cobertura total prevista.

Estima-se que a grande maioria dos correntistas consiga recuperar a totalidade de seu dinheiro com esse valor. O projeto do Senado será analisado pela Câmara dos Deputados hoje.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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