Para ‘se aproximar do mercado’, loteadora Brasil Terrenos obtém registro de categoria A

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Fonte da notícia: Valor Valor

A loteadora Brasil Terrenos obteve na quinta-feira (5) o registro de empresa aberta de categoria A junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A companhia, fundada em 2003, é dividida entre as famílias dos dois fundadores, Moisés Carvalho e Sidney Penna.

O negócio lançou R$ 289,1 milhões em valor geral de venda (VGV) potencial no primeiro semestre, queda de 54% sobre o mesmo período de 2025, e registrou R$ 918,4 milhões em vendas contratadas, um crescimento de 47%. O foco da Brasil Terrenos está em projetos de desenvolvimento urbano no interior do país.

A empresa já está presente em 18 Estados e 90 cidades, conta o CEO Alexandre Pereira, da segunda geração familiar. Há um interesse por parte da companhia em se aproximar do mercado e mostrar mais transparência em seus resultados, afirma.

As famílias passaram por um treinamento com a Fundação Dom Cabral e foi constatado que a governança é o que faz com que as empresas se perpetuem. “A partir do momento em que tenho que dar explicação e demonstrar resultados, traz um papel de autorreflexão, se estamos indo para o caminho certo ou desviando do que prometemos”, afirma, ainda que também represente um custo maior para o negócio.

Uma oferta inicial de ações (IPO) pode estar no horizonte, mas o CEO ressalta que isto não depende da empresa. A Brasil Terrenos tem conseguido financiar sua expansão via instrumentos de dívida.

Em 2025, a empresa captou R$ 700 milhões com certificados de recebíveis imobiliários (CRI). Pereira afirma que também para esse tipo de emissão é interessante ser uma empresa aberta.

“No CRI, estamos falando com pessoa física, e a questão de ser conhecido traz viés de segurança, principalmente para ela, que acaba não tendo uma análise tão profunda dos números”, diz. “Se continuarmos com o mercado de dívidas para sustentar o crescimento, ou formos para o mercado de capitais, entendemos que a transparência é muito importante”.

O momento para o registro de categoria A não preocupa, segundo Pereira. Após a reeleição do presidente Lula, houve uma penalização na bolsa de companhias ligadas à economia real, como as empresas do setor imobiliário.

“O Brasil tem altos e baixos”, afirma o executivo, que reforça confiar na força da demanda por terrenos para a construção de casas e na expansão urbana das cidades do interior. “É o mercado imobiliário em que a gente acredita”.

A empresa terminou junho com um lucro líquido de R$ 677,4 milhões no acumulado de 2026, aumento de 49% sobre a primeira metade de 2025.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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