Para governo Lula, derrota de Trump abre caminho para normalização da relação entre Brasil e EUA

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Fonte da notícia: Valor Valor

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê que a derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições de meio de mandato abre uma janela de oportunidade para a normalização da relação entre os dois países. Na avaliação de interlocutores do petista, o realinhamento, contudo, tende a ser pragmático, mas pode abrir espaço para avançar na concessão do “agrément” de Daniel Perez para a embaixada no Brasil.

A leitura do governo brasileiro é que há um enfraquecimento de Trump com a eleição desta semana, o que tende, inclusive, a dificultar a construção de um sucessor para ele daqui dois anos. Mesmo assim, acredita-se que os Estados Unidos não devem voltar atrás do tarifaço aos produtos brasileiros, mas que o presidente americano deve passar a fazer gestos a alguns países.

Republicano, Trump viu o partido Democrata vencer tanto Câmara quanto Senado, na terça-feira (3). Até então, já era esperado por especialistas a derrota na segunda Casa, mas a folga com que a oposição ganhou em ambas, incluindo em Estados-chave para o partido do presidente, como Texas e Georgia, chamou a atenção de observadores.

Na semana que vem, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, devem ter uma reunião bilateral à margem do encontro de chanceleres do G7, que será realizada em Paris. O governo brasileiro espera que eles possam alinhar alguns assuntos pendentes e aprofundar no pragmatismo.

Nesse contexto, por exemplo, está a indicação de Daniel Perez para a embaixada no Brasil. A gestão Lula pretende avançar na concessão do “agrément”, autorização necessária para que um embaixador seja aceito pelo país onde servirá.

Em contrapartida, porém, espera que Trump retome o visto de múltiplas entradas da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A revogação desse documento aconteceu em retaliação à decisão do governo brasileiro de negar, em julho, vistos a dois diplomatas americanos que pretendiam visitar o país antes das eleições.

A avaliação é que o fim dessa espécie de disputa por vistos, como classificou uma fonte, beneficia os dois países por retomar a normalidade das relações. Mesmo que haja esses acenos após a derrota de Trump no Congresso, o governo brasileiro ainda calcula quais podem ser os próximos passos do governo americano.

No curto prazo, não é esperada uma grande mudança de postura, como uma modificação brusca da política monetária. Até o momento, fontes afirmam que ainda não está previsto um encontro nem telefonema entre os presidentes.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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