Os servidores do Palácio do Planalto que vão atuar no desfile cívico de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, receberam nesta semana orientações para evitar infringir a legislação eleitoral. De acordo com apuração da CBN, os trabalhadores escalados para a data foram orientados a usar a camisa do Brasil ou roupas nas cores da bandeira, que remetem ao patriotismo da celebração e afastam a interpretação de que o evento possa ser utilizado como palanque para o presidente Lula.
O receio é de que adversários entendam a ocasião como um cenário de promoção eleitoral e, com isso, acionem a Justiça Eleitoral contra o PT e a chapa de Lula e Alckmin. Por isso, segundo interlocutores do Palácio, estão proibidos adesivos, bandeiras, camisetas e cartazes de caráter político-eleitoral, inclusive na arquibancada destinada aos servidores. Qualquer menção a números de candidatos também está vetada. A Secretaria-Geral da Presidência, comandada pelo ministro Guilherme Boulos, encarregada da interlocução do governo com movimentos sociais, está responsável pela mobilização de integrantes desses grupos para ocupar as arquibancadas do evento. O Planalto quer a plateia lotada para demonstrar apoio ao governo, monstrando força nesta data.
Os adversários do presidente Lula nas eleições deste ano também preparam ações para o dia, o que pode gerar comparativo entre as agendas.
A organização do evento é coordenada pelas pastas da Secretaria-Geral da Presidência, da Secretaria de Comunicação e pelo Gabinete de Segurança Institucional, responsável pelo controle dos acessos ao palco principal, onde o presidente Lula acompanha o desfile ao lado de autoridades e aliados. A Secretaria de Comunicação também deve aproveitar a ocasião para destacar a soberania nacional, em meio ao impasse tarifário com os Estados Unidos. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro, por abuso de poder político e econômico nas comemorações do Bicentenário da Independência, realizadas no dia 7 de setembro de 2022. Com a decisão, foi declarada a inelegibilidade da chapa de Bolsonaro e do candidato a vice Walter Braga Netto, por oito anos, contados a partir da última eleição.
CBN