Quando se fala em musculação, alguns músculos costumam ganhar toda a atenção. Peito, costas, braços, pernas e abdômen aparecem com frequência nos treinos, enquanto a panturrilha muitas vezes fica para depois.
SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK.
O motivo pode ser estético: muita gente simplesmente não considera a região uma prioridade. Mas a panturrilha está envolvida em movimentos que fazemos diariamente, desde caminhar e subir escadas até correr, saltar e ficar na ponta dos pés.
Por isso, fortalecer essa musculatura não precisa ser uma preocupação apenas de quem quer aumentar o tamanho das pernas. A força da parte inferior da perna também está relacionada a equilíbrio, caminhada e capacidade funcional.
Leia tambémBem-Estar Todo DiaPor que jogadores de basquete usam leggings, mangas e outros acessórios?Bem-Estar Todo Dia6 cidades para conhecer a história por meio do futebolBem-Estar Todo DiaBullying no esporte não é só coisa de escola: adultos também sofremBem-Estar Todo DiaQuando tudo parece dar errado: como sair do pensamento catastrófico
A panturrilha trabalha mais do que parece
A região é formada principalmente pelo gastrocnêmio e pelo sóleo, músculos que participam da chamada flexão plantar do tornozelo — o movimento de apontar o pé para baixo.
É justamente esse movimento que aparece quando você levanta o calcanhar do chão.
A panturrilha participa da propulsão durante a caminhada e a corrida e ajuda a controlar o movimento do tornozelo. Por isso, mesmo quem não pratica esporte regularmente utiliza essa musculatura todos os dias.
O funcionamento adequado dos músculos da região também participa da chamada bomba muscular da panturrilha, que contribui para o retorno do sangue das pernas. Estudos sobre pessoas com insuficiência venosa crônica mostram que exercícios podem melhorar a função dessa bomba, além de força muscular e amplitude de movimento do tornozelo. Isso não significa, porém, que fazer exercícios de panturrilha seja uma forma comprovada de prevenir doenças circulatórias em pessoas saudáveis.
Força da panturrilha também tem relação com o equilíbrio
Um dos motivos para não deixar essa musculatura de lado aparece quando olhamos para o equilíbrio.
Os músculos que fazem a flexão plantar ajudam a controlar o tornozelo enquanto o corpo está em movimento ou precisa reagir a pequenas mudanças de posição.
Uma revisão sistemática com 34 estudos encontrou associação entre a força desses músculos e diferentes medidas de equilíbrio e velocidade de caminhada, principalmente em adultos mais velhos. A relação foi mais consistente para tarefas de equilíbrio dinâmico.
Um estudo publicado em 2026 também encontrou associação entre a força da parte inferior da perna e parâmetros como velocidade de caminhada, levantar-se de uma cadeira e desempenho no teste Timed Up and Go em adultos com idade média de aproximadamente 79 anos.
Isso não quer dizer que uma panturrilha forte, sozinha, impeça quedas. Equilíbrio é resultado de vários fatores, incluindo força de outras partes do corpo, visão, coordenação, mobilidade e ambiente.
Mas os resultados ajudam a mostrar por que não faz sentido tratar a panturrilha como um músculo exclusivamente estético.
O que acontece quando envelhecemos?
A força muscular tende a diminuir com o avanço da idade, e a musculatura da parte inferior da perna também faz parte desse processo.
Um estudo com adultos mais velhos mostrou que a força dos músculos responsáveis pela flexão plantar estava associada à capacidade de equilíbrio e à velocidade de caminhada.
Outro trabalho, publicado em 2024, encontrou associação entre menor força dos músculos da panturrilha e maior instabilidade durante determinadas perturbações da caminhada em adultos mais velhos. Os autores destacam que a capacidade de produzir força rapidamente pode ser importante para recuperar a estabilidade quando ocorre um desequilíbrio.
É uma das razões pelas quais manter força nas pernas ao longo da vida pode ser importante para preservar a autonomia.
Não é preciso ser corredor para treinar panturrilha
A corrida é uma atividade em que a panturrilha recebe bastante atenção, mas não é a única.
Quem caminha, pedala, joga futebol, pratica vôlei, dança, faz trilha ou simplesmente quer manter a capacidade de realizar tarefas cotidianas também utiliza os músculos da região.
Um estudo internacional publicado em 2025 avaliou 500 pessoas e estabeleceu valores de referência para resistência da panturrilha usando o teste de elevação do calcanhar. O trabalho mostrou que nível de atividade física, sexo e índice de massa corporal estavam relacionados ao desempenho no teste.
A pesquisa reforça outro ponto: capacidade da panturrilha não depende apenas do tamanho do músculo.
Elevar o calcanhar já é uma forma de trabalhar a região
Um dos movimentos mais simples para fortalecer a panturrilha é justamente a elevação dos calcanhares.
Em pé, a pessoa sobe lentamente na ponta dos pés e depois retorna ao chão de maneira controlada. O exercício pode ser realizado inicialmente usando o peso do próprio corpo.
À medida que a pessoa evolui e tem orientação adequada, é possível aumentar a dificuldade com mais repetições, diferentes posições ou resistência externa.
Não é necessário transformar o exercício em uma disputa para levantar o maior peso possível.
A qualidade do movimento e a progressão adequada são mais importantes do que simplesmente acumular carga.
A panturrilha também precisa de progressão
Assim como qualquer outro músculo, a panturrilha se adapta ao estímulo.
Fazer sempre exatamente o mesmo número de repetições, com a mesma carga e sem evolução pode deixar de representar um desafio suficiente para quem já está acostumado ao exercício.
A progressão pode acontecer de diferentes maneiras, dependendo do nível da pessoa e do objetivo do treino.
Para quem está começando, porém, nem é necessário pensar imediatamente em cargas altas. Um exercício simples e bem executado já pode ser um ponto de partida.
Vale incluir no treino mesmo sem objetivo estético?
Sim.
Se a pessoa já faz musculação ou outro programa de exercícios, a panturrilha pode ser trabalhada como parte da preparação geral das pernas.
Para quem pratica esportes, ela pode integrar uma preparação mais ampla que também envolva quadril, coxas, tornozelos e tronco.
E para quem não tem objetivo esportivo específico, manter a força das pernas pode ajudar a preservar movimentos que fazem parte da rotina.
O mais importante é não transformar a panturrilha em uma prioridade isolada. Ela é uma peça de um sistema muito maior.
E se houver dor?
Sentir dor persistente, inchaço, perda de força ou dificuldade para caminhar não é motivo para simplesmente aumentar a carga no exercício.
Nesses casos, é importante interromper a tentativa de resolver o problema sozinho e procurar avaliação profissional para entender a causa.
Exercício de força é uma ferramenta importante para a saúde, mas o treinamento precisa ser adaptado às condições e ao nível de cada pessoa.
Um músculo pequeno, mas com trabalho diário
A panturrilha pode não chamar tanta atenção quanto outros grupos musculares, mas participa de movimentos que acompanham praticamente toda a vida cotidiana.
Caminhar até o trabalho, subir uma escada, levantar o calcanhar para alcançar alguma coisa, correr para pegar um ônibus ou manter o equilíbrio durante uma mudança de direção são ações que dependem, em algum grau, da capacidade dos músculos da parte inferior da perna.
Por isso, fortalecer a panturrilha não precisa ser apenas uma questão de aparência.
É também uma maneira de cuidar de uma musculatura que ajuda o corpo a se movimentar, controlar o tornozelo e manter capacidade funcional ao longo do tempo.
O post Panturrilha não é só estética: por que vale a pena fortalecer esse músculo apareceu primeiro em Olimpíada Todo Dia.
Olimpiada Todo Dia