Palma de Ouro, 'Fjord' tensiona ideal de liberdade ao opor sociedade progressista e família conservadora

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Fonte da notícia: CBN CBN

Um dos filmes mais aguardados da temporada, 'Fjord' foi apresentado nesta segunda (19) para o público da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo de maneira antecipada no Teatro Cultura Artística, com sorteio de brindes -- a estreia no circuito comercial brasileiro será somente em 4 de fevereiro de 2027. Quem perdeu a sessão especial ainda terá a chance de ver a produção no dia 26, no Cinesesc, às 20h10. Confira a programação completa da 50ª Mostra O longa do diretor romeno Cristian Mungiu foi o vencedor da Palma de Ouro de 2026, prêmio mais importante do Festival de Cannes, e discute os limites de um ideal progressista de liberdade ao contrapor os princípios da sociedade norueguesa às crenças de uma família conservadora sobre como criar seus filhos.

Distribuído no Brasil pela Diamond Films, 'Fjord' é estrelado por um elenco premiado. O ator romeno-americano Sebastian Stan foi o vencedor do Globo de Ouro em 2025 com 'A Different Man' e Melhor Ator em Berlim no ano anterior. Ele ainda recebeu ao longo da carreira indicações ao BAFTA, Oscar e outras honrarias.

Já a norueguesa Renate Reinsve ganhou o título de Melhor Atriz no Festival de Cannes em 2021 com 'A Pior Pessoa do Mundo', foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz deste ano por 'Valor Sentimental', além de nomeações ao BAFTA e Globo de Ouro.

Criada na ditadura, Mostra de Cinema de SP completa 50 anos com grandes filmes e diretores internacionais 50ª edição é de celebração, mas futuro terá desafio após eleições, diz diretora Os dois haviam trabalhado juntos anteriormente em 'A Different Man' (2024). Em 'Fjord', Stan interpreta o romeno Mihai Gheorghiu, um pai cristão e ultraconservador, com um ímpeto violento por baixo de seu aspecto manso. Renate Reinsve vive Lisbet Gheorghiu, a mãe norueguesa da família, que também se identifica com os valores religiosos de Mihai e se comporta com discrição. O devoto casal decide se mudar da Romênia para a Noruega junto a seus cinco filhos. Eles se estabelecem em uma vila em um distante fiorde -- uma grande entrada de mar entre altas montanhas rochosas --, onde se verão cercados também por ideais opostos aos seus.

Os novos vizinhos são recebidos calorosamente pelos Halberg, uma família progressista cuja filha Noora encanta os adolescentes da família Gheorghiu, Elia e Emmanuel, com seu comportamento livre e transgressor. Apesar das criações muito diferentes, os três criam um forte vínculo, que acaba por desagradar em alguma medida as duas famílias, que veem no outro uma "má influência". As tensões começam pequenas na vila, com incômodos por conta das manifestações religiosas e homofóbicas de uma das crianças na escola, e por Lisbet colocar símbolos cristãos em caixões de idosos da casa de repouso onde trabalha, por exemplo.

Quando Elia aparece no colégio com marcas de agressão pelo corpo, a comunidade passa a questionar com mais veemência a educação tradicional que as crianças recebem dos pais. A partir daí, Mihai e Lisbet têm seus cinco filhos levados embora: o casal passa a ser investigado pelo sistema de proteção à infância, já que o país leva a sério a proibição de qualquer forma de violência e castigo físico de pais contra filhos.

Enquanto os representantes do Estado argumentam que o melhor para uma criança é estar livre da violência e valores restritivos -- como a probição de ouvir músicas que não sejam da igreja e de se integrar livremente à sociedade --, os Gheorghiu clamam que o maior trauma seria ficar sem o amor dos pais, alegam perseguição religiosa, e dizem que estão ensinando os filhos a serem pessoas corretas. O caso fictício, emblemático em um país que se estrutura sob princípios progressistas, coloca em questão um paradoxo: deve-se restringir uma liberdade para proteger outras? Celebrando 50 anos de Mostra de Cinema O produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, vencedor do Oscar com 'Ainda Estou Aqui' ao lado do cineasta americano James Gray na abertura da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Amanda Mazzei/CBN Sessão especial de 50 anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo no Teatro Cultura Artística, exibindo 'Fjord'. Amanda Mazzei/CBN 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo terá títulos como 'Feito Pipa' (Allan Deberton); 'Tigre de Papel' (James Gray); 'Minotaur' (Andrey Zvyagintsev); 'O Outro Lado Das Redes' (Aaron Sorkin); 'A Terra do Meu Pai' (Pawel Pawlikowski); e 'All of a Sudden' (Ryusuke Hamaguchi). Divulgação A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está completando 50 anos, com uma edição comemorativa que começou no dia 15 de outubro e vai até o dia 29. Serão exibidos 391 filmes de mais de 90 países, além da visita do diretor americano James Gray, o produtor português Paulo Branco, o diretor indiano S. S. Rajamouli e o rapper e cineasta americano Boots Riley. O festival, criado em plena ditadura militar, recebeu muitos convidados ilustres em suas cinco décadas. Wim Wenders, Pedro Almodóvar, Quentin Tarantino, Abbas Kiarostami, Francis Ford Coppola, Jafar Panahi e Manoel de Oliveira são alguns dos cineastas que vieram à capital paulista para apresentar suas produções. Foram quase 12 mil filmes exibidos até agora. A diretora do festival, Renata de Almeida, publicou neste mês o livro “Antes Que Eu Me Esqueça” (Cosac), com suas memórias e bastidores. Outras ações comemorativas são o lançamento do Acervo, que reúne 50 anos de história da Mostra e informações sobre quase de 12 mil filmes que passaram pelo festival, e a exposição “Tempo e Movimento: Os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”, no Solar Fábio Prado – referência à frase dita pela artista plástica Tomie Ohtake quando apresentava a arte da 17ª Mostra: “Para mim cinema é isso, tempo e movimento”.

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