Nos pagamentos entre empresas, o boleto ainda responde por 72,96% das operações na base analisada pela Qive, enquanto o Pix representa 2,03%. O Pix mudou a maneira como os brasileiros movimentam dinheiro.
Nos pagamentos entre empresas, porém, a substituição dos meios tradicionais está acontecendo em outra velocidade. Na base analisada pela Qive, o boleto respondeu por 72,96% dos pagamentos entre empresas em 2026, considerando as operações registradas até 15 de agosto.
O Pix apareceu em 2,03%. A distância chama atenção porque não significa que as empresas estejam fora do Pix.
Dados do Banco Central mostram participação relevante das pessoas jurídicas no sistema. O que muda é o tipo de pagamento observado.
Quando uma empresa paga outra, a transferência do dinheiro costuma ser apenas uma etapa de um processo que começou antes, com compra, nota fiscal, prazo, aprovação e registro no contas a pagar. É nessa estrutura que o boleto continua encontrando espaço.
Os números do Banco Central dimensionam o espaço que o Pix conquistou no sistema de pagamentos brasileiro. Em 31 de agosto de 2026, cerca de 249,8 milhões de transações foram liquidadas no Sistema de Pagamentos Instantâneos, movimentando aproximadamente R$ 184,9 bilhões.
No dia seguinte, 1º de setembro, foram 266,7 milhões de operações. Os dados oficiais mostram que o Pix está amplamente incorporado à movimentação financeira do país.
A base do Banco Central também registra transações realizadas por pessoas físicas e jurídicas e é atualizada mensalmente. Isso torna mais interessante o contraste encontrado pela Qive.
Quando o recorte deixa de ser o conjunto das transações Pix e passa para pagamentos declarados em documentos fiscais presentes em uma base de contas a pagar B2B, o boleto continua aparecendo com ampla vantagem. São universos diferentes, e os percentuais não devem ser comparados diretamente.
O primeiro mostra a dimensão alcançada pelo Pix no sistema financeiro. O segundo revela como obrigações comerciais ainda são estruturadas dentro de uma grande base de operações entre empresas.
É essa diferença que mostra por que mudar a forma de movimentar dinheiro pode ser muito mais rápido do que mudar os processos que existem ao redor de um pagamento. Uma transferência entre duas pessoas pode começar e terminar em poucos segundos.
Dentro de uma empresa, o pagamento de um fornecedor pode passar por uma sequência maior: recebimento da nota fiscal, conferência da compra, aprovação, definição da data de pagamento, registro financeiro, liquidação e conciliação. O meio utilizado precisa funcionar dentro dessa sequência.
O boleto acumulou uma característica importante ao longo dos anos: ele se encaixou na organização do contas a pagar das empresas. Possui vencimento definido, identificação do pagamento e integração com rotinas bancárias e financeiras já estabelecidas.
Para uma pessoa que precisa pagar uma compra, concluir a transação em segundos pode ser a principal vantagem. Para uma empresa processando centenas ou milhares de documentos, identificar corretamente o que está sendo pago pode ter peso semelhante.
O Pix conseguiu avançar rapidamente onde havia pouca razão para preservar etapas anteriores. Transferir dinheiro para outra pessoa, pagar uma compra ou receber de um cliente ficou mais simples.
Nas empresas, a mesma tecnologia encontra processos construídos para resolver problemas adicionais. É preciso saber quem autorizou uma compra, qual documento originou a obrigação, quando ela vence, qual fornecedor deve receber e como o pagamento será conciliado depois.
O desafio deixa de ser apenas movimentar o dinheiro. O boleto está perdendo participação na base analisada.
O Pix está crescendo, e o Banco Central já anunciou mudanças que alcançam também os boletos. Outros meios também avançam.
Mas a mudança mais relevante não ocorre quando uma forma de pagamento simplesmente substitui outra. Ela acontece quando as empresas conseguem mudar o meio sem perder os controles que construíram ao redor dele.
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