As bolsas de Tóquio e Seul, onde já operam no pregão de sexta-feira, despencaram na abertura depois que as ações americanas terminaram a quinta-feira em forte alta, puxada por empresas de tecnologia. Investidores temem que os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos possam frear ou comprometer o avanço da inteligência artificial (IA), cuja cadeia se estende também à Ásia.
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O índice de referência japonês Nikkei 225 caiu 5,1%, para 56.930 pontos, nas primeiras horas de negociação. O Kospi, da Coreia do Sul, despencou 8,5%, para 4.923 pontos, acionando um mecanismo de interrupção automática das negociações, que suspendeu as operações por 20 minutos.
Oferta: Vendedor misterioso coloca US$ 500 milhões em dívidas de data centers à venda em meio a dúvidas sobre IA Inicialmente, os investidores haviam comemorado a contundente derrota imposta pelos democratas, na terça-feira, ao Partido Republicano do presidente Donald Trump.
Desde então, porém, passaram a adotar uma postura mais cautelosa, diante do temor de que a nova configuração política resultante das eleições afete investimentos estratégicos em inteligência artificial, considerados importantes para o crescimento econômico. Efeito: Derrota de Trump nas eleições para o Congresso dos EUA põe em xeque boom de data centers nos EUA
Entre os principais índices dos Estados Unidos, o mais afetado foi o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, que encerrou o pregão em queda de 5,5%, em meio a uma onda de vendas que atingiu a Nvidia e outras fabricantes de semicondutores. Foi a pior sessão do Nasdaq em termos de queda percentual desde abril de 2025.
Fabricantes de chips na berlinda Na Coreia do Sul, as fabricantes de chips de memória, cujos modelos mais avançados são utilizados em conjunto com outros semicondutores de processamento de dados para impulsionar ferramentas de inteligência artificial, também foram afetadas nesta sexta-feira.
Trump não foi o único perdedor das eleições nos EUA: big techs e seus bilionários também saíram derrotados As ações da Samsung Electronics despencaram quase 10%, enquanto as da SK Hynix recuaram mais de 11%.
A queda na Bolsa de Nova York também atingiu as ações de empresas ligadas à indústria de semicondutores no Japão, onde a Tokyo Electron recuou 9% e a Kioxia, 13%. Como foi o tombo nos EUA
As bolsas americanas despencaram nesta quinta-feira, pressionadas pela queda das ações ligadas à inteligência artificial (IA), diante do temor dos investidores de que a vitória dos democratas no Congresso americano leve a um aperto da regulação sobre projetos de data centers de IA.
A Nasdaq, bolsa que reúne as gigantes mundiais da tecnologia, caiu 5,52%. Foi a maior queda desde abril de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou tarifas comerciais globais no chamado "Dia da Libertação", causando um pânico generalizado nos mercados.
Quem era Adam Robinson, magnata da tecnologia que morreu com a mulher e os filhos em queda de avião na Flórida Já o índice Nasdaq 100 - que engloba as 100 maiores empresas não financeiras de tecnologia, como as big techs - afundou 6,4%, teve seu pior pregão desde março de 2020, quando o mundo enfrentava os primeiros efeitos da Covid-19.
A queda levou o índice a eliminar, em um só dia, US$ 2,3 trilhões em valor de mercado. Depois de também apagar todos os ganhos da sessão anterior, o índice ampliado S&P 500 recuou 4,35% - também maior tombo desde abril de 2025.
Até mesmo as empresas mais tradicionais que compõem o Dow Jones fecharam em queda. — Pensávamos que já tínhamos superado o pior depois da recuperação do mercado no dia seguinte às eleições de meio de mandato, mas, de repente, estamos diante de um verdadeiro banho de sangue em Wall Street — afirma Jose Torres, analista da Interactive Brokers.
As chamadas Sete Magníficas — apelido dado às gigantes americanas de tecnologia, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft — perderam cerca de US$ 800 bilhões em valor de mercado. O montante supera o PIB da Suécia.
— Quando surge qualquer dúvida sobre os investimentos em centros de dados, o mercado reage de maneira especialmente violenta — afirma à AFP Art Hogan, da B. Riley Wealth Management.
Menos investimentos em data centers O mercado interpreta os resultados das eleições de meio de mandato como um possível freio à expansão da inteligência artificial, uma vez que vários dos democratas eleitos fizeram campanha pela desaceleração da construção de centros de dados.
Além disso, moradores de dezenas de cidades americanas aprovaram na terça-feira restrições ou proibições à instalação desses empreendimentos, cuja infraestrutura demanda grandes volumes de chips. A onda de vendas em Wall Street apagou com folga a recuperação da véspera, quando a conquista do Congresso pelos democratas derrubou os preços do petróleo, diante das apostas de que o resultado eleitoral aceleraria o fim da guerra no Irã.
Mas, mesmo com a forte alta dos principais índices acionários naquela sessão, já havia sinais de desconforto dos investidores com as apostas em inteligência artificial. O movimento de migração para setores considerados mais defensivos se transformou em uma onda mais ampla de liquidação de ações, acompanhada por uma disparada de um dos principais indicadores de volatilidade.
O Bitcoin também caiu.
O Globo