Donald Trump atribuiu a derrota do Partido Republicano a uma emissora e a aliados; entenda Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
Nesta terça-feira (3), os Estados Unidos realizaram as eleições de meio de mandato (“midterms”). O Partido Democrata conquistou a maioria no Congresso e controlará as duas Casas do Legislativo pelos próximos dois anos.
Até o momento, os democratas somam 54 cadeiras no Senado, contra 44 dos republicanos. Das 100 cadeiras do Senado, apenas 35 estavam em disputa em 2026.
Já na Câmara dos Representantes, todos os 435 assentos foram renovados. Até agora, os democratas elegeram 228 deputados, enquanto os republicanos conquistaram 139.
Restam 68 cadeiras a serem definidas. O novo Congresso toma posse em 3 de janeiro de 2027.
Na prática, isso significa que os Estados Unidos terão um novo presidente? Não.
As midterms ocorrem no meio do mandato presidencial e costumam funcionar como um termômetro da popularidade de quem ocupa a Casa Branca. Embora o resultado altere o equilíbrio de forças no Congresso, ele não interfere diretamente no mandato do presidente.
Sim e não. Quem saiu derrotado foi o Partido Republicano, legenda pela qual Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos.
Na madrugada desta quarta-feira (4), Trump afirmou nas redes sociais que teria vencido “com ampla vantagem” se seu nome estivesse nas cédulas. O presidente também atribuiu a derrota republicana à emissora Fox News e a aliados do partido.
Vale lembrar que a Constituição dos Estados Unidos impede Donald Trump de disputar um terceiro mandato presidencial. A organização das eleições é descentralizada.
A Constituição concede aos estados a autoridade para definir o “tempo, o lugar e a maneira” de realizar as eleições para o Congresso, que pode “fazer ou alterar” essas regras, mas o presidente não tem participação nesse processo. Na prática, os estados delegam a organização da votação a mais de 10 mil jurisdições eleitorais.
A contagem começa nos condados. Depois, cada estado consolida os resultados, realiza a apuração final e faz a certificação oficial.
Quando a imprensa anuncia que um candidato venceu, trata-se de uma projeção baseada nos votos apurados. Entre a projeção e a certificação podem se passar dias ou até semanas.
Em 44 estados e no Distrito de Columbia, os funcionários eleitorais podem começar a processar as cédulas enviadas pelo correio antes do dia da eleição. A Flórida, por exemplo, inicia o processamento das cédulas semanas antes da eleição.
Em seis estados — Alabama, Mississippi, New Hampshire, Pensilvânia, Virgínia Ocidental e Wisconsin — esse trabalho só pode começar no próprio dia da votação, antes do fechamento das urnas. Em 14 estados e no Distrito de Columbia, votos enviados pelo correio com carimbo datado até o dia da eleição continuam válidos mesmo que sejam entregues posteriormente.
Em 29 de junho de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos confirmou, por 5 votos a 4, que os estados podem adotar essa regra. Na Califórnia, as cédulas podem chegar até sete dias após a eleição.
No Alasca, o prazo é de até dez dias, e a certificação oficial ocorre apenas em dezembro. Em Nevada, o eleitor ainda dispõe de seis dias para corrigir problemas relacionados à assinatura.
Cerca de 70% dos eleitores registrados vivem em locais onde a maioria vota em cédulas de papel preenchidas à mão e lidas por escâneres ópticos. Outros 26,5% utilizam máquinas que imprimem a cédula para conferência.
A Louisiana é o único estado que ainda utiliza urnas eletrônicas sem registro em papel. Todos os 50 estados realizam algum tipo de auditoria após a eleição, sendo que 36 adotam contagem manual de uma amostra dos votos.
Alasca e Maine utilizam o sistema de voto por ordem de preferência (ranked-choice voting) nas disputas para o Senado. Se nenhum candidato ultrapassar 50% dos votos, o menos votado é eliminado, e seus votos são redistribuídos conforme a segunda opção indicada pelos eleitores.
O processo se repete até que um candidato alcance a maioria. Já no Maine, a apuração é centralizada na capital, Augusta, e o resultado costuma ser divulgado na semana seguinte.
No Alasca, a próxima rodada de redistribuição dos votos está prevista apenas para 18 de novembro. Vinte e seis estados realizam recontagem automática quando a diferença entre os candidatos é muito pequena.
O limite mais comum é de 0,5%. No Alasca e no Maine, a recontagem automática ocorre apenas em caso de empate, embora qualquer candidato possa solicitá-la.
O Maine certifica oficialmente os resultados em 23 de novembro, enquanto o Alasca faz a certificação em 25 de novembro. Mais detalhes sobre o sistema eleitoral dos Estados Unidos podem ser conferidos na coluna de João Alfredo Nyegray.
Yasmin Mior é repórter do ND Mais e faz parte do Núcleo Nacional, escrevendo matérias que envolvem política, segurança e saúde, assim como outros assuntos que impactam o dia a dia do brasileiro. Além de trazer previsões do tempo, tem como foco pautas econômicas e sociais em diferentes estados do Brasil.
Jornalista formada pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), atua na área desde 2021 e cobriu eventos de destaque, como as Olimpíadas de Paris 2024 e a posse do Papa Leão XIV. Também está sempre conectada ao mundo da cultura pop, por dentro do que há de novo em filmes e séries, e fez cursos livres de SEO, gestão de mídias sociais e cinema contemporâneo.
Acompanhou as Eleições Municipais de 2024 atuando no setor de distribuição de conteúdo de um portal de notícias de Santa Catarina. Leia mais ▾
ND Mais